“Relvistas”

Gosto da expressão: chama a si tudo o que é bom.

Viva a Catalunha, e a República

Viragem à esquerda, descida das direitas. Independência, porque não?

Que autarcas queremos?

As autárquicas já estão a mexer com os partidos políticos e parte desse movimento começa a chegar à esfera pública. No actual quadro social não  me sinto capaz de adivinhar o que vai acontecer daqui a um ano, até porque sou dos que pensam que o Governo vai tentar arrastar o país para uma crise política algures entre o Carnaval e a Páscoa.

De qualquer forma há alguns factos que me parecem certos:

– a agregação de freguesias foi pensada por quem tem o poder e por isso vai, fundamentalmente, diminuir a dispersão partidária;

– os presidentes que podem continuar (sem limitação de mandatos) normalmente ganham as eleições;

– os partidos no poder, especialmente o PSD, serão muito penalizados pelo voto de protesto contra o Governo.

O debate em torno das candidaturas que vierem a ser apresentadas em cada uma das freguesias e em cada um dos concelhos terá como pano de fundo o contexto do país – não poderá ser de outra maneira. Continuarão a ser feitas promessas e haverá candidatos que vão continuar a dizer o que as pessoas querem ouvir. É da natureza da nossa política. Já sabemos que as pessoas estarão sempre primeiro e que agora é que vai ser. Para uns, os que querem ficar no poder, a palavra será continuar. Para outros, os que lá querem chegar, a palavra será mudar. [Read more…]

De Eduardo Cintra Torres

A cilada dos relvistas para controlar a informação.

Educação: as prioridades do Governo

Com o ano lectivo a chegar ao fim do primeiro terço, Nuno Crato quer proceder à criação de mais mega-agrupamentos, o que implica alterações na organização e na gestão dos estabelecimentos de ensino que forem sujeitos a essas medidas.

Nuno Crato, com a desfaçatez dos insensíveis, terá declarado que isso não provocará “perturbação no funcionamento” das escolas.

Concorde-se ou não com a criação dos mega-agrupamentos, a verdade é que as escolas têm um ritmo próprio e a preparação de um ano lectivo deve fazer-se com a maior antecedência possível, para bem de toda a comunidade educativa. A alteração profunda que implica a criação destes novos agrupamentos deveria obrigar à sua preparação com cerca de um ano de antecedência, o que não tem acontecido.

Por maioria de razão, é completamente absurdo proceder a alterações deste calibre, enquanto está a decorrer um ano lectivo. É evidente que Nuno Crato não ignora nada disto, mas já se percebeu que a Educação não faz parte das suas preocupações.

Entretanto, há cada vez mais notícias de crianças que passam fome, o que não impede o governo de continuar a fazer cortes, também sob a forma da criação de mega-agrupamentos. No fundo, é uma questão de coerência: um governo que não se preocupa sequer com a simples sobrevivência das pessoas não poderia ter a Educação ou a Saúde como prioridades.

Sócrates com queimaduras de terceiro grau no nariz

‘Pinóquio’: Afinal mentir altera mesmo o nariz

Mulheres no Aventar

Corro o risco de ser politicamente incorrecto, mas vou procurar escrever sobre algo que, admito, poderá não ser motivo para um texto – as mulheres no Aventar.

Não há qualquer tipo de novidade na presença feminina na web, mas parece-me que há ainda uma relação muito desigual entre os dois géneros, ou não?

Nas últimas semanas temos tido a felicidade de ver entrar na nossa equipa alguns novos aventadores, todos eles a escrever no feminino. Não creio ter havido por cá uma negociação em torno da paridade que até se encontra legislada  – esta Lei  de Agosto de 2006 vem estabelecer

“que as listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as autarquias locais são compostas de modo a assegurar a representação mínima de 33% de cada um dos sexos.”

E a nova realidade do Aventar levou-me a pensar de que modo está ou não mais igual a participação das Mulheres na nossa sociedade, no  seu sentido mais amplo. Será que hoje a Mulher saiu realmente do espaço doméstico para o espaço público? Será que faz algum sentido discutir esta temática?

