Eles estão com medo da greve

ColigaçãoO primeiro-ministro, de acordo com a SIC Notícias, “garante que não vai pôr professores efetivos na mobilidade especial.”   É claro que Passos Coelho se refere a efectivos, mas isso é outra questão. Muitos jornalistas insistem em usar o verbo “garantir”, quando, na realidade, só se sabe que alguém “declarou”. Como se isso não bastasse, é do conhecimento geral que, de qualquer modo, as garantias de Passos Coelho são enfeites eleitorais.

A mobilidade, prática usual no mundo do trabalho, é, nos dias que correm, um acto de pura e simples selvajaria, imposta cegamente por empregadores que se limitam a olhar para os empregados como peões de xadrez. É, aliás, importante, numa sociedade que de sociedade só tem o nome, lutar pela manutenção e recuperação de direitos laborais.

A mobilidade, no entanto, está longe de ser a única razão para que os professores lutem e seria bom que a classe deixasse isso claro: o problema está, também, nos milhares de profissionais do ensino que foram artificialmente colocados no desemprego, graças a uma série de medidas contrárias ao interesse dos alunos.

Paulo Portas, com o ar compungido de quem está a recitar a “Balada da Neve”, veio pedir aos professores que não façam greve, porque isso prejudicará os alunos, os pais e os próprios professores. É claro que Portas nunca perceberá que é o governo que está a prejudicar toda essa gente.

Um pombo-correio como Marques Mendes serve apenas para transmitir os recados que lhe colocam na anilha. É natural, portanto, que afirme nãomendesjardim compreender por que razão os professores fazem greve aos exames. Provavelmente, será um defensor de greves entre as três e as três e um quarto da manhã.

Não há vitórias antecipadas, mas parece-me óbvio que, finalmente, os professores estão em condições de fazer mossa no governo, tal o medo andam a revelar. Está a chegar o tempo de os professores colocarem em prática duas acções em que não têm sido competentes: unirem-se como classe (o que inclui os que foram injustamente excluídos da profissão) e comunicarem com a maioria da população (o que, face aos envenenamentos que se avizinham, é fundamental).

Comments

  1. adelinoferreira says:

    (o que,face aos envenenamentos que se avizinham,
    é fundamental).
    Resumindo: Sem envenenamentos já não seriam
    importantes os excluídos da prUfissão e a COMUNICA
    ÇÃO com a maioria da profissão.
    A isto eu chamo um texto com um final infeliz.

    • António Fernando Nabais says:

      Sempre na brincadeira este Adelino.

    • ferpin says:

      Os parêntesis pareciam incluir apenas a questão da comunicação. Quer explicar porque leu diferente incluindo os excluídos na coisa do envenenamento? Ou, como insinua o Nabais você costuma olhar “diferente”?

      • adelinoferreira says:

        Julgo que ninguém gosta de rótulos,pelo menos
        quando de um pinheiro querem fazer um pinhal.
        A minha humildade (ao contrário de outros)
        permite-me dizer o seguinte: os excluídos devem
        ser retirados do m/texto,fica no entanto “comunicarem
        com a maioria da polulação”

  2. adelinoferreira says:

    Onde se lê maioria da profissão de lêr-se
    população

  3. João Paz says:

    Finalmente os professores vêm que o único começo de saída é o derrube do desgoverno e tomam medidas para isso. Parabéns, vamos a isso!

  4. adelinoferreira says:

    As corporações en Portugal, ainda são o que eram!

  5. maria says:

    Nós estamos prontos para, finalmente, mostrarmos que não temos medo e que ainda temos mto orgulho na nossa profissão! Está tudo a postos!

  6. adelinoferreira says:

    Paulo Portas – O bandalho

    A única coisa que tenho contra a mãe de Paulo Portas é a incontinência das suas irritantes gargalhadas a propósito de tudo e de nada (quase sempre de nada). Daí que, apesar de nestas coisas as mães ficarem de fora… não irei além de “grande bandalho” para classificar o energúmeno das mil caras.Num exercício de repelente hipocrisia, Portas veio choramingar a sua angústia sobre os exames
     e o grande favor à pátria que farão todos os professores que resolverem trair os seus companheiros em luta… furando a greve.Para além dos envenenados elogios à UGT, qua sabe ser campo fértil para a sua sementeira, apela, com grande estremecimento de carnes, à “consciência” dos professores que não querem prejudicar os alunos… sabendo igualmente quão grande é o número de analfabetos políticos que (conheço alguns), tantos anos depois da Revolução, ainda se gabam de nunca terem participado numa única greve.Como eu gostaria de ver este estremecimento de carnes, tanto por parte desses professores, como do bandalho Portas, comentando as notícias que dão conta da miséria, dos milhares de crianças que vão para a escola sem comer
    , das muitas que acabam a ser assistidas nos serviços de saúde… por terem fome
    .Como eu gostaria de ver esses professores dispostos a juntar-se aos colegas que agora criticam, unindo forças para fazer “explodir” este regime iníquo, aí sim, na defesa dos seus alunos!!!Como eu gostaria de ver o bandalho Paulo Portas pagar pesadamente (ainda que fosse apenas em dentes), pela nojenta desfaçatez de vir choramingar pelas criancinhas… pertencendo ao governo que tem levado os seus pais ao desemprego e à miséria
    , que tem levado a fome às suas casas… e que tem, objectivamente, assassinado algumas, por falta de cuidados de saúde e condições mínimas de sobrevivência, muito antes de terem, sequer, idade para ir à escola!!!

  7. adelinoferreira says:

    O texto não é meu,nem é dum professor,mas espelha
    o cerne na luta da classe.

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  1. […] a ignorância de quem nos governa é tal que não entendem que esta Greve, provavelmente esmagadora, vai colocar em causa o […]


  2. […] o pequeno-almoço nas escolas aos que mais precisam? É isso que querem para os vossos filhos? E as promessas do primeiro-ministro de que os professores efectivos não irão para a mobilidade para mim valem zero. Eu não sou […]


  3. […] convencer a opinião pública de que os professores estão a prejudicar os alunos, ao decidir fazer uma greve que, afinal, está a ter efeitos. O desnorte é tal que Passos Coelho, coitado, dá por si a aconselhar os professores a fazer greve […]


  4. […] nas greves do final do ano lectivo e senti orgulho em pertencer a uma escola em que foi possível, efectivamente, paralisar a […]

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