Porque são as grandes nações grandes

Os EUA vão para tribunal contra a Standard & Poor’s, acusando-a de fraude civil na crise sub-prime. Em Portugal, a maior fraude de que há memória, o BPN, continua num estado incerto e com apenas um arguido, sem bens, em vias de servir de bode expiatório ao sistema partidário do centrão.

O nosso sistema político está podre e não consegue produzir políticos que trabalhem para nação em vez de para o partido. De outra forma, já o sistema judicial teria sido reformado para que os mega processos que se prolongam por décadas sem resultados tivessem terminado. De outra forma, não teria o BPN sido nacionalizado (lembre-se que, antes da nacionalização, este banco valia apenas dois a três por cento do mercado bancário) e estaria julgado e caso encerrado.

Houvesse justiça em Portugal e os danosos contratos das PPP teriam sido anulados e os responsáveis presos por dolo. Fosse este país uma grande nação também e não estariam os contribuintes a pagar as fraudes da ética republicana.

Não gostam os nossos políticos de usar o exemplo estrangeiro quando há medidas a tomar? Pois têm nesta atitude dos EUA um bom exemplo a seguir.

Comments


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  2. Considerando eu que os EUA não são, nunca foram e nunca deverão ser exemplo para alguém, é de minha convicção que, se vão para tribunal com a S&P, é porque ou estão a olhar por interesses próprios ou a ocultar coisa bem pior. Pura manobra de diversão!

    • jorge fliscorno says:

      Neste aspecto discordo, Isabel. Olhemos para os factos: um tubarão das finanças vai a tribunal. Eu acho que isto é um exemplo a seguir. E os EUA foram exemplos noutras coisas também, como é o caso do direito à greve e dos sindicatos. Não são exemplo em tudo, claro, mas há nação que o seja? E colocam os seus interesses em primeiro lugar, sem dúvida. Mas não o faz também a França, por exemplo, com a sua intervenção no Mali?


      • Esse é um lado dos factos, e quanto a mim, o que menos pesa. Os EUA são peritos em esmagar tudo e todos os que não estiverem a favor deles: incitamento à guerra com fins económicos, protecção de interesses a qualquer custo, manipulação da economia e política internacionais, etc., etc., etc. Até a inflitração dos seus produtos no resto do mundo (por exemplo, a coca-cola e os hamburgueres) são nocivos a todos menos à economia deles.

        Lamento, Jorge, mas os EUA são a nação mais manipuladora, mais invasora e mais hipócrita que existe. E depois, também não consigo esquecer que fundaram e construiram a nação sobre os milhões de cadáveres, um dos maiores genocídios da história, dos legítimos donos daquela terra: os índios! Índios esses que, ainda hoje, vivem em reservas, totalmente privados de liberdade!

        Baseada na história, em todas as suas vertentes, não posso deixar de estar convicta de que qualquer movimentação daquele povo que aparente solidariedade, fraternidade e humanidade, tem, nos bastidores, intenções insidiosas.

        • jorge fliscorno says:

          E de repente lembrei-me dos espanhóis e dos incas 🙂 Não discordo completamente do que escreve mas que lá há uns quantos a irem volta e meia parar à prisão por crimes económicos, há. E cá?


          • Pois, Jorge, não deixa de ter um “tiquinho” de razão! Mas, por outro lado, lá isso acontece muito de vez em quando porque eles são muitos e bélicos e nós, por cá, somos poucos e mansos! 😉

            E sim, o que os espanhóis fizeram nas Américas também foi muito sujo! E nessas coisas também não estamos isentos: lembro-me da guerra colonial e muito antes disso os Descobrimentos e a tentativa de sujeição e conversão dos povos nativos. Enfim, o ser humano igualzinho a si próprio!

        • nightwishpt says:

          “Índios esses que, ainda hoje, vivem em reservas, totalmente privados de liberdade!”

          Olhe que não, têm leis próprias e o estado praticamente não tem poder. Muitos deles estão ricos à custa dos casinos.


          • Desculpe-me Nightwishpt, mas essa sua opinião demonstra, a meu ver, um grande desconhecimento da história e da geofilosofia dos índios americanos.

