A vingança serve-se fria

E pronto, lá passou o orçamento para credores e outros clientes verem, com o voto daqueles poucos portugueses que nem imaginam como é a vida verdadeira dos outros portugueses todos, a quem dedicaram um caderno de encargos para o Estado que a realidade se encarregará de mostrar irrealizável. Do alto da sua altaneira retórica, investido pela missão suprema dos salvadores das pátrias falidas, o mestre-de-obras está satisfeito: mais uma vitória contra essa gente de coração maioritariamente socialista [e não disse PS], habituada a viver com o que constantemente deve, como se isso fosse muito natural, como se a boa vida fosse alguma vez para todos. Tomem e embrulhem. Já se tinham acabado os empregos, os filhinhos todos a estudar para doutores, os carrinhos novos de tantos em tantos anos e as férias nos brasis – agora acabou-se também tudo o resto. É assim, de vez em quando há um mundo que se acaba. Tomem e embrulhem este mundo novo que vos damos. E agora virem-se.

E a visão daquelas pessoas no parlamento da República (e disse República), a votar disciplinadamente contra o povo, será inesquecível para muitos. Carrascos, sim, como dizia uma senhora para a tevê, pais refundadores mauzões a sovar os filhos e a mandá-los para a morte, ou então para a pátria exógena de onde eles próprios vieram pela mão dos pais, com guia de marcha rápida, a trote da descolonização do Soares. Carrascos sim, cheios de raiva antiga no esquecimento, e ali chegados graças ao Sócrates dos computadores para todos e das escolas novas de que não precisávamos – e graças, também, aos CDSs das coligações com todos e a essa imensa maioria de abstencionistas que não querem saber da política.

E no final, Gaspar a passar a mão pelo pêlo dos dirigentes do PS: cuidado com os radicais da vossa paróquia que a gente ainda tem uns assuntos para resolver juntos. E depois o inaceitável e habitual compromisso cobarde do rapaz Seguro: isso da Constituição é com o senhor presidente.

A queda de outro mito

Afinal havia dinheiro para salários antes da troika…

Quem chora assim

não é um boy! Aposto! E subscrevo – estes gajos não nos representam!

Isabel Moreira, mais uma vez, exemplar

Isabel Moreira acaba de publicar dois documentos que merecem a nossa atenção e o meu aplauso:

– No seu perfil do Face, um nota sobre o voto favorável à excelente proposta do BE de fornecer o pequeno almoço nas escolas – ironia das ironias, o debate foi feito com João Grancho:

A maioria parlamentar chumbou a proposta do Bloco de Esquerda (BE) para que as crianças de famílias em dificuldades possam aceder ao pequeno-almoço escolar. A deputada Isabel Moreira, do PS, votou a favor, acabando por ir contra a orientação do próprio partido.

A votação da proposta do Bloco de Esquerda foi alvo de acesa discussão com as bancadas da maioria e o secretário de Estado do Ensino Básico, João Grancho. No final, a medida acabou por ser chumbada com os votos contra do PSD e CDS-PP e a abstenção do PS.

Ana Drago, do BE, defendeu as premissas da proposta. “Permitam às famílias que inscrevam os seus filhos de acordo com o que é o entendimento das suas próprias dificuldades. Criem recursos que envolvam as famílias. Se tal não for feito, o programa vai continuar a falhar”, afirmou a deputada.
No aspirinaB, um apontamento temporal ao marido da Maria e à maioria que já não o suporta.

A vida não está fácil para os liberais

Carlos Guimarães Pinto insurgiu-se e sobe agora a Montanha de Sísifo.

 

Hoje é o dia da votação do orçamento de Estado

 

Se orçamento do Estado Português for votado hoje e a maioria ganha a sua aprovação, estamos condenados. Vamos perder subsídios, escolas, emprego, assistência à saúde, os novos profissionais vão continuar na emigração, haverá um vazio profissional de uma geração, a polícia vai perder membros, as farmácias não serão fornecidas com remédios, hospitais vão ser encerrados e mais pedras de rua serão atiradas a Assembleia da República. Tenho a impressão que será o diluvio universal.

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A boa ordem

“Nos exércitos, marinhas, cidades, ou famílias, na própria natureza, nada relaxa mais a boa ordem do que a miséria”.

