Há uma linha que nos separa

Gosto de pensar que não sou um radical, um perigoso esquerdista que teima em andar por aqui. Mesmo sabendo que não é verdade e que, para muitos, farei parte dos que comem criancinhas ao pequeno almoço – confesso que prefiro um leite quente e uma torrada – gosto de pensar desse modo.

Mas também gosto de ser afirmativo e não deixar de expressar uma opinião, coisa que só esta casa, o Aventar, me dá em pleno! Somos de facto um blogue muito especial. Conseguimos estar juntos, mesmo tendo posições opostas sobre tantas coisas.

Com o meu (nosso amigo) José Magalhães discordei a propósito dos bifes e discordo também sobre a Greve. No entanto não deixo de ter uma inveja enorme de não conseguir escrever à altura da qualidade dos textos dele.

Apetecia-me bater-lhe com as palavras todas do dicionário, mas sinto-me um bocadinho como uns azuis que, mesmo ganhando muito, continuam pequenitos (já vou levar por causa desta!). Mas, caro amigo, fica a intenção. Um dia, abro o dicionário e pimba…

Ainda por cima, aparece-me no meio um candidato a uma ménage à trois.

Quer dizer, já não me chegava um, ainda tenho que levar com dois?

Ora vamos lá ver se a gente se entende – mantenho a convicção que só há dois tipos de portugueses:

– os que estão a lucrar com o roubo e os que estão a ser roubados.

Uns, os primeiros, querem acreditar que a austeridade é o caminho. Outros, os segundos, já perceberam, há muito que o caminho tem que ser outro.

Quanto aos que vivem à custa do roubo, nada a dizer – são os Relvas, as Jonetes e os Ulrrichs deste país.

Quanto aos que são roubados há também duas versões:

– os que não concordando, aceitam isto como inevitável;

– os que não concordando, fazem alguma coisa.

Percebo o argumento das “greves que considero inofensivas” – qual é a proposta alternativa a esta Greve?

Percebo também que se veja esta GREVE como algo impossível de concretizar porque o orçamento familiar não a suporta.

Entendo tudo isso – mas há dias em que tudo fica bem transparente, que separa uns e outros: os que fazem e os que não fazem. Dois lados apenas e não queria ser radical com este argumento. Queria apenas clarificar.

E ESTA GREVE não é uma GREVE qualquer – é a primeira que acontece no plano europeu e é por aí que o futuro da Europa passa: por quem trabalha.

Amanhã há uma linha que nos separa, mas estou certo que é apenas uma linha que vamos usar para nos continuar a unir, pelo menos no AVENTAR!

Comments

  1. luis says:

    “O grande capital
    Está vivo em Portugal
    E quem não o combate
    É que dele faz parte”


  2. Os becos sem saída estão na origem de muitos radicalismos. Quando demasiada gente se vê encurralada, só há mesmo uma saída. Isso devia levar muita gente a pensar.

  3. Paulo Abrantes says:

    Podem tentar racionalizar a coisa, mas não é possível fugirem ao facto de que as greves efectivamente prejudicam as pessoas. Por muito que estejam contra a troika, amanhã haverá gente que não conseguirá chegar aos postos de trabalho, o que fará com que recebam menos. Por muito que apoiem os estivadores, a sabotagem das exportações está a contribuir para o afundamento da economia.

    A coisa não seria tão má se os senhores do comité central do PCP viessem a público pedir desculpa pelo prejuízo que este tipo de acções tem nas pessoas e nas famílias, a começar por aqueles que aderem à greve, e a relembrar que esta série de sacrifícios que são pedidos às pessoas são um investimento para resolver o problema da gestão do país. Mas não é isso que fazem. O real problema é que aparentemente preocupam-se apenas com a propaganda e auto-promoção que conseguem tirar deste tipo de acções (que orgulho, a primeira greve coordenada com os sindicatos comunistas de espanha e itália), e quem se lixa é sempre o mexilhão.

    Resumindo, o problema é que estas coisas não são feitas por causa do povo, mas é o povo que acaba sempre por arcar com as consequências, mesmo saindo do bolso.

    • João Paulo says:

      Meu caro Paulo, percebo para onde quer levar a troca de argumentos, mas se me permite, vou seguir outro caminho. Imagine que é um dos que se sente roubado. Imagine, mais complicado ainda, que até é dos que acha que é preciso lutar e fazer alguma coisa para dar a conhecer o descontentamento. Qual seria a sua proposta? Qual seria a sua sugestão?
      JP

      • Miguel says:

        Eu após o trabalho, dedico sempre umas horas à minha “futura” empresa. Espero que um dia dê trabalhe e enriqueça Portugal.

        Ou então vou para a greve…. Afinal dar a conhece o descontentamento é que é lutar.

