Governo de salvação internacional

Muitos têm sido os que procuraram identificar os culpados locais dos estranhos acontecimentos que têm marcado a actualidade política nos últimos dias em Portugal. Mas o que esta dita “crise política” e o seu desfecho revelam é o domínio dos interesses extra-nacionais e a afirmação, em todo o seu esplendor, de uma realidade que a maioria tem sub-avaliado, naquela negação de quem fecha os olhos para não ver o que contudo será verdadeiramente  irrevogável, e a que apenas factores exteriores, ou uma não-expectável posição radicalíssima de um outro Governo (que não vai existir antes de 2015, creio) poderiam fazer inflectir: a perda de soberania, até agora enunciada como uma espécie de ameaça abstracta, é agora uma realidade horrorosa e corporizou-se no rigoroso momento em que, perante o pasmo da generalidade dos democratas, emerge um Governo de salvação internacional, chefiado por Cavaco Silva. E o próximo alvo que visa é… a reforma do Estado, eufemismo para machadada-final e definitiva nas responsabilidades sociais do Estado.

Comments


  1. É o que tenho dito , há muitos anos . É preciso uma revolução mundial e daí um governo mundial , obviamente onde ninguém predomine sobre ninguém e se construa uma verdadeira democracia com responsabilização e sem corrupção .


  2. Não sei se a questão é mundial, mas europeia é de certeza. E, o que se passou nos últimos 50 anos da europa, mostra que podemos fazer mais e melhor pelas pessoas. Mas, para isso, é preciso ter gente dedicada à causa pública e não gente interessada em roubar. Mesmo que estejam no governo.
    JP

    • Maquiavel says:

      Para isso é preciso ter eleitores dedicada à causa pública e não gente interessada em roubar.
      Como dizia uma deputada italiana “para que Berlusca saia da política é preciso que os italianos se desfaçam do Berlusca que há dentro deles”.

  3. Fernando says:

    Governo de salvação internacional “chefiado” pelo fantoche Cavaqueira…
    Isso seria de levar os banqueiros a um colossal orgasmo!

    “a reforma do Estado, eufemismo para machadada-final e definitiva nas responsabilidades sociais do Estado.”

    Restando o Estado policial para proteger as conquistas das elites degeneradas… É de tal forma previsível que uma pessoa fica sem palavras para aqueles que ainda acreditam de que “eles” estão a “endireitar o país”.

  4. Luis says:

    Não se sabe como o Portas chegou à proposta que fez e foi acceite pelo PPC. Penso que o Seguro podia esclarecer a coisa pois sendo o Portas ainda ministro não pode dizer o que se passa em reuniões secretas a que naturalmente os ministros vão. Mesmo aquelas que são promovidas por particulares. Agora o Seguro que ainda não é nada, podia-nos esclarecer o que foi fazer de braço dado com o Portas para a reunião do clube Bilderberg e se foi lá que foi tomada a decisão da alteração de governo. Ou será que só foram jogar uma suecada?

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