            De qualquer forma, não me parece que sejam precisos muitos argumentos para se perceber que os índios são os habitantes legítimos da América do Norte, tal como os índios da Amazónia são os legítimos habitantes da Amazónia e os aborígenes da Austrália.


          • Ora dê aqui uma espreitadela, Nightwishpt, e veja como essa historieta de “índios a gerir casinos” é uma grande treta:

            http://rt.com/news/russell-means-interview-116/

        • Maquiavel says:

          Como vês, Isabel, estamos sintonizados a 150%!

      • nightwishpt says:

        Pois, e também são os primeiros a não ter segurança para os empregados e a lutar por acabar com indemnizações por despedimento.

        • nightwishpt says:

          Sem falar em tudo o que foi feito contra o OWS, com variadas pessoas a terem os seus perfis na agências de securitismo.

  3. João Paz says:

    Só quando vier a ver RESULTADOS é que passo a ter sequer em conta esta MANOBRA DE PROPAGANDA.
    Ah e o BPN não foi nacionalizado, foram nacionalizados isso sim SÓ os seus prejuízos.

    • jorge fliscorno says:

      Não, o BPN foi nacionalizado, sim senhor. Quando foi vendido é que se fez a divisão: prejuízos para o estado, negócio limpo para o comprador.

      Sobre sobre intenções, como é que se chama mesmo aquele que está preso e condenado em tempo recorde? Madoff, não é? E cá? Pois.

      • Fernando says:

        O Madoff… Um tipo que roubou a ultra-ricos, é claro que tinha que ser condenado em tempo recorde.
        Agora veja aqueles que apostaram em destruir a classe média, GANHAM BÓNUS!!

        • jorge fliscorno says:

          Portanto, quem rouba rico deve estar em liberdade… Fico preocupado porque, pela forma como o fisco me taxa, ainda acabo considerado rico. Rica pessoa, talvez…

          • Maquiavel says:

            Jorge, sabes que o Fernando näo disse “Portanto, quem rouba rico deve estar em liberdade”, mas sim só quem rouba ricos é que é condenado rapidamente.
            E o resto, infelizmente, é mais poeira para os olhos! 🙁

          • Fernando says:

            Madoff roubou a gente mesmo muito poderosa, possivelmente gente que conhece muito bem as ilhas Caimão, e não tanto o fisco. Mas Madoff é mesmo um criminoso, mas está longe de ser o único, muito longe, mas curiosamente o fantástico e infalível sistema americano só o viu a ele…
            Procure por MF Global e Jon Corzine, isto já foi depois do colapso do Lehman Brothers, veja o que este mafioso com ligações ao JP Morgan e ao Partido Democrata fez. Digo-lhe já, a diferença entre Jon Corzine e Madoff é que Corzine roubou a gente com algum dinheiro, mas não o suficiente para serem considerados parte da elite, apenas classe média alta ou assim… ah, Corzine não está preso, apesar de todas as evidências, é o fantástico sistema americano a funcionar…


  4. É simples manobra de levantamento de poeira… O problema é que os EUA estão a correr sérios riscos de verem as agências de rating a cortar o rating da dívida americana (ainda mais)! E como tal isto é apenas uma guerra entre mafiosos… Levá-los a tribunal… Só serve para rir… Fez-me logo lembrar aquela cena hilariante da multa aplicada ao HSBC… isto está ao mesmo nível… FOLCLORE PARA ENTRETER A MANADA… 😉

    • jorge fliscorno says:

      «O problema é que os EUA estão a correr sérios riscos de verem as agências de rating a cortar o rating da dívida americana (ainda mais)!»

      Um explicação possível, sim.


      • Provavelmente é mesmo a única… Explicação! Senão como se pode aceitar este TEMPO todo de espera, comparado com o TEMPO que demoraram com o processamento do caso do Bernard Madoff bem no início do colapso!
        Provavelmente só alguém que espera que as gotas de chuva forte criem borregos, é que espera igualmente pela condenação da S&P!

