Mais amor, por favor!

Quem não repara nas inscrições que se encontram, muitas vezes, nas paredes e portas das casas de banho públicas? Uma porcaria. Com lápis, esferográfica, marcadores e objectos cortantes há muita gente que parece ter necessidade de «desabafar» com as paredes e portas de uma casa de banho.

Hoje reparei na única inscrição que uma porta de madeira deixava exibir. A lápis, uma menina ou uma adolescente acabara de deixar a sua frase anónima, como são todas as mensagens que se registam nestes locais: MAIS AMOR, por favor! [Read more…]

O devir histórico (1)

A premissa de que o mesmo homem não pode atravessar o mesmo rio duas vezes, é um pilar da tese do devir, fundada por Heráclito. Contudo, um povo pode repetir os mesmos erros ao longo da sua existência. Esse outro devir, o histórico, a repetição dos erros por banda do mesmo povo, consubstancia-se no exemplo português. E um povo não será, na sua essência, o mesmo, pois que o tempo tudo muda e um povo não sairá da regra. Ou talvez saia. Talvez um povo se mantenha igual a si mesmo e seja essa perenidade a sua razão última para existir. Talvez. Sei é que o mesmo erro tem sido repetido ao longo dos séculos. Desde o mercado das Índias, que nos obrigava a comprar fora o que se dava à troca para trazer e comercializar as especiarias na Europa, levava a que a diferença de preço esmagasse as nossas margens de lucro, e enchesse os bolsos de outros. E mesmo assim, não se deixou de esbanjar. Da mesma forma que, séculos depois, foram os alemães e os italianos que tanto ganharam com os fundos comunitários, pela compulsiva aquisição, por banda de sempre honrada gente, de Ferraris, Porsches, Mercedes e outras máquinas que não eram, infelizmente, nem teares nem cubas de inox. Neste devir histórico de se esbanjar quando há até que nada haja, existe também um perigo que se pode repetir: a tentação de se abdicar da democracia, para que haja alguém que endireite as coisas, ponha as contas em ordem e meta o país nos eixos. Também já tivemos isso antes. Não vai há muito. Querem ter outra vez?

Apoio à Produção Nacional

O que é nacional é mesmo bom, talvez mesmo melhor que o produto importado;
se não vamos exportar paletes de pastéis de Belém, ao menos exportemos cultura fílmica.
Watch good moves!

“É tempo de dar um murro na mesa”

É o título da campanha contra a violência doméstica. Ironia? Falta de tacto.

Estamos na mesma

O que se deixou de gastar em salários foi directo para os juros da dívida. Nem uns se fizeram rogados a pedir nem os outros se importaram em emprestar. No meio, cá está um povo para pagar.

Pré-venda a 26 de Novembro!! Iupiii!!!!

Mal posso esperar.

Quando se me Revolvem as Vísceras

Custa-me engolir a súbita compaixão em surto de todos quantos acalentaram e embalaram a serpente estrutural que hoje mesmo nos morde a conjuntura. Compassivos, só agora?! Não estavam a ver o grande acidente nacional mesmo, mesmo, a eclodir?! Nem do alto do seu ponto privilegiado de observação?! Olho para eles e depois para mim e sinto-me uma besta. Quando não se consegue evitar grandes males colectivos, agindo embora com todas as forças e toda a constância de que se é capaz, o desgosto não pode senão ser fundo. O meu é assim. Fundo. Tanta morte no horizonte. Tantas vítimas escusadas. Tanta desolação. Quem abriu caminho para ela?! E como fazer Justiça retroactiva?! Quem dera a Justiça imitasse o Fisco!

Não me adianta recair no mesmo martírio vezes sem conta. Tento sair dele, sair das minhas próprias masmorras pós-traumáticas [ter testemunhado em seis anos, como que em câmera-lenta, a Queda do meu País e ter esbracejado para nada como um parvalhão!] para descobrir uma linha-Ariadne de libertação pessoal. Se eu a desejo com ardor, algum dia me sorrirá, tenho a certeza. Entretanto, revolvem-se-me as vísceras perante refinados fingidos: entre as bolachas lacrimosas de um Nicolau Santos, que boceja à Meia-Noite de cada Sexta a sua compaixão requentada, e a moto-serra económica do curto e grosso Camilo Lourenço, prefiro a segunda. Mil vezes. Pastéis de compaixão, quando lhes interessa e o tabuleiro muda, não, obrigado!

O Lado Bom da Crise

Na adversidade é bom ler boas notícias.

Latim e Grego nas escolas açorianas: morreu o deputado Luiz Fagundes Duarte

O cidadão Luiz Fagundes Duarte está vivo e desejo-lhe muitos e bons anos de vida. Recentemente empossado como secretário regional da Educação e Formação dos Açores, manifestou “a intenção de introduzir as disciplinas de latim e grego clássico nas escolas, a título de opção.” O estudo dessas matérias no ensino secundário e a recuperação do ensino das Humanidades constituem factores de enriquecimento de qualquer país desenvolvido. O desprezo dessas áreas é um dos sintomas do nosso subdesenvolvimento educativo. Saúda-se, portanto, que numa parte do território nacional se esteja a preparar uma revolução que consiste, afinal, na recuperação daquilo que nunca se deveria ter perdido. Há revoluções assim. [Read more…]

Passaram-se

Foi precisamente o que aconteceu a uma das subscritoras da manifestação de 15 de setembro, que foi constituída arguida no dia 8 de novembro, pelo «crime» de organização de manifestação não comunicada, e se encontra, neste momento, com Termo de Identidade e Residência. A suposta «manifestação» terá, segundo a denúncia policial, ocorrido no dia 12 de setembro, e mais não foi do que a conferência de imprensa de divulgação da manifestação de 15 de setembro – em que 15 pessoas seguraram uma faixa em frente da Assembleia da República enquanto falavam com os jornalistas, sem qualquer incidente ou impacto na ordem pública. Aliás, fazemos notar que os agentes da PSP que se deslocaram ao local traziam consigo um mandado de notificação já preenchido, ao qual faltavam apenas os dados da pessoa a notificar.