Há quem ache que sim: Sofia Silva apresenta na sua Tese de Mestrado um estudo nesta área e procura pensar a relação entre as vidas pessoais e profissionais sob o ponto de vista feminino.

Em diferentes espaços sociais tenho percebido que é menos fácil a participação das mulheres – nas associações de pais, nos clubes e associações, nos sindicatos, nos partidos…

Que factores concorrem para essa realidade?

Lá está, o costume! Escrevi, escrevi e não disse nada… Confesso que tinha uma ideia na cabeça quando comecei, mas com o percurso dos dedos no teclado fui-me afastando e já não consigo regressar…

Sejam bem-vindas.

O Relvas era menino

para fazer as 24h de Le Mans em 15 minutos.

O Sporting a minimizar estragos?

Godinho Lopes disponibiliza equipa para ajudar a minimizar estragos do tornado no Algarve

Lá temos de voltar à clandestinidade

Uma juíza entende que os acusados (entre as dezenas de detidos) no dia 14 de Novembro “devem ser investigados por suspeitas de actuação em ‘grupo organizado’ e prática de crimes contra o Estado de direito e a paz pública.” Mas o melhor desta fuga de informação para o Sol vem a seguir:

a PSP apreendeu uma máscara de plástico relacionada, segundo a PSP, com «filmes subversivos de derrube do poder instaurado»

Tenho uma certa desconfiança de que se referem a isto:

Ora se se andam a escrever em pidês, alguém tem de ser imediatamente processado: ou a RTP e a distribuidora do filme em Portugal, ou o autor da acusação.  V de Vendetta pode assustar um certo tipo de gente, logo no seu início:

Um homem pode morrer, lutar, falhar, até mesmo ser esquecido, mas sua ideia pode modificar o mundo mesmo tendo passado 400 anos.

Não se pode é modificar a realidade.

Um bocado de verdade sobre o 25 de Novembro

Contado por Varela Gomes. Obrigada Helena Matos.

A Internet entrou na nossa vida

Na revista 2 do PÚBLICO de hoje, um artigo sobre como a Internet entrou na nossa vida e como poderá ser daqui a dez anos: a Internet tornou-se num “meio privilegiado de troca de mensagens, partilha pública da vida privada, meio de organização colectiva, instrumento de ajuda à democracia e às ditaduras. Daqui a outros dez anos, ninguém arrisca dizer como será um meio que todos os anos se transforma de forma avassaladora.”

Uma das constatações de especialistas entrevistados pelo PÚBLICO, é que “perdemos a capacidade de afastar as distracções e de sermos pensadores atentos, de nos concentrarmos no nosso raciocínio” ou, dito de outra forma, “está a fazer-nos perder a capacidade de concentração e a tornar-nos menos reflexivos”.

Usamos a Internet para trocar mensagens e para namorar, repara a jornalista em conclusão.

Não é perda de tempo pensarmos nas vantagens e desvantagens da Internet. Eu, por mim, vejo mais prós que contras. A Internet permite, só para dar um exemplo, esta troca de ideias concordantes e discordantes entre os leitores e os autores dos artigos no Aventar. Entre gente que não se conhece pessoalmente mas que, há medida que o tempo passa, ganha o título de «familiar». Sem nos conhecermos, escrevemos «caro»; «cara»; «abraço». Por que fazemos isto?

Os leitores poderão ajudar nesta reflexão!

O fascismo de sempre que nunca mais

Sarah Adamopoulos

«Não fomos nós que escolhemos o tempo para governar. Foi o tempo que nos escolheu.» – Pedro Passos Coelho no congresso do PSD na Madeira hoje mesmo

Uma das palavras de indignação gritadas com angústia e revolta pelos manifestantes no passado dia 14 de Novembro em frente à Assembleia da República foi a que sem demoras acusou de fascismo os governantes que mandaram a polícia bater nas pessoas, e depois persegui-las pelas ruas de Lisboa. Fascistas, chamaram-lhes os manifestantes, horrorizados com as formas da repressão policial que ali aconteceu, enquanto várias emissões em directo faziam do apedrejamento (realizado por dezena e meia de putos revoltados da vida que a polícia poderia ter facilmente detido) e da reacção desproporcionada da polícia o melhor espectáculo mediático a que podiam aspirar naquele dia de protesto.

