Apresentação

Lançamento dos livros de Adão Cruz e de Eva Cruz (texto de Augusta Clara)

(Fotografias de Elisabete Silveira)

(da esquerda para a direita Carla Romualdo, Augusta Clara, Adão Cruz, Susana Fernando e Marcos Cruz)

 A casa domina o vale e o olhar foge-nos  em declive pelos socalcos da encosta, vai planando, depois gira a cento e oitenta e regressa em boomerang ao verde e aos maciços das hortênsias, onde predomina o azul, que pululam por toda a quinta numa harmoniosa ausência de simetria, como quem nasceu ao deus-dará.

As grandes taças de barro, suspensas das paredes exteriores deixam pender petúnias em abundância, tal como os bojudos vasos da entrada. Há flores por todo o lado. Entra-se num desvario de cor e de bem estar nesta beleza do espaço onde nasceram e cresceram os irmãos Adão e Eva Cruz e onde se realizou o lançamento dos livros que ambos tinham acabado de publicar. O do Adão um livro de poesia intitulado “Vai O Rio No Estuário – poemas de braços abertos” e o da Eva baseado numa lenda, de título “Corconte”, ambos já  anunciados aqui na “Viagem dos Argonautas”.

Era sábado, o tempo estava ameno e os amigos iam chegando. As crianças começavam a saltitar por aqui e por ali. Um dos gémeos, na inocência dos seus três anos, pôs mãos à obra de aliviar um limoeiro do peso excessivo e, durante algum tempo, os limões que a sua mãozinha transportava, um a um, foram enchendo um saco.

Tudo estava preparado para que este fosse um dia perfeito. Só não o permitiu a ausência da Eva a quem uma razão forte impediu de estar connosco naquela sua casa, onde íamos com tanto prazer finalmente conhecê-la pessoalmente, e participar na apresentação do seu livro.

A Eva que se pressente, desde logo, ser a principal inspiradora e guardiã do cuidado com que foi preparada a sessão. Aquela maneira de receber os amigos tem a marca da natureza afectuosa dos dois irmãos Cruz, mas a Eva acrescentou-lhe ainda um toque de magia na apresentação e organização que tornou todo o conjunto num aprazível cenário onde a amizade andou à solta. É a magia dos pormenores e da delicadeza com que se combinam.

Aguardando por uma próxima oportunidade para a encontrarmos e, com ela sempre no pensamento, perante uma plateia de cerca de duzentas pessoas, a intervenção inicial pertenceu ao Adão a que não faltaram os toques de humor das suas histórias de jovem médico “João Semana”, tendo apresentado de seguida os outros elementos da mesa, intervenientes no prefácio e no design dos livros, a quem passou o microfone para algumas palavras.

O actor António Capelo leu, então, três dos poemas de “Vai O Rio No Estuário” e a tarde prosseguiu calorosa, na leveza do ar e no convívio dos grupos que se formavam e desfaziam como numa dança em que se trocam os pares.

No meio de todo este calmo bulício é impossível deixar de destacar uma personagem que discreta mas pressurosamente zelou para que os livros do Tião e da Avó Eva chegassem aos leitores. Os primos e os irmãos divertiam-se, cada um à sua maneira, mas a Carolina montou guarda à banca porque, dizia ela, na sinceridade dos seus seis ou sete anos, e com toda a razão: – “Têm que se vender os livros!”.

Grande Carolina! Então, havíamos de ir todos ali passear e não comprávamos livros?! É justo deixarmos-lhe aqui uma homenagem pela sua militância em prol da cultura.

E o tempo sem tempo e sem crise daquele dia foi chegando ao fim. Quando partimos, a calma das conversas, o clima de afecto reinante e a beleza do lugar tínham-nos apaziguado a alma.

(António Capelo lendo poemas de Adão Cruz)

Comments

  1. Amadeu says:

    Grande bulício.

  2. maria celeste ramos says:

    Que homem rural (???) fez este campo e paisagem (???) Que homem urbano (??) não se encontra em paz e inteireza neste espaço de beleza e paz e não a aprecia e defende ?? em todos os lugares ?? pois que até a poesia — fica bem ali, regressada

  3. Amadeu says:

    Espantoso

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