Um dia não são dias…

Domingo, 13horas, Ribeira do Porto, Setembro de 2012.

As ruas, as esplanadas e os restaurantes cheios de turistas. Eram franceses (muitos), ingleses (alguns) e espanhóis (vários). Um dia de sol fantástico que convida a um passeio por todo este Património da Humanidade e que nos enche de orgulho e satisfação ao ver semelhante mar de turistas.

 

Manda a prudência evitar almoços de domingo em zonas turísticas na época alta. Eu sei. Não resisti. Fomos ao Chez Lapin, mesmo no olho do furacão turístico. A longa espera, fruto de um serviço fraquinho, permitiu assistir à invasão de um grupo de franceses, logo seguido de um grupo de italianos reformados. Fico positivamente surpreendido ao verificar que o restaurante tinha empregados que dominavam o francês e o italiano – o facto de a sopa que nos serviram ter regressado ao ponto de partida por estar azeda não me tirou a boa disposição. São coisas que acontecem…

 

Com afinco, os empregados procuravam impingir o bacalhau. Alguns italianos resistiram. Entretanto chegaram os nossos pedidos. Só não seguiram o caminho da sopa por verdadeira desistência. Em bom português, uma merda. Os meus filetes de polvo com arroz de feijão resultaram nuns filetes muito maus e quanto ao arroz, ainda espero sentado. As carnes em “vinha de alhos” dos restantes comensais (três) vieram acompanhadas de quatro meias batatas assadas. Quanto ao sabor e qualidade da carne nem vale a pena perder tempo a explicar.

 

Ao meu lado, os italianos sofriam. Desde confusão na entrega dos pedidos, reclamação pacífica sobre os mesmos – imaginem o que lhes entregaram: o bacalhau que não queriam. A água fresca solicitada resultou em natural. Quando os empregados não estavam por perto e dada a proximidade entre as mesas não foi difícil perceber os seus comentários. No início só elogios à cidade, a meio abundavam as críticas à qualidade dos produtos servidos.

 

Finalmente, as sobremesas. O meu bolo de chocolate deve ter sido bom e fresco três dias antes. Desisti. Pedi a conta e fui-me embora. Para nunca mais. Nem fiquei triste ou mal disposto por mim e pelos que me acompanharam. O meu desalento é outro.

 

Estamos todos a fazer um enorme esforço para manter o Porto no mapa de destinos turísticos de excelência. Todos. Entidades públicas da Região, privados, operadores, etc. Excelentes hotéis, fantásticos hostels, restaurantes cada vez melhores, mais formação e muito mais informação. Só que alguns ainda não aprenderam e querem ganhar tudo de uma vez só a curto prazo. Quando assim é, todos ficamos a perder.

 

Escrevo estas linhas por um pormenor que é pormaior: estes franceses e italianos não escolheram o Chez Lapin como eu. Aterraram nele levados por guias contratados (e devidamente identificados como tal). Eu escolhi o restaurante e por isso o erro foi meu. A estes turistas foi impingido. Logo, foram duplamente enganados.

 

Um dia não são dias. Espero que tenha sido só um dia menos bom.

Comments

  1. Maquiavel says:

    Pois… o problema é que näo foi só uma das opçöes a destoar, foi tudo. E isso preocupa.
    Segundo o Trip Advisor, o Chez Lapin é o 85.o em 295 restaurantes. Näo é bem o que eu esperava de algo que se diz “o melhor da cidade” [lifecooler]…
    http://www.tripadvisor.ie/Restaurants-g189180-Porto_Porto_District_Northern_Portugal.html


  2. É o que dá não auditar as “tradições” achando que são imutáveis…


  3. ” Só que alguns ainda não aprenderam e querem ganhar tudo de uma vez só a curto prazo. Quando assim é, todos ficamos a perder.”
    Isto. Caracteristica comum em grande parte do comercio nacional.

    • Maquiavel says:

      Essa é a perfeita definiçäo de “chico-espertismo”. Cuja consequência a médio prazo é… falência, como todos sabemos!

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