Olá Anocas, vamos conseguir destruir o MH!

A Anocas precisa de nós? Não.

A Anocas é uma criança. Para os pais um filho nunca é um adulto. É e será sempre uma criança, o nosso bebé. A Anocas, por acaso, é mesmo uma criança. De seis anos. Que vive, como ela o diz, com um Monstro Horrível.

Quem ainda não conhece a Anocas, está convencido que ela precisa de nós. Até ao dia em que a conhece. Em que olha para os seus olhos e neles vislumbra algo tão especial, tão estranhamente doce e fora deste mundo que nos leva a uma conclusão profundamente diferente: Não, a Anocas não precisa de nós. Somos nós que precisámos da Anocas.

Do seu olhar, da sua alegria, da sua vida.

Quando a minha Mafalda me disse, no alto dos seus nove anos de idade, que decidiu oferecer à Anocas o seu porquinho mealheiro, religiosamente engordado desde tempos idos, sem fazer a mais pequena ideia do valor do seu recheio, fiquei sem palavras. Quando a minha mulher me disse que tinha acabado de fazer uma transferência para a conta da Anocas, fiquei a matutar. E eu, que posso eu fazer para ajudar a Anocas?

A primeira vez que vi a Anocas fiquei profundamente perturbado. Foi, se a memória me não falha, no café Turista, na Maia. Vinha com a mãe, a Alexandrina, uma velha amiga de lutas passadas (naqueles tempos em que eu, como a Alexandrina e todas as gerações como a nossa naquelas idades, acreditávamos que íamos mudar o mundo) e as marcas do Monstro Horrível acompanhavam a sua bebé, a Anocas. Quando se vê uma criança assim fica-se impotente perante tudo o que nos rodeia. A velha e saudável luta entre assessores de imprensa e jornalistas deixa de ter qualquer significado. A vontade de colocar o nosso cliente nas páginas dos jornais ou nos segundos de televisão deixam de fazer qualquer sentido. Até um dia.

Até hoje. Quando vi a minha filha a desligar-se do seu porquinho percebi. Fazer uma transferência é simples. Mas não chega. É pouco. Eu posso fazer bem mais. É por isso que decidi escrever sobre a Anocas.

Como alguns de vocês sabem, de vez em quando escrevo uns textos para alguns blogues em que participo. Boa parte deles chatos, banais, sobre política, bola, música, etc. Desculpem lá. A sério! Ninguém é perfeito.

Porém, desta vez é diferente. Quer dizer, o motivo é diferente. A importância do mesmo é diferente. A crise? A crise é coisa de meninos quando comparada com a Anocas. O que disse aquele autarca ou candidato a, o golo do James, a Merkel, o governo e a oposição? Não, isso não é nada quando comparado com a Anocas. Não, não. Especial é a Anocas.

A Anocas é diferente. Ela não precisa de nós, acreditem. Nós é que precisamos dela, de a ter por perto e de a ver a passar na rua pela mão da sua mãe, da Alexandrina. Ela sim, é verdadeiramente especial. É a Anocas e todas as Anocas deste mundo que verdadeiramente contam.

E é por precisarmos da Anocas que vos escrevo este post em forma de apelo. A Anocas está a combater o seu Monstro Horrível e nós precisámos de fazer o mesmo e a melhor forma que temos é esta: partilhar a informação convosco dizendo-vos, contando-vos o mínimo e acreditando que, afinal, tudo o que aprendemos ao longo destes anos serve, realmente, para alguma coisa:

A Anocas é uma criança com seis anos de idade. Tem um Monstro Horrível, como ela apelidou o seu tumor cerebral e cujo combate, sem tréguas, obriga a conseguir angariar 80 mil euros. A Anocas é da Maia. Tem, sinal dos tempos, uma página no facebook e uma conta na Caixa Geral de Depósitos. E mais não preciso de dizer, está tudo o que é essencial dito e escrito

Obrigado.

(texto adaptado para a blogosfera de press release enviado hoje)

Comments

  1. leopardo says:

    Pensei que este tipo de tratamentos fossem pagos pelo estado.

  2. Susana Vigário says:

    Boa tarde!
    Que texto maravilhoso e que bem descreve a doce Anocas!
    Eu preciso da Anocas! A minha filha colega da escola também precisa da Anocas!
    Vamos aniquilar esse Monstro Horrível Idiota!

  3. tania sousa says:

    A minha Filha também ela coleguinha da Anocas também precisa dela bem como todos nós precisamos de uma força da natureza como ela própria é… fantástica. Ajudem a ANOCAS que mereçe tudo

  4. Alice Ferreira says:

    Texto bem escrito, sem lamechices e que nos dá a realidade da Anocas. Obrigada.
    Irei fazer a minha parte.
    alice ferreira

  5. Fernando says:

    Darei a minha modesta contribuição para a Anocas, com votos e esperança que ela aniquile o “monstro”.

  6. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Há dias vi em reportagem TV um menino como a Anocas com doença incurável e de esperança de vida muito limitada tanto que médicos e enfermeiros se admiram como resiste – resiste assim – com a força de viver de menino de 5 anos e alegrai contangiante, felicidade de sua mãe mas que o tempo já marcou a hora – quando estou triste e vejo estes meninos (e já vi outros no IOP) fico a pensar porque razão me vou tão abaixo se não tenho nada e só tenho vida e até sa+ude e muitos anos vividos e ainda por viver – que força é essa de se ser criança mesmo sabendo o qu têm e mesmo o que está guardado acontecer

  7. Júlio Bastos says:

    Agrada-me ver a mobilização da comunidade maiata. Obrigado pela divulgação.

  8. Alexandrina Pinto says:

    Obrigada 🙂 🙂 🙂 Obrigada pela amizade, pelo apoio e pelo que escreveste!!! Beijinho 🙂

  9. Jorge Silva says:

    Não percebo porque é que são precisos 80.000 € …A menina dispõe do SNS e se há incapacidade tecnica de tratamento que obrigue por exº a uma intervenção fora do país, os responsaveis médicos do SNS deverão prescrevê-la e será o SNS a pagar os custos

    • Eu explico …
      O SNS só suporta o que entende que deve suportar (1 º filtro)
      Os médicos só identificam como validos os tratamentos que entendem que devem ser usados (2º filtro)
      É fácil perceber que ambos filtros são subjectivos porque:
      O que para si é fundamental para o seu vizinho pode não ser.
      Tudo pode ser fundamentado em critérios técnicos (encontrar um motivo é a coisa mais simples).
      Não existem verdades absolutas.
      A esperança é uma fonte que não se esgota.
      etc….
      Por tudo isso a determinada altura é preciso trilhar caminho para encontrar uma solução e o tempo da nossa princesa Anocas não se compadece com os filtros de que falei nem com os motivos que os assistem.
      Para quem não quer ficar refém ou condicionado por critérios porque existem valores mais importantes aos quais assistir só resta uma saída e eu e todos os que acreditamos que não podemos parar perante os “filtros” , procuramos, reinventamos, criamos e por ventura encontramos outras saídas, porque acreditamos solenemente que existe solução para Anocas e não colocamos outra resposta para alem dessa como alternativa.

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