Olhou? vai preso

freiras a fumar

O Nuno Ramos de Almeida recordou no Facebook uma muito actual crónica do Manuel António Pina, Crime, Dizem Elas, a propósito dos piropos e sua criminalização na cabecinha das senhoras e meninas da Acção Católica, perdão, da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) e mesmo (minoritariamente) dentro do próprio Bloco de Esquerda. Fui conferir a notícia que inspirou o mestre em 2011, e aterrei nisto.

Isto, uma página de luta na justa causa do combate ao assédio sexual, deixa o piropo no cantinho do anedotário menor, e passa a um ataque mais complexo, não químico mas biológico:

Se é alvo de comentários, olhares, atitudes de teor sexual sem que o pretenda, está a ser alvo de assédio sexual!

Em português (mau, raios partam os pontos de exclamação) fico a saber que se uma senhora ou menina for alvo de um olhar estará a ser alvo de assédio. E como tal a vítima deve actuar em conformidade:

Comece, sempre por informar o assediador, verbalmente ou por escrito, quais as atitudes ou comportamentos específicos que considera ofensivos e que não aceita tal comportamento!

Caso o assédio sexual ocorra num local público deverá denunciar o caso às autoridades de segurança pública bem como a instituições que trabalhem na área dos direitos das mulheres.

Se o assédio sexual ocorrer no local de trabalho, para além das entidades mencionadas no parágrafo anterior, deverá denunciar o caso ao superior hierárquico (caso exista), ao sindicato dos trabalhadores e à Autoridade para as Condições do Trabalho.

Quer isto dizer que para as senhoras e meninas do Movimento Nacional Feminino, perdão, da UMAR um olhar pode ser pecaminoso, perdão, lúbrico, desculpem, assédio. Já tínhamos aquele clássico “se os olhos dele fossem uma pistola tinha caído fulminado“. Ficamos agora com outro olhar criminoso.

Suponho que a ideia passe pela engenharia, precisamos de uma oftalmo-assediómetro que dê objectividade à aleivosia, medindo a incidência do olhar alheio; sim, porque o olhar neste caso não deve ser para o rosto, ainda não chegámos ao Afeganistão, mas certamente dirigido a uma parte exposta do corpo feminino (no encantador mundo das meninas e senhoras das UMARES as vítimas são sempre mulheres e os homens sempre os criminosos).

Dado o risco a que se expõem as ditas cujas no seu dia-a-dia (ainda por cima os olhos costumam ser dois, uma deslealdade da natureza) atrevo-me a sugerir uma medida defensiva; mudem de trapinhos: enverguem um hábito de freira e a canalha apenas vos mirará a face.  É desconfortável, eu sei, mas na minha ingenuidade masculina supunha que um decote puxado no sentido da gravidade, ou uns calções bem justos eram livremente adquiridos e usados com o fito de exibir o belo corpinho que encerram, tolice a minha que uma vez ultrapassada pode passar ao contra-ataque: considerar a exibição do corpo feminino como uma armadilha para o meu olhar, que sempre se deteve com a mesma facilidade numas rolinhas esvoaçantes ou na perfeita curvatura de um nadegueiro, mesmo sabendo que no tocante à ave mais vale uma na mão que duas no soutien.

Ainda acabais, senhoras e meninas, de burka. No fundo no fundo, este feminismo púdico e desengonçado ao negar a sexualidade em liberdade (é melhor nem chamar para aqui o conceito de libertinagem, de Roger Vailland a José Cardoso Pires) que tanto trabalhinho deu a conquistar nos idos de 60/70, no caso português com uma participação praticamente nula das tristezas feministas da época que historicamente as telenovelas fizeram bem mais pela causa, remete para o puritanismo de um César das Neves ou um qualquer fundamentalista islâmico.  Porque essa é que é essa, a questão, política e orgástica (aguardo o orgasmo masculino precoce na prateleiras das fraudes contratuais, já faltou mais): o sexualmente correcto é um regresso ao passado, fascista, portanto. E isso não é um assunto menor, muito pelo contrário.

Comments

  1. Ricardo M Santos says:

    Eu só não sei em que te baseias para dizer que é minoritária ou maioritária. As reacções que tenho visto mais no 5dias do que aqui e no facebook não te dão razão.


  2. Isto até podia ser levado a brincar mas,encerra perigos enormes, a começar assim onde irá parar? Na definição em letra de lei do vestuário ,mais do feminino do que do masculino, por causa das paridades claro? Ou na polícia dos costumes?
    Tenho tido a sorte de conviver com quem se ofende, não com os piropos, com a falta deles.

    mário

  3. sustentabilidade says:

    A UMAR aderiu ao islamismo? Se calhar há males que vêem por bem.

  4. sinaizdefumo says:

    De rir à gargalhada, parabéns.

Trackbacks


  1. […] João José Cardoso e o Nuno Ramos de Almeida, boa memória lhes valha, deixaram a nu dois textos impagáveis sobre a polémica do piropo. Um, […]

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