Falta uma semana…

Espalhar panos negros por aí, andar de luto, chamar-lhe nomes, e para quem tenha oportunidade: a uma senhora não se bate nem com uma flor, a esta manda-se o vaso pelo lado da base, para não estragar a planta.

 

A Grécia já refundou o estado

Agora os gregos que perdem seus empregos recebem benefícios pelo prazo máximo de um ano. Depois disso, se não puderem pagar a conta, eles ficam por conta própria, obrigados a arcar com seus próprios custos de saúde.

Veja as consequências

A televisão que nos tiraram

Luís António Santos, investigador no CECS – Universidade do Minho

Na pequena localidade onde costumo passar parte dos meus tempos de descanso, numa zona interior do distrito de Braga, há uma senhora de idade que, nos últimos meses, adotou uma nova rotina de vida. Depois de jantar, todas as noites, a Srª Augusta, lá arruma a cozinha, veste um agasalho, fecha a porta e percorre a pé umas quantas dezenas de metros a caminho da casa da vizinha para ver televisão.
Antes que surja a dúvida, não, este não é um qualquer texto repescado de um jornal da década de 1970. Hoje, em 2012, apesar de lhe terem vendido (no sentido figurado, mas também no sentido mais concreto) as “maravilhas” do novo serviço de TDT, a Srª Augusta, está mais mal servida do que estava antes.
O país, que somos todos nós, não devia ter permitido que isto acontecesse, sobretudo a pessoas como ela. Mas permitiu. Permitiu o país político – com responsabilidades repartidas por igual entre os dois principais partidos do chamado “arco da governação” – e permitiu quem, em nosso nome, tinha por missão principal assegurar que a (natural) ambição de uma empresa monopolista não se sobrepusesse ao interesse comum.
A Srª Augusta não está sozinha nesta sua mudança de rotinas. Está, aliás, na companhia de muita e muita gente a quem não adianta coisa nenhuma ouvir os responsáveis da ANACOM dizer que tudo foi feito dentro do estrito cumprimento da lei.
Isso sabe ela, coitada. E sabe também que as leis, “são eles que as fazem, para melhor se governarem”.
Que a Srª Augusta pode ser analfabeta, mas é “bem fina”, como só mulheres da sua idade conseguem ser.
O processo de implementação da TDT em Portugal foi um embuste social. E teve – na elaboração das leis, dos regulamentos, dos concursos, das adjudicações e das alterações subsequentes – a cumplicidade de dois grandes partidos com enormes responsabilidades. Tudo aconteceu como estava previsto. Mas tudo aconteceu da pior forma (do ponto de vista do planeamento da oferta, das responsabilidades financeiras pela transição e da negociação do que ficou a “sobrar” no espectro).
Há dias, uma tese de Doutoramento defendida na Universidade do Minho provou isto mesmo; provou, no fundo, o que a Srª Augusta sabe há muito.
Mas, em vez de ter despoletado reações de políticos ou de entidades com responsabilidade na investigação despoletou – por parte da empresa beneficiada, a PT, e só depois por parte da entidade reguladora – ameaças de processo crime contra o autor do detalhado estudo.
Dizer que ‘o rei vai nú’ ainda é muito difícil em Portugal. Deve ser porque somos uma ‘democracia jovem’. Só pode.
A Srª Augusta lá resolveu o seu problema da melhor forma que soube – sem a ajuda do Estado, como se habituou a fazer durante toda a vida.

Texto publicado originalmente aquiPetição pela liberdade de investigação académica.

Vinculação Extraordinária – parece que adivinhei!

Hoje foi dia de Negociações no MEC, ou antes, foi dia de reuniões.

Pela manhã escrevi que:

O concurso pode ter as regras mais fantásticas, pode permitir a milhares (muitos, talvez 50 mil!) a apresentação a concurso, mas se não existirem vagas, para que serve o concurso?

Parece que foi em cheio – o MEC vai permitir que todos (ou quase) concorram, mas, pequeno detalhe – continua a não anunciar as vagas.

Já sabemos quem vai poder bater à porta, mas continuamos sem saber quem vai poder entrar.

Assassinos a soldo matam cidadãos cancerosos na Grécia

De acordo com esta notícia, há uma rede clandestina de médicos na Grécia que trata de cidadãos – a palavra “doentes” é redutora – que, sofrendo de cancro, não têm direito a tratamento, porque não têm seguro de saúde.

Esta situação configura aquilo a que se pode chamar americanização do sistema de saúde grego e é uma parte do processo de privatização do mundo ocidental, em nome de ideologia nenhuma. É tudo comércio e é garantido que a Roma de hoje pagará a traidores.

Em Portugal, temos, também, um governo de cínicos que anda a vender a ideia de que os problemas económicos do país se devem às despesas do Estado Social, fazendo de conta que não sabem que a governação tem sido um constante desvio de dinheiros públicos, gastos em favores privados.

