O Soberano

Quando um dia, de modo sério e limpo, se escrever a história deste ano de 2012 na República Portuguesa,as datas de 15 e 21 de Setembro merecerão estudo aprofundado.
A 15 foi a manifestação nacional da dignidade ferida, do orgulho nacional insultado, do direito espezinhado, da vida destruída, do grito por dar dos que foram esbulhados do que legitimamente lhes pertencia, da impotência face a uma justiça que deixa à solta gatunos e corruptos(chegando ao desvario de negar a sua existência), do imenso nojo pela partidocracia instalada, da indignação pelas seitas secretas e criminosas que estendem os tentáculos venenosos por toda a parte, da imensa raiva contida (por enquanto).
O dia 21 foi o dia da prova final de que o Presidente da República é, acima de tudo e antes de mais nada, um manobrista em favor do seu partido e dos seus interesses pessoais, que conseguiu, pela chantagem do medo, do depois de nós o dilúvio, neutralizar um leque de conselheiros de estado timoratos. Com esse passo em falso, e em falsidade, pode ter aberto o caminho para a queda do regime e a ditadura que se lhe seguirá.
O actual governo não é o único exemplar de incompetência que aconteceu a Portugal e porventura não será o último. Nele,o que mais impressiona é a arrogância, o autismo, a vaidade bacoca de quem se julga importante por ter carros topo de gama com motorista e almoços com políticos estrangeiros, a crueldade como ADN ideológico, a mais completa desvergonha e falta carácter perante todas as humilhações que sofre diariamente. Não se demite porque não pode: foi catapultado pelos interesses bastardos, nacionais e internacionais, que vivem do leilão dos países falidos, e por isso tem missão de lacaio. Ficará no posto até ser corrido e fará muito mal ao país neste lapso de tempo. Este governo vem demonstrar que há uma direita absolutamente podre.  Mas porque foi alegremente ajudado a subir ao poder por uma esquerda dita radical, também esse segmento demonstrou que há uma esquerda absolutamente estúpida. Nem uma nem outra são surpresa para quem ande atento, nem admira que a manifestação de 15 de Setembro não tenha tolerado a presença de partidos. Estas águas turvas portuguesas são em tudo iguais às águas turvas em que se move actualmente a União Europeia, em que, não por acaso,  é figura cimeira um outro valet de chambre português.  O mesmo que, com Paulo Portas, rastejou no lambe-botas a Bush, quando se fabricou peça a peça a Guerra do Iraque. Um foi pago com a nomeação para Bruxelas, o outro foi condecorado por Rumsfeld. Um faz que anda mas não anda, na UE, o outro esqueceu-se completamente de defender Portugal onde ele precisa de ser diplomaticamente defendido para se entregar à missão de caixeiro viajante por esse mundo fora, o que certamente satisfaz o seu gosto  pelas  feiras. Em suma: estamos encurralados.  Mas havemos de saír disto.  Se é verdade que, em termos de vaca leiteira nacional, os politicos são quem mais ordenha, não é menos verdade que o povo é quem mais ordena. Nem se duvide disso.
Em Portugal, as élites traíram sempre.  O povo nunca traíu. É  soberano no que a palavra leva de autoridade moral. Assim ele tenha, nesta hora, um Mestre de Aviz.

Comments

  1. Amadeu says:

    Um Mestre de Aviz ?
    Preferia o Afonso Henriques para primeiro ministro, o Dinis na Agricultura, o Viriato na pasta da Defesa.
    Ó tempo, volta pra trás


  2. A falência do nosso sistema político está cada vez mais evidente para todos. Enquanto não forem responsabilizados os políticos terão coutada para todos os desmandos.
    Abraço do Zé


  3. Não há pasteis de nata que nos adocem o pensamento

  4. Lucina Anjos says:

    Senhores

    Tenho 50 anos sempre trabalhei,sempre contribui para a riqueza Nacional,ganhava 5 e produzia 5000 sempre achei que era assim que as coisas funcionavam, sempre tive a noção que tinha que ser rentavél para a empresa.Sei que fui roubada pela entidade patronal que não entregou a segurança social os descontos que me fez, está impune. Sou roubada pelo governo e chamada a pagar uma conta que não fiz… E eles ficam impunes… Tenho um filho sem futuro, tenho um neto sem presente e futuro só se for em outro país. Nunca vivi de créditos sempre recusei até um simples cartão de crédito.Sempre fiz a minha vida com o que tinha, preocupei-me com o futuro e fiz uma poupança para ser um complemento de reforma, nunca comprei carros topo de gama, não tenho casas de milhões de euros,nem muitos milhares.
    Sinto que sou insultada todos os dias, mas também considero que esta classe de politicos medíocres existe por minha culpa,por nossa culpa!!!!
    O Sr Presidente da Republica insulta os Portugueses todos os dias,todos os minutos, só pelo facto de existir. Coletivamente temos memória curta esqueçemos que ele foi o pai das parcerias publico/privadas,foi o responsavél pelo desbaratar dos milhões que entraram diáriamente em Portugal, no período em que foi 1º ministro. Quem ainda se lembra do investimento que um sr chamado Russel, ex marido da Cristina Onassis, veio fazer no Alentejo com os dinheiros da união europeia? Quem se lembra dos hoteis criados nos solares do Douro, cujas obras foram feitas com os dinheiros da CEE, o turismo rural (300 a 500euros por noite) que não era nem nunca foi, os preços praticados sempre foram feitos para não ter hospedes porque turismo rural para inglês ver, era tão somente obras de recuperação pagas com o dinheiro dos outros e são estes os senhores de bem do País.
    Desengane-se quem estiver à espera que o sr Anibal Cavaco Silva cumpra o juramento que fez ao tomar posse do cargo que ocupa, cumprir e fazer cumprir a CONSTITUIÇÃO…. a constituição é outra, salvaguardar os interesses dos amigos e correligionarios dos partidos, sim porque os interesses dos partidos estão acima dos interesses da Nação e muito acima dos interesses dos portugueses. os Portugueses só servem para pagar os desgovernos e os tachos dos compadres..

    Sinto-me enganada,roubada e aviltada, mas não me calo,
    não posso permitir que me digam que para viver tenho que sair do meu País.

  5. Fernando says:

    Levamos muitas décadas a descansar a’ sombra duma azinheira (…)
    Enquanto estivemos nessa letargia, houve quem “secasse” tudo a’ nossa volta.
    Agora, que o povo português acordou, deu conta que afinal a “azinheira” não o defendeu das intempéries políticas. Foi apenas um assobiar de cobras cascavéis que adormeceu o povo. O desleixo e a ingenuidade tem os seus custos, que o povo agora terá de pagar.
    As datas de 15 e 21 de Setembro ( outras), tem que se repetir tantas vezes quantas necessárias. E vão ser precisas muitas ate’ que a classe política saiba que a azinheira secou, morreu! Em seu lugar nasceu um cacto sem utilidade alguma mas com muitos espinhos.
    Deixem de andar acorrentados ou hipotecados a partidos políticos, centrais sindicais ou grupos de pressão. Manifestem-se sempre que coletivamente algo não seja favorável ao povo.
    Forcem os políticos a deixar que seja o povo a eleger – livremente- os seus representantes. E não os partidos políticos a impor ao povo quem os ira’ representar.
    E tão mal representados que no’s temos sido!
    Portugal e’ de todos aqueles que saibam e queiram honra-lo.

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