  5. Fernando says:

    Há apenas um país em todo o mundo que pode ser considerado uma grande nação, e esse país é a minúscula Islândia.
    Agora a “grande” nação americana vai dar uns tau taus às agências de notação, agora que estão totalmente descredibilizadas, e já ninguém lhes liga…
    Aposto consigo sr. fliscorno, que isto não passa de uma acção de propaganda para iludir os incautos, e que ninguém vai ser responsabilizado pelos ratings cozinhados entre as agências e os grandes bancos cúmplices!
    Não se deixe enganar sr. fliscorno, os EUA já nem um país são, aquilo está dominado por sinistros cleptocratas, não se sinta obrigado a embelezar os gringos só porque Portugal está na valeta.
    E não sei se reparou, desde do colapso do Lehman Brothers o que não falta são BPNs neste mundo, e indivíduos responsabilizados a menos. É um vírus sr. fliscorno, e o mundo está controlado por banqueiros zombie!

    • jorge fliscorno says:

      Sejam lá os EUA o que forem, então. É o que menos me importa. Podemos ter cá no burgo um bocado de propaganda para se meterem uns quantos na cadeia?

      • João Paz says:

        Só quando eles se virem apertados Jorge Filiscorno. Um milhão em 15 de Setembro foi simples amostra,não chegou para eles sujarem as calças.

      • Maquiavel says:

        Só se houvesse alguém que tivesse roubado dos ricos… aposto que nesse caso também teria um julgamento célere.

      • Fernando says:

        Não sr. fliscorno, porque a justiça não está a acontecer nem em Portugal, nem nos EUA, nem em lado nenhum a não ser na Islândia o resto é mesmo propaganda. O Madoff está muito longe, mas muito longe de ser o único criminoso.
        Devemos ser muito mais exigentes, exigir a cabeça do Madoff, ou do Oliveira e Costa não chega, se não formos mais exigentes o regime mafioso em vivemos vai tentar sempre iludir-nos, vai dizer que se resumia apenas a uma ou outra ovelha negra!! E embora seja difícil aceitar a muitos, lá no fundo, NÓS SABEMOS que isto não se reduz uma ou outra ovelha ranhosa…

        • jorge fliscorno says:

          « NÓS SABEMOS que isto não se reduz uma ou outra ovelha ranhosa…»

          De acordo. Mas é aí que uma justiça realmente funcional entra. E é isso que não temos.


    • Curiosamente os BONS EXEMPLOS (Islândia) nem sequer são alvo da atenção dos Meios de Merda Social (já falaram dela mas de fugida só mesmo para não se poder afirmar que nunca referiram o caso brilhante Islandês), pela simples razão que estes Meios estão sob o jugo de quem manda na actual organização das sociedades ocidentais!

  6. nightwishpt says:

    “Pois têm nesta atitude dos EUA um bom exemplo a seguir.”
    Pois, mas e quantos executivos da Lehman Brothers, da Goldman Sachs, etc é que foram punidos ou acusados?


  7. A mim cheira-me que os bacanos da S&P vão fazer o papel de “coitadinhos” e sair de lá a rir, que é como quem diz “Se nos quiserem condenar, vocês também têm que o ser”

    Novamente… Apenas levantamento de poeira para distrair a MANADA!
    😎

  8. jorge fliscorno says:

    O poder de negação é uma força notável.
    O Madoff está preso – ah mas ele só emprestava aos ricos
    a S&P vai a tribunal – ah isso é só areia para os olhos

    A pergunta que coloco é: quantos cá é que estão condenados por crimes económicos?

    Mesmo que outros lá nos states continuem sem ser chamados para prestar contas, o facto é que estes o estão a ser. E cá, népias.


    • Jorge, dois casos num universo de quantos milhões de pessoas? 314 milhões? E nós somos quantos? 10 milhões? Uma regra de 3 simples e chegamos à conclusão que deveríamos ter condenado 0,064 de uma pessoa!

      • jorge fliscorno says:

        Ó Isabel, que raio de argumento esse. Estes são dois casos que saltaram para as notícias mas imaginará que não são únicos. Aliás, é bem conhecida a fama do fisco de lá. Veja aqui, por exemplo
        http://www.fbi.gov/stats-services/publications/financial-crimes-report-2010-2011

        Repare nos diversos locais onde diz “Significant Cases”. Afinal há muita gente condenada (milhares) e em investigação.

        E mais um caso mediático: Enron. E mais uma lista: http://www.fbi.gov/news/stories/story-index/white-collar-crime

        Repare também na existência de uma estratégia para combater o problema.

