“Os professores estão muito divididos”

O título deste texto corresponde a uma afirmação de Nuno Crato, em mais uma tentativa de intoxicar a opinião pública e de semear a dúvida entre os professores.

A grande maioria das reuniões de avaliação marcadas para a semana passada não se realizou. A manifestação de ontem levou a Lisboa 80 000 professores, num universo de 100 000 profissionais.

A notícia de que os professores estão muito divididos é, portanto, manifestamente exagerada.

Nuno Crato utiliza tudo o que possa servir para demonizar os professores. Para isso, cultiva, com grande habilidade, as declarações e os silêncios.

Assim, não hesitou em afirmar que os professores transformaram os alunos em reféns e apelou a que não fizessem greve aos exames, depois de ter falhado a exigência dos serviços mínimos.

No que se refere aos silêncios, hoje, na SIC, recusou-se a dizer o que poderá acontecer aos alunos que possam ser impedidos de fazer exame, amanhã, em consequência da greve. Com esta atitude, tenta amedrontar os professores mais hesitantes, ao mesmo tempo que mantém os pais e os alunos sob tensão, lançando-os, mais uma vez, contra os professores. Bastaria que tivesse afirmado que os alunos que não fizerem exames não serão prejudicados, mas isso seria contrário ao maquiavelismo que norteia a sua actuação.

A luta dos professores é justa e a união tem sido evidente. Amanhã, têm mais uma oportunidade de lutar, também, pelos alunos. Não fazer greve por pensar que se está a defender os interesses dos alunos é colaborar com políticos que não se preocupam com o país.

Caminhar não é olhar para os pés, é olhar para o caminho.

Comments

  1. Joaquim Amado Lopes says:

    “A manifestação de ontem levou a Lisboa 80 000 professores, num universo de 100 000 profissionais.”
    Sim, porque na manifestação de ontem só estavam professores.

    • António Fernando Nabais says:

      Não me diga que esteve lá, Joaquim!

      • Joaquim Amado Lopes says:

        Não estive, António. Mas também não sou professor portanto, mesmo que tivesse querido ir, ter-me-ia sido barrada a entrada, Certo?
        A propósito, nos 80.000 não está a contabilizar o Mário Nogueira, pois não?

        • António Fernando Nabais says:

          Ter-lhe-ia sido barrada a entrada, com certeza. Eu próprio fui revistado à entrada da manifestação, para confirmar que me tinham implantado o “chip” docente.
          Não considera que o Mário Nogueira seja professor? Pronto, conte menos um. Quando tiver um número definitivo, publique.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            Podemos fazer ao contrário: contar os professores que lá estiveram em vez de pegar num número arbitrário avançado pela FENPROF e ir substraíndo os que não são professores. (e, não, o Mário Nogueira não é professor; FOI professor mas desde há muito que é sindicalista profissional)
            .
            Assim, temos 1 professor que esteve ontem na manifestação – o António Fernando Nabais. Quando tiver um número definitivo, publique.

          • António Fernando Nabais says:

            Pronto, Joaquim, tente, pelo menos, fazer uma estimativa. De qualquer modo, mesmo partindo do princípio de que o único professor era eu, a questão está em saber se as minhas reivindicações são justas ou não, secundado por todos os outros não professores que lá estavam. Por outro lado, na minha escola, em cerca de 200 professores, só 28 não fizeram greve. Provavelmente, os outros 200 nem sequer são professores.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            António,
            Não tenho elementos suficientes para fazer uma estimativa e, portanto, não a faço. Ao contrário de quem estima que tenham estado 80 mil pessoas na manifestação e, sabendo perfeitamente que um número não negligenciável dessas pessoas não eram professores, diz que estiveram lá 80 mil professores.
            Partir do princípio de que eram todos professores é tão ridículo quanto partir do princípio de que o único professor era o António.
            .
            Quanto a saber se as suas reinvindicações são ou não justas, se o número dos que as defendem não é relevante, então para quê apresentar esses números?
            .
            Quanto à parte final do seu comentário, pretende estar a “responder” a algo que eu não escrevi. Isso diz muito sobre a “força” dos seus argumentos.

          • António Fernando Nabais says:

            Joaquim
            A preocupação com o número é sua e foi você que quis (des)valorizar essa questão. Como é evidente, não havia só professores e, como é evidente, não sei se lá estiveram 80 000 pessoas ou 90 000 ou 50 000. O Joaquim, sempre e ainda preocupado com números, mesmo sem saber, não se inibe de acrescentar que havia um número não negligenciável de pessoas que não eram professores, furtando-se a uma estimativa, sem deixar de desvalorizar os presentes. Se havia um número não negligenciável de não-professores, isso deixa-me igualmente satisfeito, porque os problemas da Educação não se confinam, nem devem confinar aos professores e, sob esse ponto de vista, qualquer manifestação com menos de, no mínimo, meio milhão é um fracasso.
            A parte final do meu comentário anterior pretendeu ser uma piadola às suas elucubrações sobre um evento a que não compareceu.

          • Joaquim Amado Lopes says:

            António,
            Começa por escrever “A manifestação de ontem levou a Lisboa 80 000 professores, num universo de 100 000 profissionais.” e quem se preocupa com os números sou eu. Bem… acaba por ter razão já que o António demonstra não ter a mínima preocupação com o rigor dos números que apresenta como argumento.
            Para mim, isso encerra a discussão.

  2. Isabel says:

    Toda a solidariedade com os professores em greve. Força e corajem.
    Espero que amanhã os alunos que não façam exame devido à greve invadam as salas onde estejam a decorrer exames (como aconteceu na greve às específicas em 1995) ou façam barulho, deixando de haver condições para o mesmo se realizar e deitando por terra a estratégia do MEC…

  3. Pedro Murias says:

    Pois Isabel…fizeste barulho nas específicas e agora n sabes escrever coragem.

    • adelinoferreira says:

      Ó Murias, às 02,18 já não tens argumento
      para para o comentário da Isabel.Refugias-te
      num erro ortográfico.Será que a Isabel que
      não conheço, não sabe mesmo escrever
      curagem? Elimina esse ar professoral e
      deita-te mais cedo.

  4. Carlos Rafael says:

    não se olha para o caminho e esmagam se os alunos…
    e prejudicar os alunos claramente não incomoda os professores, não percebo o porquê da súbita preocupação….

    • António Fernando Nabais says:

      Os alunos estão a ser esmagados por ministros alegadamente da Educação que continuam a tomar medidas que prejudicam, enormemente, a Educação (o que inclui as reivindicações laborais dos professores). Os professores, depois de andarem há anos a avisar, a aconselhar, sem serem ouvidos, foram obrigados a recorrer a medidas extremas. Já tentámos, aliás, à laia de aviso, fazer algumas greves de um dia às aulas, na maior parte das vezes, com adesões que chegaram aos 90 %. Se a luta dos professores resultar, os alunos serão beneficiados, mesmo que, no curto prazo, estejam a ser incomodados.

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