O afro-americano reeleito Presidente dos EUA

Não consigo deixar de comentar que, finalmente, temos um afro-americano a governar o denominado país mais poderoso do mundo, reeleito pela sua sabedoria no mando. Não apenas o governara bem, mas o fez tão bem, que ganhou o Prémio Nobel da Paz em 2009 e acabou com a vida do terrorista mais agressivo do mundo, Ossama-Bin-Laden e o seu grupo Al-Queda conseguiu impor a paz no Golfo Pérsico e confrontou crises económicas, temporais devastadores, ultrapassou a crise da falta de emprego, que foi reeleito Presidente do país denominado mais poderoso do mundo. Mais poderoso porque tem invadido os países onde a política é perigosa para os governantes norte-americanos, entra sem pedir licença, mata ou manda matar sem perguntar, desvia o petróleo oriental para seu benefício, assassina aos líderes nacionais que não gosta ou que não são convenientes para os seus interesses.

Desde George Washington a George Walker Bush os Estados Unidos da América já tiveram 43 presidentes da república, sendo Barack Obama o 44º e, hoje, o 45º. Filho de migrantes e neto de escravos. Do todos esse Presidentes, quatro deles foram assassinados (Abraham Lincoln em 1865, James Garfield em 1881, 4 meses após a sua eleição, William McKinley em 1901 e John Kennedy em 1963), quatro deles foram alvo de atentados (Andrew Jackson, Harry Truman, Gerald Ford e Ronald Reagan). O mais doloroso foi o de JF Kennedy, a 22 de Novembro de 1963: queria acabar uma guerra injusta, conveniente para os vendedores de armas dos Estados Unidos, no Vietname; antes de assinar o pedido dirigido ao Congresso para acabar esse trágico ataque a um país invadido, aconteceu um disfarçado golpe de estado e o jovem presidente morreu. Como mais tarde foram mortos o seu irmão Robert, candidato à Presidência, e o Reverendo Martin Luther King, esse que teve o sonho de sermos todos iguais. À distância assassinam Presidentes legalmente eleitos, como Salvador Allende no Chile; ou, simplesmente, ameaçam e matam com aviões, ou, ainda, instalam uma cadeia denominada base da Baia de Guantánamo, contra o seu arqui-inimigo, o libertador de Cuba, Fidel Castro, base acabada por Barack Obama. Os governantes dos Estados Unidos da América entram noutros países como Pedro em casa. Até ao último mandato de Bush, os americanos, como são geralmente denominados, enviaram forças armadas, especialmente de elite, o Corpo dos Marines, rama especializada e paralela do exército regular, treinadas para matar em todas as guerras que esse país começa. Até hoje, é possível entender que as invasões são ideológicas ou por ambição de “americanizar” fontes de ingresso económico, em benefício de poucos. De poucos que enriquecem e permitem enriquecer a nação. Até hoje, o Estado Americano tem usufruído com guerras que matam, ironicamente denominadas de pacificar. Este deve ser o motivo pelo qual a União Europeia não quer permitir a sua admissão na gestão do Velho Continente (Europa).

Finalmente, um afro-americano muçulmano, Barack Hussein Obama, denominação que, de certeza, ele próprio rejeita, pois, também ele, desde a sua vida académica na faculdade de direito, lutou pela doutrina de Luther King, essa procura da igualdade nacional, esse sermos todos seres humanos, sem importar o credo religioso, a cor da pele, a ascendência ou a ideologia política. Esse muçulmano afro-americano que pela primeira vez governa o denominado país. Estou certo que não adoptará políticas invasoras de outros países, como o seu governo de quatro anos tem demonstrado. Dentro do seu corpo há a vida do pai oriundo do Quénia, da mãe, a antropóloga Ann Dunham, nascida no país que o filho continua a governar.

A árvore genealógica de Barack Obama, é uma salada como a minha. Entendo este tipo de relações. É o encontro de culturas diferentes que, no caso de Obama, foi muito bem organizado pela sua mulher, uma advogada de sucesso, Michelle, que soube resgatar o jovem rebelde estudante das mãos da droga e colaborou com ele na sua formação como Cientista Político, apoiou-o na sua candidatura ao congresso e posteriormente ao senado, como primeiro afro-americano membro desse órgão. Obama é branco e é negro. É do Kansas e é do Quénia. Nasceu no Havai, cresceu na Indonésia, estudou em Los Angeles e Nova Iorque e construiu a sua carreira profissional e política em Chicago. A família mudou para o novo Estado aderido aos Estados Unidos, por motivos políticos, o de Havai. Foi no Havai que soube que tinha um meio-irmão, que hoje em dia vive e trabalha na China.