        • João Paulo says:

          Miguel, fico sem perceber onde quer chegar…

          • Miguel says:

            Se você acha que é a ir para greves e a fazer birras que se obtém aquilo que se quer. Eu acho que é a trabalhar e a lutar.

          • João Paulo says:

            Ok. Estamos esclarecidos. O Miguel é dos que pensa que as férias, os salários, os direitos sociais e cívicos foram dados… Não tiveram que ser conquistados? É isso? Aliás, caramba… os escravos deviam era ter trabalhado…

          • nightwishpt says:

            Pois claro, então se não fizer greve vai ganhar que chegue para comer, ter serviço de saúde, horas suportáveis de trabalho para poder estar com a família e preparar a empresa, crédito e clientes para a nova empresa, educação aceitável para os seus filhos… é por tudo isto que vale a pena não fazer greve, correcto?

      • António Fernandes says:

        Fazer greve assim não é defender os nossos direitos: é sabotagem.

  4. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Encurralados estão 2 generais o Patreus e o ?? porque tinham romances “off shore” com duas belas jornalistas
    Mas acho mais grave o Tibre que inundou Roma e Veneza com 1.30m de alura
    anda a chover muito e todos falam do CO2 dos carros mas não falam do CO2 dos aviões de de carreita mas sobretudo dos MIG
    E quem seria e com que intenção bateu em Ronaldo que teve uma lesão grave David Navarro diz que foi sem querer – pois os piores que fazem as piores é sempre sem querer – 21:15H-RTP1-Dinis cantou de Coimbra – mas que lindo+Vânia Couto – coimbra “modernizado”+ Rui Pato – desde 1997 o fado passou do medieval à modernidade e cá está – que lindo lindérrimo+ Paulo Figeuirdo pianista – + Bruno Costa + a coimbra dos estudantes presaao fado agoar avança + paulo Soares – ai que ,lindo+ RTP2-a recessão de 2013 será pior que em 2012 de queda de 1,6% acima do previsto do governo – o que não acontecia há 20 anos – Parte de itália debaixo de água- a maior retracção do consumo explica parte com aumento de im postos – não me digam que foi socrates que sabia ser “o terrivel” – Governador de Portugal o corte é inadiável com despesa p+ublica (cabrão pode começar por ele) e que outros estão assim mas não com tal depesa pública – Carlos Moedas quer mais ambição e psicologia – hoje troika esteve reunica cá com parceiros sociais nas a trica não quiiz ouvir e era até 2014 e agora quer limite para fevereiro – quem nos quererá tanto mal ?? Portagens das SCUT aumental 2ª – pena o idiota do cavav«co ter inutilizado com IP milkares de km de belas eN – devia ser preso esse ignorante in´´util que não deixou alternativa – a ignorância é uma infelicidade – não merece respeito de ninguém – calro resolve-se privatizando ou seja cai todo m«nas mãos cabaquistas e vamos pagar tudo mais alto – a EDP já começou – os 15 da coesão + croácia e Passos a dar bocas – calem-me este tenor – Durão não percebi o que disse não é para perceber
    não iço mais – sei que hoje paguei 90 euros para me desemtupirem um cano e que no mesmo dia de outubro – ´há um mês tenho menos 4 mil euros o que nem sei o que quer dizer visto que no mesmo dia de cada mez vejo o que resta do mês anterior e anda ela por ela excepto co despeas acidentais – já não tenho

  5. António Fernando Nabais says:

    Sei bem que não és um perigoso esquerdista e és o responsável por eu conseguir olhar com outros olhos menos azedos para os sindicatos, mesmo sabendo que tu não és os sindicatos e acreditando que os sindicatos serão melhores por causa de pessoas como tu.
    É claro que me chateia não ter fé para estar amanhã ao lado de quem tem razões para protestar. A alternativa a esta greve é, na minha opinião, uma greve por tempo indeterminado. Não tenho a ingenuidade de pensar que seja fácil organizá-la e prepará-la, mas não tenho nenhuma ilusão sobre greves de um dia, porque já fiz muitas e sei que não foram ouvidas.
    A greve como clarificação do protesto é, na minha opinião, inútil. Quem ainda não percebeu ou não quis perceber as razões dos protestos vai continuar sem perceber. Não sendo eu um perigoso esquerdista, penso que já chega de conversa. Com pouca ou nenhuma violência, ou nos unimos para endurecer a luta ou nos limitamos a fazer cócegas. Uma greve de um dia estará esquecida depois de amanhã, porque faz cócegas.
    Não quero com a minha opinião desvalorizar quem faz greve convictamente. Pelo contrário: respeito sempre as convicções. Até respeito as minhas, mesmo que me deixem desconfortável.

    • João Paulo says:

      Caramba… quase me sentia tentado a subscrever tudo o que dizes… mas… fica para o fórum interno ehehehe JP

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