Consequências dos cortes na saúde

Aí está o exemplo britânico, com 1200 mortes que podiam ter sido evitadas (em inglês).

Comments

  1. Konigvs says:

    Corta-se a torto e a direito na saúde, as pessoas deixam de ir ao médico de família, deixam de fazer os tratamentos, exames e análises de diagnóstico porque são caríssimos, muda-se a medicação às pessoas por uma merda qualquer mais barata, aumenta a mortalidade infantil e nos mais velhos, mas tudo isto para continuarem a abrir a boca para dizer que a esperança média de vida continua a aumentar e por isso já nos podemos reformar (quem lá chegar) só aos 70 anos. E entretanto o grande capital esfrega as mãos com os seguros de saúde.
    É p’ró qu’está.


  2. mmm. Só uma notinha que sei vai ser longa, e que compreenderei se a não publicarem. Aqui vai: atenção, porque as coisas não serão bem assim como parecem, ou como se contam. Eu vivo em Stafford, e sei um pouco de como elas serão. Sei por exemplo que ninguém fez mais para escavacar o sistema de saúde britânico do que o actual governo. Sei que a campanha contra o hospital foi lançada por três mulheres apenas, e sei os interesses que lhes estão subjacentes (a elas, e à campanha). Sei que os índices de mortalidade são uma das coisas mais fáceis de deturpar, especialmente num sistema deliberadamente míope, um sistema que faz por ignorar outras condicionantes, um sistema a quem a miopia e a ignorância convêm. Há uma agenda por detrás do ‘escândalo’ do hospital de Stafford. Nós por aqui esperamos ansiosamente a chegada, que prevemos, de um hospital novinho em folha, privado, claro, e produto de uma qualquer parceria de investimento público-privado mal-parida pelo actual (des)governo. Há uma agenda por detrás do uso noticioso que vem a ser dado ao ‘escândalo’ do hospital de Stafford: porque é que os meios de comunicação social repetidamente ignoram o bem que dizemos de como lá somos tratados? Porque é que a BBC (e os outros) fazem entrevistas de rua, e todos e todas que não desancaram desalmadamente no hospital não constam das reportagens? A campanha serve por exemplo para obfuscar o facto de haver 9 direcções regionais de saúde sob processo de investigação, três das quais com problemas ainda mais graves (incluindo taxas de mortalidade mais elevadas ‘do que o esperado’ e do que as de Stafford) do que os problemas que se verificaram em Stafford durante os quase dois anos em questão. O ‘escândalo’ do hospital de Stafford foi criado e foram-lhe dadas proporções de Medusa com o objectivo político de ‘roubar’ o distrito aos Trabalhistas. Os Conservadores de Stafford (de quem as senhoras fazem parte) lançaram a campanha eleitoral para as últimas eleições nacionais com base no ‘escândalo’ do hospital. Como quem aporta numa coisa boa por acidente e decide que não a pode desperdiçar, o governo nem pode acreditar na sua boa fortuna, e o ‘escândalo’ do hospital de Stafford continua a ser utilizado politicamente para justificar a ‘necessidade de reforma’ do serviço nacional de saúde. Não digo que não tenha havido desleixos que escalaram em negligência, e que ao nível do interface enfermeira-paciente esses desleixos não possam ter contribuído para a morte de pacientes. O que eu digo é que uma enfermeira por enfermaria não pode fazer mais do que faz. Que quem manda está por cima, e nunca põe os pés nas enfermarias. Que quem contrata pessoal sem formação não são as enfermeiras, mas os gestores. Que quem faz com que hospitais não possam manter pessoal suficiente nos seus quadros, e tenham de contratar temporários às firmas dos ‘do costume’, é o governo. Que tudo afinal é consequência pura e simples desta obsessão a que assistimos com o cortar do que é social, com o transferir dos serviços da área pública para a esfera das provisões de serviços privada. Está mal, vai mal, e não vejo modos de se endireitar. Quanto à BBC, faz tempo que mudou de tom. Agora é mais uma das ‘mouthpieces’ desta coisa desgovernada que nos governa em Inglaterra, e como tal é preciso ter cuidado.
    Finalmente, o que eu digo é que é estranho que de entre as pessoas que nós conhecemos, o meu marido e eu, entre família e amigos e colegas e os dono do café e os do pub e os donos das bancas do mercado onde fazemos compras e os empregados das lojas e enfim, toda a gente que um casal de meia idade com empregos mixurucas e sem cargos políticos conhece, entre eles alguns bem idosos, entre eles alguns com doenças graves e/ou crónicas, entre eles deficientes, nenhuma, mas absolutamente nenhuma,tem mal algum a dizer do tratamento que recebeu, eles próprios ou os familiares, no Hospital de Stafford, ao longo dos vinte anos ou mais em que aqui estamos. Dá para pensar? A nós dá.

  3. Carla Romualdo says:

    Nina, claro que publicamos o seu comentário e eu pessoalmente agradeço que se tenha dado ao trabalho de vir esclarecer esta história. Parece ser mais um caso em que o alarido mediático oculta a agenda escondida, e que é sempre a mesma, a de entregar descaradamente à gestão privada o que é público e essencial.

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