Despejados da vida

Três casos em três semanas.

Amaya, 53 anos, atirou-se de um quarto andar de que ia ser despejada (País Basco).

José Miguel, 53 anos, foi encontrado morto no pátio do edifício onde residia (Granada). Pouco depois, lê-se no PÚBLICO de hoje, chegaram os agentes que iam despejá-lo.

Foi preciso ter acontecido mais um suicídio na Espanha para que o Governo espanhol acelerasse a mudança de lei que pode aumentar o período em que as pessoas em situação difícil não tenham de pagar a prestação.

A Espanha está aqui ao lado… São nossos vizinhos.

A nossa situação não é muito diferente da deles. Esperemos que o nosso Governo esteja atento… e que não actue quando fôr tarde demais.

P.S.- ser despejado de nossa casa, não é ser despojado da nossa vida (toda ou quase toda)? Boa ou má, é a nossa casa, é a nossa vida.

O Banco Alimentar haja fome

Isabel Jonet voltou a abrir a boca, e não tendo entrado mosca também não disse nada que não tivesse dito anteriormente, a velha k7 do vivemos acima das nossas possibilidades em versão bife. Mas aproveitemos para pensar no Banco Alimentar e em toda a cadeia das IPSS, cada vez mais sustentada pelo benemérito Mota Soares com os nossos impostos.

Explica Paulo Pedroso:

Em 2011 as campanhas de recolha em supermercados contribuíram apenas com 10% do valor dos produtos recolhidos pelo Banco Alimentar de Lisboa. A indústria agro-alimentar, reciclando os seus excedentes, doou 43%. A reciclagem de excedentes da UE contribuiu com 22%. O Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (de novo, os excedentes) doou  11%. As retiradas de fruta pelo IFAP (ainda os excedentes)  renderam 6%. Ou seja, ao todo, o escoamento de excedentes correspondeu a 82% do valor dos produtos distribuídos. [Read more…]

Voltar aos ascendentes

 

A frase  que intitula este texto, não é minha. Antes fosse! É a de un dos personagens de Steven Spielberg, Quince, um membro da etnia Mende  do país Africano República de Sierra Leone, no seu filme  La Amistad de 1997. Narra uma história verídica que acontecera nos EUA nos começos do Século XIX. Mas não é do filme que desejo falar, é de esse retorno aos nossos origens, ao nosso passado, para poder classificar o nosso desgoverno.

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Os maquinistas da CP, esses malandros!

CP dá carro novo a sete directores

Rui Ramos explicado aos interessados

O ruir do Ramos da História de Portugal reduzido ao que é: as fontes citam-se mesmo que digam o contrário da citação. Um velho método. E a ideologia está lá, sim a ideologiazinha:

Outros casos de interpretação abusiva das fontes poderiam ser mencionados. É algo facilmente explicável pela estrutura narrativa da obra, feita de frase curtas e afirmações lapidares, mas importa sublinhar que se trata também de um procedimento que serve o programa historiográfico e o imaginário político do seu autor, no qual elites tradicionais e minorias radicais disputam a condução de uma massa inerte que são os portugueses, gerando rupturas sempre abusivas que interrompem ciclos de estabilidade sempre virtuosos.

A ler, Uma história normalizada do historiador Ricardo Noronha.

Aldrabões

O Expresso tem um simulador para o orçamento geral do estado. Ideia interessante, sem dúvida. Vai um cidadão para cortar na despesa, atirando-se ao Ministério dos Juros da Dívida, e dá com isto:

Não é possível editar o valor dos Juros da Dívida Pública uma vez que depende da negociação com os nossos credores.

Desconhecia que estes juros tenham sido negociados. Quanto a um simulador que não simula, o não há alternativas em forma de jogo viciado, estamos conversados.

Nuno Crato, o marialva bissexto

Um dia, deu-me para escrever sobre o político marialva, essa espécie que, aparentemente, é frontal e corajosa, sendo que essa aparência não passa de um verniz que engana jornalistas incompetentes e portuguesinhos preguiçosos.

Nuno Crato integrou muito bem esse rebanho e o recente projecto de passar o ensino profissional para os institutos politécnicos é mais um sintoma de uma integração perfeita. Vejamos.

Há pouco tempo, Nuno Crato explicou, com aparente frontalidade, que havia menos alunos e que, portanto, não havia lugar para tantos professores nas escolas básicas e secundárias. Dito de outra maneira: se as escolas não conseguem angariar mais clientes, têm de despedir trabalhadores.

De repente, descobre-se que os institutos politécnicos estão em dificuldades, havendo, igualmente, falta de alunos. O ministro marialva do parágrafo anterior teria uma solução muito simples: despedir professores. Estranhamente, Nuno Crato inventa uma solução absurda, baseada em argumentos absurdos, mantendo uma sobranceria marialva face a ensino não superior, que, de acordo com esta medida, será, mais uma vez, sacrificado.

O marialvismo, no entanto, não passa de um verniz que estala de modo evidente: quem se mostra tão servil diante do superior é, afinal, um fraco, tal como quem precisa de mentir para justificar o despedimento de milhares de professores.

Sem ninguém

2 de Novembro, Dia dos Fiéis Defuntos. Pensei naqueles que não têm ninguém que os recorde, que deles sintam saudades e que por eles chorem. Aumentou em Portugal o número de corpos não reclamados (sem-abrigo, toxicodependentes, imigrantes, etc.). Mortos que ninguém chora.

A vida parece ser injusta para tantos seres humanos. Uns muito amados e saudados, merecedores até de homenagens e prémios póstumos ao fim de um ano, de dez, de cinquenta… Queria dar um bem-haja ao serviço prestado pela irmandade, de São Roque que, para muitos, é a única família presente no funeral. Tratam de providenciar ao falecido uma despedida digna. Manifestam também que aquela criatura significou, com toda a certeza, algo para alguém nalgum momento: algum gesto seu, um olhar, uma palavra. Por isso, terá valido a pena a sua vida!

Mais Bela que a Vénus de Milo

A Linha de Sintra.