Os animais de estimação

angela barroso
São muito úteis. Fazem o trabalho pesado, o trabalho sujo, guardam os rebanhos, palram, cacarejam quando põem ovos (e, sobretudo, quando não põem), estão, muitos deles, ansiosos por agradar aos donos em troco de uma ração (alguns são de muito alimento).

Não hesitam em atacar os seus congéneres, sobretudo os mais fracos, ao serviço dos patrões. Alguns até marram, sobretudo se os alvos forem vermelhos. Nem sempre dotados de grande inteligência (senão poderiam interrogar-se sobre a sua condição), mas precisando de alguma para cumprir as tarefas que lhes cabem, devem ser, preferencialmente, destituídos de carácter e integridade, atributos que os tornariam inúteis e, até, perigosos.

Por isso, nem todos servem para os efeitos pretendidos. Alguns, quando jovens, podem ser um tanto rebeldes. Mas quando se adaptam, são indispensáveis. Tornam-se mesmo os mais servis, embora a sua alimentação possa sair cara. Para os manter felizes, convém ir-lhes fazendo umas festinhas. Na cara, no pêlo, nos cornos, nas contas bancárias e outras partes que venham a calhar. Bem tratados, podem servir fielmente por vários mandatos, digo, anos.

Comments

  1. adelinoferreira says:

    Comentário que reflete a nossa realidade,
    com ironia e inteligência.

  2. MAGRIÇO says:

    “Alguns até marram, sobretudo se os alvos forem vermelhos.”
    Grande verdade!

  3. joao riqueto says:

    Ágape, em tempo de cólera!


  4. É a historia dos explorados e dos vendilhões e de certos figurões
    que não fazem figura nenhuma , a não ser de irritante .

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