Hipócritas e Excêntricos: a solidariedade que nos vendem e o mundo real.

Tive finalmente oportunidade de ver a mediática entrevista de Lorenzo Carvalho a Judite de Sousa. Não há muito a acrescentar ao que já tem sido veiculado nos últimos dias: é um miúdo mimado que gasta dinheiro desenfreadamente (culpa dos pais e da educação que lhe deram), Judite de Sousa foi uma péssima profissional (até o professor Marcelo lhe passou um raspanete) e a escolha do entrevistado não admira se tivermos em conta os habituais critérios sensacionalistas da TVI. É a silly season no seu melhor!

Do discurso do jovem Lorenzo, que foi bem mais “articulado” do que era de esperar, principalmente quando confrontado com a agressividade do interrogatório de uma jornalista experiente num dia particularmente “incisivo” não há muito a dizer. Defendeu-se por trás do escudo do livre arbítrio, essa característica tão cara às democracias, e manteve a serenidade num contexto onde muitos explodiriam com facilidade. Houve, porém, algo que reteve a minha atenção: quando confrontado com a sua suposta ausência de intervenção social, o piloto da Ferrari repetiu várias vezes:

“eu nunca vou fazer nada que não seja sincero”

Correndo o risco de estar a fazer uma má interpretação, a ideia que me fica deste “eu nunca vou fazer nada que não seja sincero” equivale ao rapaz dizer que não vai andar por ai armado em altruísta apenas para parecer altruísta, fazendo solidariedade hipócrita para cultivar uma imagem de mecenas desinteressado. É egoísta? Poderá ser. Mas não deixa de ser sincero e contrasta com muita solidariedade hipócrita de alguns “notáveis” da nossa sociedade.

Curioso que a destemida jornalista nunca tenha tido a coragem de encostado à parede desta forma gente como Ricardo Salgado, António da Mota ou a família Mello cujas fundações e projectos de intervenção social para além de serem menos do que uma gota de água no oceano de recursos que sugaram ao Estado português ao longo de décadas, não passam, na esmagadora maioria dos casos, de fachadas para fugas a impostos e trocas de favores ao mesmo tempo que promovem uma imagem positiva de pessoas que contribuem mais para o afundamento do país do que propriamente para o seu desenvolvimento.

Deve ser frustrante para a Judite. Se calhar até teria vontade de confrontar os tubarões mas falta-lhe coragem e, perante um alvo fácil, descarregou neste o que deveria descarregar noutros seus entrevistados. Pelo menos o jovem Lorenzo não anda a roubar o país: escolheu-o para derreter a sua fortuna. Se calhar seria melhor que a fosse gastar para outro país. Ou que a usasse para brincar às clientelas e às PPP’s para depois distribuir umas migalhas e brincar aos pobrezinhos.

Comments


  1. aplauso sincero !

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