Estavam certos: vivemos dias de fascismo, com um Estado capturado por um grupo de pessoas sem capacidade política para governar, pois a política é por definição um diálogo, arte que desconhecem – e se dúvidas houvesse bastaria atentar nas múltiplas propostas de alteração ao Orçamento que num ápice esvaziaram de relevância, votando disciplinadamente contra o povo. Fascismo sim, e escusam de vir com as comparações do passado, nas suas formas mais absolutamente duras do século em que vários ditadores entregaram a outros tantos Estados o poder absurdo e criminoso sobre a vida dos cidadãos desses países.

E escusam também de vir com a retórica das inevitabilidades e dos dedos apontados ao PS do nosso descontentamento. Nada nesses argumentos retiram fascismo ao que hoje vemos nas acções do Governo autoritário e repressivo de Pedro Passos Coelho. Não nos representa, e já nem sequer os que votaram neles, porventura acreditando na social-democracia dos PSDs ou na virtuosa cristandade social católica dos CDSs. Não nos representam, e desde logo pelas razões objectivas de um sistema eleitoral que permitiu que fossem eleitos grandemente graças à abstenção – terrível e subvertido benefício para que a sua acção política no passado contribuiu de forma decisiva. [Read more…]

Deus me livre

Telenovelas portuguesas revisitadas em dez andamentos (e um grande sofá)

Um dia contra a violência que nos é familiar

A violência dentro de casa não tem género, embora tenha número e não é pequeno. Não me parece inteligente discriminar se quem leva porrada é gaja, gajo, cota, puto ou mesmo o canídeo: o problema é sempre o mesmo, o cá em casa mando eu, somado ao hábito secular de não se meterem colheres onde se gosta muito de enfiar o ouvido, na velha arte de cuscar e calar.

Estatisticamente as mulheres ainda apanham mais, embora a probabilidade de serem ultrapassadas pelos anciãos e respectivas velhinhas seja elevada, não falando da canalha que, convém lembrar, come bordoada com a legitimidade de muita alma desalmada ainda achar tratar-se de um método educativo,  também apanharam na tromba e só os fez crescer (a violência caseira tem muito de hereditário e fede a cruel vingança, é sabido).

Posto isto, o dia vale a pena e este cartaz é uma prima de uma obra, melhor que o original. O Leonardo, que provavelmente levou do companheiro aprendiz diria o mesmo, aposto singelo, contra um prato de dobrada.

E agora ia eu a ver se dava os créditos ao trabalho e descubro isto: Luís Silva – Portugal. Create4theUN: 2011 United Nations European Ad Competition to Say No to Violence Against Women.

João Tordo fez-me Chorar

Agora mesmo,  a minha mulher chamou-me a atenção para o Conto de Natal de João Tordo, num suplemento do Jornal de Notícias de hoje, Somos Livros. Tinha começado a ler e estava a achar divertido, partilhou. Decidi ler também. Atirei-me ao texto na esteira daquele prazer que cintilava nos olhinhos dela. Éramos os quatro na cozinha. Filhas brincando, pintando, a mais velha a aprender a ler com um puzzle de palavras entre mãos com que formava sucessivas frases. Da narrativa do João não falarei. Quem puder, que a prospecte e a sinta com o corpo todo, num JN junto de si. Do que senti, sim, tenho de falar e já. Não é todos os dias que se chega ao fim de uma leitura com os olhos marejados. E não fui apenas eu. A minha mulher também. Mal terminei, saí da cozinha com a palma das mãos nos olhos. Ela terminou depois de mim e eu vi as suas lágrimas, que para mim são o ápice do Belo, o Excesso do Poético, enquanto eu estiver vivo. Não sucede vulgarmente que o coração se nos estremeça só com uma história escrita certamente no Olimpo, junto das musas, olhos nos olhos com elas. Se quiserem enternecer-se e seguir neste dia mais humanos e mais sensíveis, leiam este conto do João. Foi uma Epifania para mim. Mais uma pela qual dou graças a Deus.