Ler o restante comunicado do Movimento 15 de Setembro

Até que a morte nos separe?

Violência sobre as mulheres: “Até que a morte nos separe“?

Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres assinalado com números negros.

Ninguém quer um casamento assim. «Até que a morte nos separe» é um slogan fortíssimo. Há, mesmo assim, que saber interpretá-lo. Olhar bem para o cartaz de campanha: ela está vestida de noiva e ao mesmo tempo apresenta marcas de agressão. Esta agressão é feita quando? No namoro? Ou pretende-se aqui mostrar o futuro de alguns casamentos?

Uma imagem vale mil palavras e 1000 interpretações.

É muito difícil a uma mulher reconhecer a infelicidade do seu casamento e denunciar o marido. Mas há um momento em que não pode deixar de fazê-lo… A sua vida (e a dos filhos) está acima de tudo e de todas as convenções e «falatórios» e do que vão dizer os outros.

Há que dar todo o apoio a estas mulheres vítimas de homens incapazes, para não dizer outra coisa.

Castro Almeida a Primeiro-Ministro


É do PSD. Tem feito carreira política naquele partido. Tem uma licenciatura conseguida com o esforço que fazem todos aqueles que necessitam de trabalhar para pagar as suas despesas e ao mesmo tempo pretendem prosseguir os seus estudos, aka trabalhadores-estudantes.
É autarca de S. João da Madeira desde 2001.Tem feito na «sua» casa aquilo que todos os autarcas e, sobretudo, os sucessivos P.M.’s portugueses deveriam ter feito. [Read more…]

Porto de Leixões continua em Alta – Obrigado Grevistas

OBRIGADO GREVISTAS
A greve que os portos nacionais têm vindo a implementar desde há quatro meses e que têm provocado grandes prejuízos à economia nacional, tem sido uma mais valia para o porto de Leixões que como se sabe não tem aderido a essas coisas.
Assim, nos dois últimos meses, o número de camiões que vêm carregar e descarregar contentores a Leixões, aumentou em cerca de dez mil a já alta média de trinta mil ao mês.
Só se lamenta que esta situação seja temporária, já que para bem do País, estas greves deverão acabar rapidamente.
Obrigado grevistas!

Portugal, Portugal

É lindo, mesmo no inverno.

Resistir, der por onde der, ao Tsunami 2013

Cavaco tem tido os seus deslizes que o afastam preocupantemente da realidade. Não lhe caberia, logo a ele, colocar o dedo culpado na grande ferida nacional em que redundou a nossa desindutrialização e desactivação pesqueira dos anos noventa. Foi por sua mão. Dói. Mas se o problema de desconexão com a História, com responsabilidades passadas, e, logo, com a própria realidade, fosse adstrito a Cavaco, menos mal. Há, porém, mais tartamudo nefelibata no resto da esfera representativa convencional, a qual anda pela hora da morte. Por exemplo, o deputado comunista, Jorge Machado, quando se atira contra o roubo consignado no OE2013, dizendo esta mesma palavra grosseira e grotesca «Roubo», apanha logo pela frente o deputado do CDS-PP, Nuno Magalhães, o qual convoca a Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, contra a suposta autorização de um vocabulário chulo por parte dos deputados, uma vez que na casa da democracia não se deveria autorizar hipérboles e desbragamentos de café, tasco e confeitaria [termos a que Louçã estava exclusivamente autorizado e os quais elevou a mito ciceroniano] argumentário perante o qual Assunção Esteves se limita a mostrar que pode ser seráfica, mas não é perfeita, pois, admitiu, estava distraída. Era uma cassete. Não reparou. Pelo que se limitou a chamar a atenção para a necessidade de evitar esse tal vocabulário rasteiro e básico, regressando à distracção ou lazer tagarela da presidência da Assembleia nos seus colóquios intestinos. De loucos. [Read more…]

O mundo em que Vasco Pulido Valente entrou

Vasco Pulido Valente, todos o conhecem, não fala de si próprio. Mas agora que completou 71 anos (quarta-feira) deu-lhe para, com alguma “perversidade”, pensar no mundo em que entrou.

Gosto desta expressão “o mundo em que entrei“. Ora Pulido Valente nasceu a 21 de Novembro de 1941, quando “Hitler ocupava a Áustria, a Eslováquia, a República Checa, a Polónia, a Dinamarca, a Noruega (…)” e Portugal «neutro», numa neutralidade “arriscada e mais do que duvidosa”.

Gosto desta frase também: “O mundo não servia para se começar a vida“.

Ainda as suas palavras, para terminar a crónica dos «71 anos»: “É triste, ao fim de tanto tempo, chegar ao desespero a que nós chegámos. Mas, depois de 71 anos, talvez seja melhor do que nascer com a sombra de Hitler a 60 quilómetros de Moscovo. Portugal precisa de sair do seu isolamento e da sua complacência. E, agora, por uma vez, não tem outro remédio.” [Read more…]

Magnífico:

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