        Pelo que volto a perguntar, e cá? As autoridades afirmam que somos um país de baixa corrupção. Mas depois há lincenciamentos inexplicáveis, perdões fiscais feitos à medida de quem foge para paraísos fiscais, um banco nacionalizado em 2008 quando em 2005 já se sabia que era um caso de polícia…

        Ah sim, foi condenado a onze anos de cadeia um tipo do PS. E há um outro do PSD que a justiça diz que a respectiva prisão “está para breve”. Ena.


        • Pronto, Jorge, está bem, reconheço que o meu argumento foi fraquito! 🙂

          Mas o que pretendia dizer com ele é que os poderosos de lá continuam tão impunes como os poderosos de cá! Toda a enorme engrenagem de corrupção por trás dos realmente poderosos, Obama, Bush, etc. na política, Rothschild, Rockeller, Goldman & Sachs nas imensas multinacionais, a própria CIA, todos esses, máquinas poderosíssimas e intocáveis de corrupção, estão impunes e continuarão impunes.

          Aqueles que o Jorge quer ver condenados cá são o equivalente, salvaguardadas as devidas proporções, aos que citei em cima. São os nossos poderosos, são os nossos intocáveis, que continuarão impunes ad eternum.

          Os outros, os que realmente têm sido condenados são peixe miúdo comparados com os poderosos. Não tenhamos ilusões. Existe uma elite de intocáveis que jamais responderá pelos seus actos. Cá e lá.


          • * Rockefeller


          • Ora dê aqui uma espreitadela e veja a cotação de um americano:

            http://www.asalbuchi.com.ar/2012/12/human-price-in-the-capitalist-equation-op-ed/

          • jorge fliscorno says:

            «cotação de um americano»
            Não me ocorre uma única nação que possa ser apontada como exemplo em todos os aspectos. Até neste aspecto da cotação das pessoas. Mas o meu ponto quanto aos EUA é que o sistema de justiça funciona e isso é uma marca das grandes nações. Quando a justiça funciona, as regras são mais claras e tendem a ser as mesmas para todos; quando uma parte não cumpre a sua parte de um acordo (ou contrato, se quisermos assim ver), sabe-se que a justiça dará uma resposta em tempo útil; e por aí fora.

            Sobre a justiça dos EUA deixar passar os grandes
            http://www.noticiasaominuto.com/mundo/32930/banco-su%C3%AD%C3%A7o-admite-que-ajudou-ricos-dos-eua-a-fugir-ao-fisco#.URmSJqhdB8F

            «Um dos administradores, Otto Bruderer, em representação do banco, declarou-se culpado a um juiz de ocultar ao fisco norte-americano (IRS, na sigla em inglês) mais de 1,2 mil milhões de dólares depositados em contas secretas na Suíça, bem como os rendimentos gerados por essas contas, entre 2002 e 2011.»

            «”Não há qualquer desculpa para que os norte-americanos ricos fujam às suas responsabilidades, como cidadãos deste grande país, para pagar os seus impostos, tal como também não há desculpa para as instituições financeiras estrangeiras os ajudarem a fazê-lo”, afirmou Bharara.»

            1.2 mil milhões de dólares ainda é dinheiro… E cá o que é que se faz? Arranjam-se um perdão fiscal para o dono do BES. É este o meu ponto.

  9. Maquiavel says:

    Jorge, acabei agora de ver um poderoso documentário sobre actividades mafiosas.
    E quanto aos “grandes” EUA, ficou-me uma palavra:

    “Wachovia”

    • jorge (fliscorno) says:

      Há link?

      • Maquiavel says:

        Näo, que foi na TV. Mas tens um cheirinho aqui:
        http://en.wikipedia.org/wiki/Wachovia_Corporation#Controversies
        Wells Fargo has since admitted that its Wachovia unit was involved in money laundering for drug traffickers.[70] It allowed money to be transferred in and out of casas de cambio, without proper due diligence, in violation of the Bank Secrecy Act. In March 2010 Wachovia agreed to pay a $160 million dollar fine for involvement in Mexican drug cartel money laundering that could total up to $420 billion dollars.[71]
        160 milhöes de multa para 420.000 milhöes de negócio ilegal… o crime compensa… e näo é pouco!

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