A vida de Barack Hussein Obama, é a vida de um homem com muitos segredos. Segredos que se têm revelado a pouco e pouco. Como esse de ser muçulmano, ou de ter um meio-irmão nascido de uma paixão. As fontes consultadas, nem sempre de confiança, dizem: o avô de Barack, queniano, maratonista, viajou até à Grécia em 1910 para disputar as olimpíadas. Como, entretanto, a Grécia entrou em guerra com a Turquia as olimpíadas não se realizarem. Mas, o avô de Barack foi recrutado como mercenário para a mencionada guerra e aceitou, pois não queria perder a viagem.

Na Turquia, conheceu uma jovem mulher branca, enfermeira, Madelyn Dunham, que cuidava dos feridos turcos com muito apreço. “Conhecendo-a” no sentido bíblico, descobriu que não se tratava de uma turca, mas sim de uma iraquiana, fugitiva do seu país, que faz fronteira com a Turquia, por causa do ditador do Iraque: seu pai. É dessa relação que advém o nome de Barack Hussein Obama, da etnia Sunita do Iraque. Após a constatação da gravidez da mulher que se tornaria avó de Barack, esperaram o nascimento do filho para recomeçar a vida num lugar distante, longe de toda essa confusão. Então ocorreu a mudança para o Havai. Foi no Havai que as famílias americanas, iraquianas e africanas, se conheceram. Devido a esse encontro, nasceu Barack Hussein Obama. Que em breves dias, inaugura a sua segunda Presidência dos Estados Unidos da América.

Para quê? Essa é a parte interessante.

No Havai, o avô de Barack tornou-se surfista, profissão que, tragicamente, trouxe o luto e a viuvez à avó de Barack. Aos 18 anos, o filho do casal, resolveu pesquisar as origens da sua família. A pesquisa levou-o ao Iraque onde percebeu que a sua mãe era descendente de uma nobre família iraquiana, este facto permitiu-lhe, em pouco tempo, aceder às melhores festas de Bagdad. Foi numa dessas festas que conheceu aquela que viria a ser a mãe de Barack. Ela, filha do ditador do país, Stanley Ann Hussein, jovem e bela mulher, teve uma profunda relação com o jovem queniano, crescido no Havai.

Como resultado dessa paixão, houve a fecundação da jovem. Mas um outro segredo estava guardado para o jovem queniano havaiano: a sua mãe havia deixado para trás um outro filho, que ficou aos cuidados da família Laden. Em homenagem ao seu meio-irmão Osama Bin Laden, sem relação com quem o procurado e já morto terrorista Osama Bin Laden, o pai de Barack decidiu nomear o seu próprio filho em alusão ao tio. Assim, oito, nove meses depois, de volta ao Havai, casaram-se. Ambos com 18 anos. Em 4 de Agosto de 1961 nasceu Barack Hussein Osama, o futuro presidente dos Estados Unidos.

Dizem por ai que, uma vez Presidente, Barack deverá confrontar Hugo Chávez da Venezuela e Mahmoud Ahmadinejad do Irão. O entusiasmo de ter um afro-americano na presidência do país mais forte do mundo, começa a ser especulativo. Pergunto-me: não será que o entusiasmo se deve ao facto de ter um membro da classe trabalhadora, escrava até 1873, eleito presidente? O que sabemos dos seus planos económicos e pacifistas? O que sabemos sobre o confronto com o seu staff americano branco? E o povo? É preciso ouvir a sua declaração na tomada de posse, para sabermos se os seus planos correspondem ao que mundo dele espera!

No entanto, é bom lembrar que após a sua retomada de posse, vai reunir com a sua equipa. Pela frente teve problemas (graves) a resolver: o terrorismo de Al-Qaeda e de esse outro não parente Osama Bin Laden, que soube defender; a crise económica que faz dos americanos pessoas mais pobres do que eram, e o confronto, antes de mais, com o programa educativo, essa (má) herança deixada pelo neoliberalismo de Milton Freedman. A sua ideia continua a ser a de unificar a educação, abrir as portas a todos, a adultos e crianças, até porque os seus eleitores, a maior parte de origem estrangeira, não sabem falar o inglês dos Estados Unidos, o mastigam. Mas, como referi antes, é preciso esperar pelo seu discurso inaugural da sua segunda presidência, porque como ele próprio já afirmou enquanto não montar o cavalo, não ando e consequentemente não falo. Vê-se bem que é um homem de segredos.

