Esc(r)atologia

Que o goveno actual é um monte de esterco, todos sabemos. Que sobrevive à custa de um parasita putrefacto do sistema democrático também sabemos. Que, de acordo com as sondagens, há pelo menos 70 por cento do povo português que continuaria a votar nos partidos da Troika. Mas.

Hoje, a greve dos professores foi um enorme sucesso. Como foi a greve dos CTT na semana passada, e de trabalhadores têxteis no Minho, como será, com certeza, a Greve Geral de dia 27 de Junho. Não podemos, por isso, nesta altura, exigir a demissão de Crato como um acto isolado. Não é só o Crato que tem de cair, são todos. Vimos o que se passou com Miguel Relvas. Foi o alvo. Caiu. Entrou outro. Mudou o cheiro. Escatológico.

Há 70 por cento de respondentes às sondagens que continuariam a votar no PS, PSD e CDS. Mesmo depois de tudo o que esta gente nos fez e continua a fazer. A não-posição do PS em relação à greve de hoje é exemplo do que todos sabemos: o PS não sabe. Ou sabe, mas esconde. De acordo com as sondagens, o PS ganharia as eleições. Escatológico.

O PS gere as expectativas das pessoas com as suas alas esquerdas, que surgem ao lado do conhecido socialista Basílio Horta. E, depois de uma ala esquerda chegar ao poder, outra ala esquerda se levanta, e agora é que é. E muda o cheiro. Escatológico.

Há, pois um enorme trabalho a fazer por todos aqueles que não se revêem nestas inevitabilidades do centrão, que de centro tem muito pouco. É um centro à direita feito com a perna esquerda, de letra, tipo Quaresma.

É por isto a Greve Geral há-de ser enorme – também com  o contributo dos professores, espero -, do tamanho da nossa revolta, do tamanho dos que não se deixam levar por sondagens. E outras lutas se seguirão, pois, que esta luta é como uma corrida de fundo. E não há sondagem que nos tolde as vistas. Ainda temos um longo caminho a percorrer para que seja mesmo uma grande Greve Geral, até porque, para nós, só vai valer a pena lutar quando a única coisa que tivermos a perder for a roupa que tivermos no corpo.

Até lá, os que acreditam que inevitável é o caralho, continuarão a lutar. Com professores, médicos, carpinteiros, marceneiros, calceteiros, trolhas, enfermeiros, estejam ou não empregados. O mal não está no Relvas, no Crato, no Gaspar. Pessoalizar a coisa é o maior erro que poderemos cometer. O erro está na política que praticam. E, como a política somos nós, é a nós que cabe acabar com eles. Antes que acabem connosco.

Comments

  1. Observador says:

    Infelizmente o que falta a muita gente, que se farta de trabalhar, para nada, que se farta de passar fome porque estão no deesemprego sem vislumbrar um posto de trabalho, é um espirito de classe, um espirito de solidariedade até porque muitos ainda estão convencidos que as coisas más só podem acontecer aos outros. Estão a ver o terreno a faltar-lhes debaixo dos pés, estão a ver que o estado nos rouba todos os dias – veja-se o caso dos 4.000.000 de cartas que escreveram a assustar as pessoas por causa dos selos dos carros. E todos os dias as repartições de finamças estão cheias a abarrotar porque as pessoas estão cheias de medo. Mais um motivo para se unirem e levantarem a cabeça para melhor poderem enfrentar o perigo de frente e fintá-lo. Espero que as eleições autárquicas sejam o primeiro cartão vermelho para os partidos do centrão. Mas temos que votar naqueles que ainda não nos prejudicaram e que não estão enfeudados com essa coisa da troika. Já é tempo de abrirmos os olhos.

  2. Joaquim Amado Lopes says:

    Fazemos assim: no dia 27 de Junho, os trabalhadores das empresas de transportes cumprem estritamente os serviços mínimos e não há “piquetes” a bloquear a circulação de quem quiser ir trabalhar.
    Para que não seja “impedimo-los de irem trabalhar portanto eles estão connosco” e se possa avaliar se a tal “greve geral” é realmente mais do que “greve dos trabalhadores públicos”.


    • Eu não sei o que são piquetes entre aspas. E pela forma como escreve deve ter participado em vários. Eu participei e participarei em vários, nunca vi ninguém impedido de trabalhar.

      • Joaquim Amado Lopes says:

        Nunca participei em nenhum. Mas vi, na televisão, vários a impedirem transportes públicos de circularem ou a impedirem camionistas de trabalharem.
        O rms é muito selectivo naquilo que escolhe ver ou é muito criativo no significado que dá às palavras.

  3. Observador says:

    Eu acho que quem está bem na vida não se deve queixar. Mas já agora, nãp pensem em impedir os que estão mal, cada vez pior, de se manifestarem livremente.

    • Joaquim Amado Lopes says:

      Não tenho nada contra quem acha que está mal se manifestar livremente. Desde que esse “livremente” não inclua impedir as outras pessoas de circularem e/ou irem trabalhar.
      O Observador certamente não acha que uns exercerem o seu direito à greve implica a obrigação de os outros também fazerem greve, pois não?

  4. Observador says:

    Esses que querem ir livremente para o trabalho devem poder ir à vontade. Pode ser que quando abrirem os olhos não seja tarde demais.

    • Joaquim Amado Lopes says:

      Ou…
      Esses que querem fazer greve devem poder fazê-la à vontade. Pode ser que quando abrirem os olhos não seja tarde demais.

      • adelinoferreira says:

        Ó Jaquim Lopes, pelo seus comentários se percebe,
        que vossamercê tem a ideologia do fascismo , adaptada
        aos tempos modernos=capitalismo selvagem ou neo-
        liberalismo. As suas referências são: O cowboy Reagan
        já falecido e a dama Thacher, ambos responsáveis
        pelo maior retrocesso civilizacional dos ultimos 50 anos.
        Os seguidores dessas figuras sinistras cá do burgo são
        por ordem de importancia: Gaspar,Moedas,Coelho,Borges
        Portas, etc.etc.
        etc.etc.
        P.S. em cima não digo que a Thacher já morreu
        porque ontem vi aqui no Aventar

        • Joaquim Amado Lopes says:

          LOL
          Portanto, como defendo que os direitos de uns terminam onde começam os direitos dos outros, sou “fascista”. Suponho que o Adelino, que só reconhece a liberdade de opinião a quem concorda consigo, seja um “verdadeiro democrata”.

  5. Observador says:

    Deve estar a ver o filme atrás do palco! Boa viagem e bom negócio.


  6. PS PSD CDS Extrema-Direita. Está dito, bom dia.

    Vá lá que teimosia que existe hoje de menorizar os actos destes partidos nos governos. O que se passa hoje é quase um holocausto, só que ao invés de os pobres e outros tantos estarem em campos de concentração, estão em casa.


  7. Não creio que 50% dos eleitores votem nos 3 partidos da Troika Só a abstenção deve ser mais do que isso.
    Eu sou abstencionista por estar descontente com os políticos de esquerda e de direita ..
    Todavia , estou de acordo que todos lutamos para melhorar a nossa Sociedade , que está conspurcada à direita e à esquerda
    Neste País só se aproveitam as mulheres boas , desculpem es-
    ta discriminação , nas não sou sectário ou racista , todas as mu-
    lheres são boas e mais decididas e corajosas que os homens.
    Somente , quis gracejar com um País que já nem graça tem .

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