Disse-o Herman Melville, na sua novela mal-amada, Benito Cereno, aquela em que se conta a história de um navio negreiro amotinado.

Reforçam-se as grades, multiplicam-se as câmaras de vigilância, recompensam-se as forças de segurança, silencia-se ou compra-se a imprensa, intimidam-se as vozes ainda livres, rectificam-se as leis, agudizam-se as penas. Mas nada trava o caos porque a boa ordem vai-se relaxando na exacta medida em que a miséria alastra.

Por esta altura, seria de esperar que a lição já tivesse sido aprendida: é a justiça social, e não a repressão, a única força capaz de apaziguar a indignação de um povo.

Paraíso dos Gatos!


50 fotos de gatos japoneses.

Da Opinião Ordinária, Insidiosa e Habitual

Hoje é dia de mais opinião ordinária e habitual. Ordinária, porque finge que nasceu ontem. Habitual, porque é palavra de donos disto, arrogados donos morais e institucionais disto-Portugal. Só os que se concebam donos do Regime, como Soares, se alarmam sobremaneira com o confisco que lhes sucedeu impensável também a eles: cansativamente, pronunciam-se sobre a Europa, sobre o País, mas o País suporta mal quer o Fisco Brutal quer o trajecto sanguessuga desses pais e herdeiros imorais do Regime. Ordinária, porque não disfarça os seus intentos pessoalíssimos, a busca na secretaria «Demetir, demetir e demetir!» da desesperada reversão dos prejuízos causados pelo recuo governamental dos apoios à Fundação. Habitual, porque o rei intocável, jarra melindrosa do Regime, não se enxerga: olho para o crepuscular Mário Soares e penso no Dâmaso Salcede que Eça pintou: a mesma figura, a mesma ridícula obsessão por si mesmo inexistente e pelos modelos estrangeiros, mas que nem em França hoje encontram guarida e defensor. [Read more…]

A valsa dos impérios

China pode estar interessada na base das Lajes.

Sindicatos de Professores – eleições directas para mesas negociais

O Sindicalismo em Portugal, como em muitos outros países europeus, vive momentos delicados.

Num contexto em que o papel dos Sindicatos é questionado em permanência, no meio deste tsunami social em que intencionalmente nos colocaram, os trabalhadores também sentem a importância do Sindicato, nem que seja como a última porta a bater depois de todas as outras se terem fechado.

No caso dos Professores há um problema de base que complica tudo – são mais de dez as estruturas sindicais que representam a classe. Existe a FENPROF, liderada por Mário Nogueira e que representa mais professores que todos os outros juntos, mas depois, entre os sindicatos mais pequenos contam-se mais de uma dezena de estruturas.

Maria de Lurdes Rodrigues  (página 11) for responsável pelo primeiro processo de aferição da representatividade sindical para distribuição dos tempos que poderiam ser usados pelos professores para a actividade sindical. Nessa altura, quando havia mais de 1200 dirigentes sindicais a tempo inteiro, a FENPROF tinha 15%. Quando o número foi reduzido para 450,  a FENPROF subiu para os 40% (180 dirigentes) e finalmente, em 2006, foram-lhe atribuídos 146 de 300.

A minha pergunta é simples: a quem interessa esta aparente divisão? [Read more…]

Eduardo Lourenço, Vasco Pulido Valente e eu

    
Não é todos os dias que temos no PÚBLICO a opinião de Eduardo Lourenço, vulto da cultura portuguesa, intelectual de primeira, filósofo respeitado. Mas do seu texto «Da não-Europa» (sobre o futuro da UE), publicado no passado dia 24 e redigido em Vence (França), onde vive a maior parte do tempo, eu percebi muito pouco, quase nada. Ficou-me apenas a ideia de que a Inglaterra tem, para além de outros adjectivos, o de ser “uma super-nação”.
Fiquei desiludida por não conseguir acompanhar o seu racionício. Falou-me numa outra «língua» a que não tenho acesso pela minha humilde formação.
Que pena, pensei. Que ignorante me fiz. Um desperdício: Eduardo Lourenço escreveu no PÚBLICO e eu não aproveitei : “Frankenstein histórico que é hoje a União Europeia “; “nada que se pareça com o sonho para ela “demoníaco” de Jean Monet verá a luz do dia”; “E estaríamos agora a viver — quem sabe — uma  pax britannica numa Europa predestinada desde os tempos de César aos divinos filhos de Albion… “; “uma Europa onde não triunfem apenas instâncias obscuras sem outra ideologia que a da gestão do “ouro do Reno” wagneriano, convertido em deus do coração humano”; etc. Lindo, mas não percebo nada!! [Read more…]

Alunos ainda sem professor

E o melhor de Nuno Crato continua a chegar à Escola Pública!