A nossa esperança está em ser um sucessor de Martin Luther King, que costumava dizer: O amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo, ou: O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor.

Para além de frases como estas, acrescento: Finalmente! Finalmente um afroamericano descendente de escravos Governa o País anteriormente esclavagista. A tarefa que Obama tem pela frente é pesada. Cá estamos nós para colaborar. Como indivíduos e como analistas.

Raúl Iturra

7 de Novembro de 2012.

lautaro@netcabo.pt

Comments

  1. Pedro says:

    Bom texto… mas segundo o wikipedia, a base de guantanamo não fechou. E discordo que a morte de Bin Laden tenha sido positiva.

  2. Raul Iturra says:

    Obrigado, Pedro, pelo comentário e pela paciência de ler um texto meu e pelo comentário. Eu não confiava muito na Wikipedia, tem muitos erros que eu próprio corrijo e aviso a o coordenador. Quanto a morte de Bin Laden, concordo. Ele estava a atacar o inimigo, como as duas torres gémeas. Nem Obama teria dado essa ordem, mas sim a CIA. Na escrita entusiasta até esquecemos pontos chaves. Acordei às 6, a melhor hora para escrever, o meu entusiasmo fervia! Devo fazer como Descartes: cogito, ergo sum -penso, pelo que sei que existo. Num próximo texto vou corrigir o erro. Obrigado
    Raul Iturra
    lautaro@netcabo.pt

  3. Maquiavel says:

    Qual “afro-americano” qual carapuça.
    É negro. E com muita honra.

    Quem inventou a porcaria do “politicamente correcto” era um frustrado.

    • xico says:

      É tão negro como branco. Por isso é mulato! Com honra ou não, que as raças não são coisas de que nos devemos honrar ou orgulhar, senão é racismo.

      • Maquiavel says:

        Pois, em verdade é mulato, tanto a mäe como os avós säo brancos como a cal da parede.
        Mas no caso o que interessa é deixar de “politicocorrectices”.
        Até porque… um americano branco filho de pais brancos provindos da África do Sul… porque näo é “afro-americano”???

  4. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Creio que as eleições de ontem mostram bem que por mais que os presidentes dos USA “mandem e sejam os mais poderosos do mundo”. o certo é que mandam o que lhes permitem mandar na medida em que até precisam de um “simbolo do poder” e com rosto, poder que é bem regido sabe-se lá por quem (pensa-se saber que são -banca-CIA-os falcões” ++ etc – há bastanytes anos – fim dos 70, vi um filme no S.Jorge que não recordo o nome, sobre os USA e quem manda – afinal o presidente não era mais do que uma marionette e não creio que algo tenha mudado nestes 50 anos – quanto ao 11 setembro vi na TV vários programas em relato directo por homens que se diziam ter sido da CIA bem como de um bombeiro que estava fardado de amarelo – são versões tão opostas e conraditórias que – que o quê ?? apenas que – “parecido” com relvas que manda em cuelho em versão “mini” e não só pois que a banca é banca e não desabanca + etc – E cá andamos na santa ilusão de contrubuir para – Não sei mas vou-me deixando iludir porque não tenho alternativa a não ser a minha própria idéia de – idéia de – utopia de —

  5. xico says:

    Permita-me discordar em absoluto. Desde logo com a frase de que é descendente de escravos. Foi precisamente o contrário que foi sublinhado na sua 1ª eleição, a de não ser descendente de escravos. A raiz negra e africana provém do pai que era cidadão de um país africano e não dos antigos escravos americanos.
    Em termos de política externa no que diz respeito a entrar sem licença nos países dos outros e matar os líderes de que não gosta, onde é que o senhor vive? Então não viu os que são mortos com equipamento telecomandado que se introduz sem autorização nos países dos outros e matam sem dar oportunidade a julgamento? Obama é uma completa fraude. Berlusconi, que não é grande exemplo, foi no entanto quem o definiu melhor: um rapaz moreno bonito. Nada mais. Ontem não ganhou as eleições. O seu adversário é que as perdeu. O povo votou no mal menor.

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