Mesmo que este fosse um problema exclusivamente grego, nunca deveria ser um problema exclusivamente grego, porque temos de ser maiores dos que as bestas iluminadas que se limitam a dizer que “não somos a Grécia”. A verdade é que somos muito parecidos com os gregos, uma vez que temos no governo gente como Samaras e, tal como os gregos, já começámos a perder direito à Saúde, entre outros alegados privilégios garantidos por uma Constituição cada vez mais ameaçada.

Ao negar tratamento a cidadãos que têm cancro, o governo grego está a garantir que morrem. Não há eufemismos possíveis: é homicídio. Os governantes gregos são assassinos a soldo, porque estão a ser pagos para matar.

Somos a Grécia, não tarda nada.

Não morreu, mas podia ter existido

Giorgios Kornakkis (1917-2012). Esta entrada, puro situacionismo com navalhada e tudo, os estivadores bem a merecem. Saia petardo.

Mulheres que nunca perderam um filho

porque a taxa de mortalidade infantil era tão alta como baixa a dívida pública. Ah, os filhos dos pobres não têm importância.

A população de portugal diminue, como também amar

 

Longe de mim alarmar a população de Portugal. Mas as estatísticas reveladas hoje pela imprensa dizem que a população de Portugal começa a diminuir. Há três motivos, no meu ver: o primeiro, a falta de futuro dentro do país: o segundo, não há dinheiro para comer, menos ainda para pagar um parto e alimentar mais uma boca, finalmente, essa falta de futuro leva o povo a emigrar, especialmente os profissionais mais novos que não têm colocação em sítio nenhum. A licença pela que tanto lutaram é

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Ser caso único

Conheci a história (do caraças) de Henrique Ferreira através do JN (de ontem).

O empresário é o único caso de «Fetus in fetu» (FIF) conhecido em Portugal. A FIF é uma condição patológica muito rara “que consiste no desenvolvimento  de um embrião ou feto dentro do corpo de outro feto”. “Uma anomalia tão rara que não está inscrita nos portais de referência de doenças raras”.

São apenas 100, os casos documentados no Mundo inteiro.

Henrique é o único caso conhecido no nosso país. Sofreu muito em criança: sentiu raiva por ser diferente. Foi operado há 25 anos nos EUA, mas ainda hoje fala com mágoa desse tempo de dissabores…

Partilho a sua lição de vida:

quando se tem um objectivo na vida, é preciso ter paciência e saber esperar e tudo se resolve. (…) Nada acontece por acaso.

Por que é que eu faço desta história um post? Porque estes casos de vida fazem-me ver que como sou sortuda e que me queixo de ter vida fácil.  O que são os meus pequenos complexos ou problemas, comparados aos que Henrique teve?  E porque gosto muito daquela frase «Nada acontece por acaso».

E se for austeridade fofinha?

«O PS opõe-se à política do Governo de austeridade excessiva», escreveu Seguro na carta. Depreende-se que exista uma dose certa de austeridade e à qual o PS não se opõe. Vai até onde? Cortar um salário é excessivo? E se for fechar centros de saúde, é demais? E aumentar impostos, pode ser? Até onde? Mais uns PEC, serve?

E já agora, como é que o PS espera cumprir o memorando que assinou? Lavar as mãos com a água da austeridade fofinha é tão fácil!

Nuno Crato prepara mais despedimentos de professores

O interesse que os responsáveis governativos mostram pelo ensino profissional releva de uma visão distorcida da Educação. Antes de mais, o ensino profissional é visto como uma alternativa para os alunos que revelam dificuldades. Assim, por um lado, desvaloriza-se o ensino profissional como verdadeira escolha e, por outro, o Estado demite-se de acompanhar os alunos com dificuldades, o que implicaria, é claro, verdadeiro investimento na Educação.

É, também, nesse contexto, que se insere a ida de Nuno Crato à Alemanha para conhecer o sistema dual, que, aliás, já tem ramificações em Portugal. Para além disso, no entanto, desconfio de que esse sistema contém verdadeiras potencialidades no âmbito da actividade preferida do Ministério da Educação: despedir professores. Efectivamente, o facto de uma boa parte da formação ser feita em empresas, em contexto de trabalho, poderá constituir uma oportunidade para afastar mais técnicos e professores das escolas, ao mesmo tempo que poderá ser um modo de, através de uma variante das parcerias público-privadas, colocar mais alguns dinheiros públicos nas mãos dos privados.

Pode ser que me engane. Pode ser que nos enganem.

O experimentalismo e bitaitismo do governo

A ler sobre essa vontade pavloviana de se arranjar uma nova prateleira dourada para uns quantos boys. Fala-se em novo empregadoiro e até salivam.

Acho que vamos ver ca u teren por pouco tempo

Perder é a norma do Sporting, mesmo após uma chicotada psicológica, mas dizer que os jogadores não têm qualidade é mesmo para quem quer sair em breve pela mesma porta por onde entrou. Não chega ao fim da época.

Portugal na segunda metade do século XIX

Eis a última unidade do programa do 8.º ano de História e o último filme desta série. É raro conseguir leccionar esta unidade, ainda por cima quando se dispõe apenas de uma aula semanal de 90 minutos. Mesmo assim, aqui fica um breve rettrato do Portugal da segunda metade do século XIX. A difícil industrialiação e o papel de Fontes Pereira de Melo.
Venha o 9.º ano.