Claro que tudo isto agrada ao Primeiro-Ministro Vitor Gaspar e ao seu adjunto, Pedro Passos Coelho – sempre são uns milhares do lado da d-e-s-p-e-s-a…

Já sei que vão ler isto como o discurso do sindicalista e blá, blá, blá

Mas, pelo menos por uma só vez dediquem  um bocadinho do vosso tempo a olhar para o essencial – Nuno Crato inventou uma nova forma de colocar Professores. Qual é o resultado?

Chegamos ao fim de Novembro e ainda há professores por colocar – deixo-vos um exemplo para não vos incomodar com casos pessoais .

Admito que possam, neste momento, estar a pensar que a culpa é das Escolas ou dos professores – uns porque não desenvolvem os procedimentos mais correctos e outros porque não querem trabalhar! Errado!

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Tudo preparado para a Manif

É agora mesmo em frente ao Parlamento.

por Henrique Monteiro.

O devir histórico (5)

Continuando.

Ao longo da nossa história, a preocupação da posse e exibição de um título, de um sinal distintivo em relação aos demais, ou pelo menos à maioria, tornou-se um culto. Uma obsessão. Começou pelos títulos nobiliárquicos e desaguou-se nos académicos. De Terratenente, a Conde, até Doutor ou Engenheiro. Um fio condutor ao longo de séculos: destaque social. E se após a Revolução de Abril, a disseminação de licenciaturas fez perder o valor social dos títulos académicos, tal não foi o suficiente para não se fazer de tudo para se ter o “almejado” canudo: fosse a obter licenciaturas ao domingo ou por equivalências. Porque tal título continua a investir o portador numa espécie de distinção social. Aliás, somos, em bom rigor, o único país da Europa onde se trata as pessoas pelo título académico. Não importa o mérito das pessoas, a sua acção ou papel social. Aliás, nem o nome. Pois que é corrente tratar-se alguém por “senhor doutor” que nos foi apresentado como sendo o “senhor doutor”, e nem se chegar a saber qual o nome da pessoa em causa. Tal lusa excentricidade, só tem paralelo essa outra lusa tradição parola de se tratar pelo primeiro nome precedido do título: “o doutor Carlos”, o “engenheiro Manuel” ou o “arquitecto Francisco”. Também, infeliz caso único na Europa. Neste país o nome de família não vale nada. Vale, sim, o primeiro nome. Principalmente se precedido de um título académico. Mesmo que falso, pois trata-se por “doutor” quem é apenas licenciado. Saltando-se, até, por cima do mestrado, aliás banalizado com o Processo de Bolonha. Como banalizado está o ensino em geral, onde se perde mais tempo com a avaliação dos professores do que com a avaliação dos alunos. Onde o mérito parece extinto. E é neste país, obcecado com títulos académicos, que, agora, se aponta a fronteira, como caminho a quem gastou recursos ao Estado e à família para se formar. Corolário da falência mental a que se chegou, que é a razão primeira da nossa crise.

Coimbra,1969, os fascistas


28 de Maio: “Assembleia Magna que decidiu a greve. Votação “contra” – 190 votos.” Onde estão?

Imagem Secção Fotográfica da AAC.

“Pretendemos recrutar Fotógrafo Amador”

“Perfil

– Experiência razoável em fotografia;
– Possuir equipamento fotográfico digital, com a possibilidade de inserção de cartão de memória (a ser fornecido);
– Boa Apresentação e Simpatia;
– Dinâmico;
– Bom relacionamento interpessoal;
– Disponibilidade total para o dia do evento, bem como possuir meio de deslocação próprio, para acompanhar a empresa nas diversas actividades (+/- 5km de distância entre as actividades);”

ps: tenho uma máquina destas. Como sou “amador”, dá para a inserção de cartão de memória”?

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