Classe nédia: a dicção de Mira Amaral

São conhecidas as dificuldades de dicção de Mira Amaral. Só isso explica que o jornalista tenha percebido que o banqueiro se tenha considerado um membro da “classe média”.

Do mesmo modo que transforma os RR num G, Mira Amaral (Miga para os amigos) trocou um N por um M. Na verdade, Mira Amaral pertence à classe nédia, um conjunto de pessoas assim conhecida porque as respectivas contas bancárias estão anafadas, uma vez que, sem se mexer, vão engordando, graças ao dinheiro – agora, sim – da classe média.

O ex-ministro, num raro assomo de honestidade, acredita que é tempo de pagar os favores que tem recebido do país e é por isso que defende que lhe devem aumentar os impostos.

Espero que isto esclareça algumas pessoas mais impulsivas que declararam que o senhor, por estar a brincar com quem vive com dificuldades, devia ir – e passo a citar – “ para a puta que o pariu!”. Também não me parece correcto afirmar que o senhor, para além de precisar de terapia da fala, seja merecedor de terapia do falo. Contenção, senhores!

Comments


  1. No actual regime neofeudal, Mira Amaral, tal como os outros economistas, gestores e comunicadores avençados, faz parte do Clero. As “corporations” são a Nobreza, e todos os outros somos o Terceiro Estado.

  2. JgMenos says:

    …sem se mexer…?!?!
    Sempre a crítica a perder-se em falsidades e mesqunhas terapias!
    O horror à diferença a prevalecer…


    • Sem se mexer, sim. Ou pelo menos sem se mexer para produzir seja o que for. As tacadas do golfe não contam.

      Há um estudo inglês, recente, em que são examinadas 6 profissões segundo a relação entre os ordenados que recebem e a riqueza que produzem. De acordo com este estudo, um empregado de limpeza num hospital enriquece a sociedade em £11,00 por cada £1,00 que ganha. Em posição simétrica estão os banqueiros de investimento, que empobrecem a sociedade em £11,00 por cada £1,00 que “ganham.” Mas pior que estes são os técnicos de contabilidade especializados em gestão fiscal: empobrecem a sociedade em £47,00 por cada £1,00 que recebem.

      São realmente diferenças às quais tenho um horror que o JgMenos nem imagina…

      • JgMenos says:

        Arrasador! Dediquemo-nos à limpeza!
        Comecemos pela limpeza de mentes que vêem na igualdade um valor que deve oprimir a diferença de capacidades, de vontades, de empenho, de inovação e de contributos para o bem comum, para criar uma sociedade que imita uma qualquer espécie animal mítica que acreditam poder criar-se.
        Se cuidassem de promover e bem gerir a diferença em vez de a combater…


        • A que propósito vem agora a igualdade? A igualdade absoluta é impossível e provavelmente indesejável; a desigualdade extrema é um mal condenado por todas as filosofias morais (excepto uma) que a humanidade inventou desde há milénios – e além disso, como mostra a investigação recente, um factor de ineficiência económica.

          Se o JgMenos quer dizer na sua que o empregado de limpeza devia ganhar 517 vezes mais que o contabilista (47×11=517), a coisa parece-me utópica mas interessante.

          Sobre as capacidades, a vontade, o empenho e a capacidade de inovação de um e de outro, não podemos presumir qualquer diferença: só poderíamos presumi-la se a tivéssemos medido. Sobre os contributos para o bem comum, que foram medidos, o do empregado de limpeza é 517 vezes maior do que o do contabilista.

          Será a isto que o JgMenos chama promover e gerir bem a diferença? Se não for a isto, não vejo ao que possa ser…

          • JgMenos says:

            Há seguramente mais de um critério de medida da diferença, e nenhum é completo.
            Um deles é muito simples: se é escasso e útil, vale mais que sendo útil e abundante!


          • Mas isso é apenas o funcionamento automático e cego dos mercados. Como escreveu o Nobel da Economia Daniel S. Kahneman, somos “humans” e não “econs”, ou seja, temos as nossas próprias regras, resultantes dos nossos desejos e das nossas opções morais, ao serviço das quais pomos as leis da natureza. As leis do mercado merecem o mesmo “respeito” que as leis da física, isto é: não nos compete servi-las, mas sim servirmo-nos delas. Mesmo admitindo que o rácio de 800/1 entre o salário dum CEO da McDonalds e o de um trabalhador num restaurante resultasse exclusivamente da lei da oferta e da procura (e não resulta; resulta também, e talvez sobretudo, da correlação de forças a nível político), a tendência de qualquer sociedade humana será sempre para esbater desequilíbrios desta ordem, mesmo que para tal seja necessário corrigir os mercados e retirar-lhes alguma da sua eficiência abstracta. A preferência por um grau aceitável de igualdade não é nenhuma invenção de mentes perversas e contra-natura, é uma característica universal observável não só no homo sapiens, mas em todos os primatas superiores.


  3. Estamos entregues aos bichos só vejo relatórios de conclusões
    exploratórias .

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