Da série Filmes para o 8.º ano de História
Tema 8 – A civilização industrial no século XIX
Unidade 8.2. – Os países de difícil industrialização: O caso português

Vinculação Extraordinária – negociações com o MEC

Parece mentira e se calhar até é, mas enquanto se brinca às negociações alguns andam distraídos e a coisa fica mais folgada.  Do ponto de vista político  faz tanto sentido Nuno Crato meter professores nos quadros na actual conjuntura como o som de uma bateria num funeral (confesso que não gosto muito da expressão viola num enterro e à falta de melhor, foi da bateria que me lembrei. Também é verdade que alguém tinha que fugir da regra dos Aventadores e escrever mal, mas enfim…).

A proposta do MEC é apenas uma proposta de normativo legal para um concurso, ou seja, o MEC  está apenas a negociar quem é que pode bater à porta para efectivar. Falta dizer quando e como vai abrir a porta e, mais importante ainda, quem vai poder passar por essa porta.

O concurso pode ter as regras mais fantásticas, pode permitir a milhares (muitos, talvez 50 mil!) a apresentação a concurso, mas se não existirem vagas, para que serve o concurso?

Assim, se Nuno Crato não se quer ficar apenas pelas aparências tem que, no decurso da negociação, apresentar dois números:

– as vagas disponíveis por grupo disciplinar;

– os candidatos em condições de concorrerem a essas vagas.

Sem isto, a negociação é uma mentira!

Carta de Seguro a Passos Coelho

Senhor Primeiro-Ministro
O diálogo político e institucional é uma das marcas identitárias do PS à qual permaneceremos fiéis e da qual não nos afastamos. Se o Primeiro-Ministro convida, formalmente, o PS para uma reunião, o PS não a recusa.

É esta conduta que temos adotado. Continuará a ser esta, em situações normais, a postura do PS no relacionamento com o senhor Presidente da República, como o Governo, com os partidos políticos e com os parceiros sociais. O diálogo é condição para o relacionamento institucional num regime democrático.

Por exclusiva responsabilidade do seu Governo, este diálogo foi praticamente inexistente, com claro prejuízo para o interesse nacional. O PS foi mantido à margem da condução de processos de enorme relevância para o interesse nacional, de que as cinco atualizações do Memorando de Entendimento, o envio para as instituições europeias do Documento de Estratégia Orçamental e o processo de privatizações são exemplos elucidativos. [Read more…]

O PS já esteve neste governo

Nogueira de Brito “Cavaco devia fazer um esforço grande para meter o PS neste governo”

Três é singular?

Três em cada dez lisboetas é obeso, revela estudo

Portugal S.A.

Privatização das bases de dados do estado: a seguir com muita — mas mesmo muita — apreensão.

Mais barata é a tua tia

Anda por aí um conjunto de ignorantes, quase sempre paineleiros com opinião sobre tudo, o que é sinónimo de ignorância sobre todas essas coisas.

Seguindo as indicações do Primeiro Ministro, Passos Coelho lembrou-se de falar em refundação e anda por aí meio mundo a discutir o vocábulo utilizado. Sim, o outro meio está a ver quem tem mais pontos, o Sporting A ou o Sporting B.

Sobre a Educação apareceu por aí uma coisa, a que alguns chamaram estudo, que vinha, segundo eles, mostrar que o Ensino Privado ficava mais barato que o ensino público. Sendo mentira essa conclusão – pelo menos não é isso que se pode concluir do Relatório do Tribunal de Contas, importa apresentar apenas alguns números, disponíveis para consulta no site do MEC.

E avanço apenas com 2:

– no relatório da região Norte, na página 166 podemos consultar os números sobre os docentes que trabalharam em Vila Nova de Gaia entre 2004/05 e 2010/2011. Reparem na linha que se refere ao Ensino Especial, na linha que se refere ao Ensino Privado. Quantos professores tem?

– as Escolas Públicas, em Vila Nova de Gaia, recebem alunos de áreas muito delicadas, nomeadamente de bairros sociais, de comunidade étnicas, etc. Naturalmente os colégios privados do concelho não têm que receber esses alunos. A pergunta que fica é: são precisos mais professores para trabalhar com os alunos mais complicados ou com aqueles a quem até uma vassoura era capaz de ensinar a tabuada?

A relação alunos / professor no Pré-Escolar de Gaia é, comparando Público / privado, 15,9 / 17,4; no 1º ciclo a relação é 16,7 / 18,6 e no 2º ciclo 8,2 / 15,7. Facilmente se percebe que nas escolas públicas há necessariamente mais (e é assim que se responde às dificuldades da Escola Pública) professores a trabalhar do que nas Escolas Privadas.

Será que os papagaios de serviço estariam disponíveis para fazer uma coisa diferente?

Troca por troca.

As Escolas Públicas mandam x alunos para o Privado e estes, em troca, remetem os mesmos x alunos para as Escolas Públicas.

Justo? Ou demagógico?