Educação: as prioridades do Governo

Com o ano lectivo a chegar ao fim do primeiro terço, Nuno Crato quer proceder à criação de mais mega-agrupamentos, o que implica alterações na organização e na gestão dos estabelecimentos de ensino que forem sujeitos a essas medidas.

Nuno Crato, com a desfaçatez dos insensíveis, terá declarado que isso não provocará “perturbação no funcionamento” das escolas.

Concorde-se ou não com a criação dos mega-agrupamentos, a verdade é que as escolas têm um ritmo próprio e a preparação de um ano lectivo deve fazer-se com a maior antecedência possível, para bem de toda a comunidade educativa. A alteração profunda que implica a criação destes novos agrupamentos deveria obrigar à sua preparação com cerca de um ano de antecedência, o que não tem acontecido.

Por maioria de razão, é completamente absurdo proceder a alterações deste calibre, enquanto está a decorrer um ano lectivo. É evidente que Nuno Crato não ignora nada disto, mas já se percebeu que a Educação não faz parte das suas preocupações.

Entretanto, há cada vez mais notícias de crianças que passam fome, o que não impede o governo de continuar a fazer cortes, também sob a forma da criação de mega-agrupamentos. No fundo, é uma questão de coerência: um governo que não se preocupa sequer com a simples sobrevivência das pessoas não poderia ter a Educação ou a Saúde como prioridades.

Comments

  1. Ajom Moguro says:

    A amplitude das consequências futuras de um modelo educativo, reclama e merece um debate competente, sério e transparente para além da contabilidade caseira nos apontamentos dos partidos. Medidas atabalhoadamente avulsas e apressadamente conjunturais não encaixam num sistema de ensino que se pretende produtivamente escorreito. Enquanto enviesadamente se entender que em cada legislatura, um governo, qualquer governo, pode tudo baralhar e dar de novo, não se ataca a raiz do problema, e principalmente os mais jovens são indecorosamente sujeitos ao papel de cobaias nas mãos de reles experimentadores propagandistas de ocasião. O sistema educativo terá que ser visto como uma questão de regime, bem afinado para durar décadas sem sobressaltos, que como tem andado, nem tempo temos para aferir resultados. Acontece que, a exemplo de muitas outras e diversificadas instituições, as escolas privadas também podem prestar um meritório serviço público. A realidade ensina, que perante a recorrente incapacidade e mesmo prepotência do Estado em muitas áreas sociais como em muitos outros quadrantes, o contributo particular pode diversificar e contribuir sem benefícios chocantemente indecorosos e indevidos. Por desgraça, tem mesmo que se substituir aos inorgânicos órgãos do poder, como por exemplo quando a fome aperta na sociedade. Até pode acontecer que o omnipresente e prepotente estado receie e fuja da demonstração comparada da eficiência do desempenho e dos consequentes resultados. No que respeita a critérios justos para comparticipação do orçamento do País que todos somos, uma regra simples e bem calibrada basta. Abertura nos privados para acesso universal a todas as camadas sociais sem encargos adicionais para famílias abaixo de um determinado rendimento, e a partir do qual a classe dos bem instalados teria que abrir os cordões á bolsa. É tudo uma questão de forma e de fórmula. Em doses excessivas o Estado mata.

  2. luis says:

    Ai Portugal, Portugal…

  3. Rita says:

    Envergonhai-vos!!!
    No orçamento de estado de 2013 está prevista uma despesa de 127,6 milhões de euros só com a Assembelia da República, o que reflecte um aumento, já que em 2012 a verba foi de 81,7 milhões de euros.
    Já as despesas com Ensino Básico e Secundário e Administração Escolar o Estado prevê gasta 730,8 milhões de euros, o que reflacte uma diminuição da despesa em comparação com o ano 2012 cuja verba foi de 753,2.
    Este números foram retirados do Orçamento de estado 2013 que é público.
    Aconselho vivamente todos os portugueses a lerem o diploma.

Trackbacks


  1. […] por exemplo, a confusão à volta da avaliação dos professores ou o aumento do disparate com a criação de mais mega-agrupamentos com o ano já iniciado, não faz parte das preocupações de Nuno Crato. Para o governo, de uma maneira geral, nem sequer […]

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