Setil

Mil toneladas à espera de vez para prosseguir viagem.

Sherlock Holmes na farmácia

Entrei na exposição “A Farmácia no Tempo de Aníbal Cunha” com aquela atitude birrenta de adolescente que alinha num programa a contragosto, sabendo que vai entediar-se, e apenas diz que sim para fazer a vontade a outros. Mãos nos bolsos, cara de parva, olhar sobranceiro, resignada à ideia de que ia perder tempo. Parece que há um resquício de estupidez juvenil que teima em desaparecer e se arrasta triunfalmente pelas décadas seguintes.

Antes de mais, a exposição é de entrada livre, e vai manter-se no átrio de Química do edifício da Reitoria da Universidade do Porto até 13 de Dezembro.

Aníbal Cunha foi um ilustre farmacêutico, e um empenhado republicano. Participou na revolta de 31 de Janeiro e foi um dos responsáveis pela criação da Faculdade de Farmácia do Porto, de que viria a ser director.

A exposição reúne equipamento de trabalho, como alambiques ou balanças de precisão, frascos e boiões de farmácia, cartazes publicitários dos medicamentos da época, e objectos capazes de despertar a vossa curiosidade como  uma máquina para fazer supositórios.   [Read more…]

Debate do Orçamento de Estado 2013


É uma festa o vídeo do momento.

O devir histórico (3)

Continuando.

A economia nacional tem tido uma constante coerente ao longo dos séculos: viver do que dá. Foi assim com África, com a Índia e com o Brasil. E se algo dava para ganhar dinheiro, mal se fazia notícia, era logo tudo a correr atrás do mesmo. Associada a tal tendência, a lógica do lucro fácil, criou-se a desastrosa matriz em que assentou a economia até aos dias de hoje. Enquanto houve colónias para exportar excedentes, e a santa protecção do “orgulhosamente sós”, a vida lá se foi compondo. Foi o fim do império e a abertura à concorrência, que revelou as nossas maiores fragilidades. Exactamente porque não estávamos habituados à concorrência. E não havendo concorrência, não há exigência. Se não há exigência, não há razão para evoluir, para ser melhor. Perante o desafio da entrada na então CEE, ao contrário do que seria aconselhável, voltamos a cair no engodo do dinheiro fácil que por cá entrava a rodos. Foi-se atrás do lucro fácil, e não se curou de se investir em conhecimento, ciência, técnica. Pelo contrário, o modelo económico foi-se desenvolvendo não só ao sabor dos dinheiros comunitários, muitas vezes a fundo perdido – tragicamente real a nomenclatura “fundo perdido”… -, e do financiamento bancário desregrado. Começaram os “poligrupos”, para comprar carro novo. E o financiamento à habitação própria, que viria a tornar a construção civil na grande base de emprego do país. Ou seja, uma base maioritariamente dependente do mercado nacional. Começou, também, o abandono das terras e dos mares. E começou a progressiva decadência da nossa independência financeira: com mais gente a pedir emprestado do que a depositar dinheiro, os bancos endividaram-se lá fora. Aos poucos, a lógica do endividamento enraizou-se no país: era crédito para obras, para carro, viagens, colchões magnetizados, extensões no cabelo, etc. A banca estava voraz, e o Estado cúmplice. Somaram-se os investimentos públicos sem retorno financeiro, até a esse refinamento catastrófico das Parecerias Público Privadas. O país foi deambulando, inebriado, pelo oásis dos tempos de Cavaco Silva, o pântano de Guterres, a tanga de Durão Barroso, o alto astral de Santana Lopes e o choque tecnológico de Sócrates. Uma constante, a lógica da facilidade e do imediato, fosse na economia ou no ensino onde se perde mais tempo a avaliar os professores do que os alunos. E pior agora, já sem os encantos do cheiro a canela, ou das riquezas das colónias.

Fá-lo como um europeu

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Para aquela mulher que gritava “Apalpa-me as mamas” enquanto o Gaspar falava, a imagem não se lhe aplica. Explicou ela que tal apalpanço é do seu gosto quando a lixam com F.

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