Paris à nossa espera

wlhoxkey parisA selecção nacional masculina de hóquei em campo parte este sábado para Paris, onde vai aterrar pelas 09h30 (voo TP452), a fim de disputar a segunda ronda da Liga Mundial. Se já foi um feito, um marco histórico, o apuramento para esta fase, ultrapassá-la seria um milagre. Todos sabemos, no entanto, como os milagres estão caros!

Mas vamos lá por partes: os 110 pontos que Portugal tem, correspondentes à 50.ª posição num ranking que contempla 73 países, vão ser postos em causa pelos 1 698 da Bélgica, 9.ª classificada, com quem se bate no dia 6 de Maio, pelas 13h00; no dia seguinte, será a vez de defrontarmos, pelas 18h00, a França, que, para além de jogar em casa, está em 17.º lugar, com 953 pontos; Portugal descansa na quarta-feira, voltando a jogo no dia 9 de Maio, pelas 13h00, com o Canadá, 1 139 pontos, 14.º lugar mundial. À laia de informação, diga-se que o 1.º classificado do ranking masculino, a Alemanha, tem 2 528 pontos.

Dir-se-á, pela estatística e numa visão optimista, que Portugal tem os confrontos mais acessíveis depois do duplo descanso. Sem sermos pessimistas, mas assumindo o realismo da situação, é verdadeira a asserção anterior: Portugal tem encontro marcado com a Polónia e a Escócia, os adversários menos qualificados a seguir aos “linces”. Só que a Polónia é 19.ª (800 pontos) e a Escócia, nossa velha conhecia da primeira ronda, em Lousada, figura em 23.º lugar no ranking da FIH, com 529 pontos. Pouca coisa, como se vê.

Por acaso, alguém se lembra de que Portugal foi derrotado por 0-7 em jogo com essa Escócia, em Lousada? Aí têm aquilo de que estou a falar sobre as dificuldades com que vamos arrostar nesta segunda ronda da prova mais jovem do calendário mundial.

Como se não bastasse esta décalage, as diferenças nas condições de preparação das selecções participantes são abissais. Pegando no exemplo da França, para não ir mais longe, nos últimos tempos, a França fez um estágio em Manheim (Alemanha) e venceu o selecionado alemão, campeão do mundo; depois, fez outro estágio na Holanda, e, não satisfeita, preparou-se este fim-de-semana com a Bélgica, em dois test-matches.

Apesar de alguns milagres à nossa escala, como foi a preparação da nossa equipa nacional, que conseguiu jogar com uma das mais fortes equipas alemãs, em Lousada, e foi até à Corunha, no fim-de-semana, empatar por duas vezes com o Barrocanes, não podemos pedir o impossível aos comandados por Hugo Gonçalves. Seria o mesmo que, por estupidez, exigir ao Leixões ou ao Tondela que vencessem uma competição a sete, defrontando, a uma mão, o Valência, o Marselha, o Estugarda, o Tottenham e o Twente.

portugal barrocanes 27 abril 2013 4

O que podemos, então, pedir à selecção nacional? Que mostre que o hóquei português está a evoluir, tem bons valores, alguns deles bem jovens, e que não foi por acaso que, na primeira ronda, se escreveu história, enchendo de júbilo toda a comunidade hoquista e merecendo rasgados elogios da estrutura europeia, a qual, pela primeira vez, fez deslocar a Presidente e o seu mais destacado Vice-presidente à tomada de posse do actual elenco federativo, soavam ainda os ecos das vitórias lusas.

Se lutarmos com dignidade, teremos cumprido o nosso dever.

Mas, se por milagre conseguirmos uma vitoriazinha, que festa! É que os milagres, apesar de caros, acontecem por vezes. Apoio não vai faltar, a crer em alguns apelos dos emigrantes portugueses de Paris nas redes sociais.

Os jogos vão ter lugar no Stade Municipal Georges Lefèvre, em Saint-Germain-en-Laye, e os preços dos bilhetes, grátis até aos 12 anos, variam entre os 10/15 euros para adultos e os 5 euros para jovens dos 12 aos 16 anos.

Comments

  1. adelinoferreira says:

    Viva o Ramaldense!!!

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