Durão e os moralistas de Bruxelas

Um dos problemas de termos abdicado parcialmente da nossa soberania em favor desta espécie de projecto europeu em que nos metemos, reside no facto de termos que levar com lições de moral destes supostos representantes que ninguém elegeu para nos representar, nomeados pelos amigos e pelos amigos dos amigos.

Um desses moralistas é Durão Barroso, um homem que gosta de falar de responsabilidades mas que não hesitou em fugir às suas quando teve a primeira oportunidade. É que este senhor até foi escolhido democraticamente para Primeiro-Ministro de Portugal, mas, quando lhe deram a oportunidade de ser a terceira ou quarta escolha para servir os “führers” europeus, o homem lá foi, todo contente, servir a corte do eixo franco-alemão, como “bom aluno” português que é. Mas hey, até o Obama tem um cão português na Casa Branca!

Para além de nos ser completamente inútil enquanto presidente da Comissão Europeia, este antigo maoísta ainda gosta de mandar a sua boca. No outro dia, em Vilamoura e sem o punho erguido de outros tempos, falava no “caldo entornado” que seria se Portugal deixasse de seguir à risca o plano de destruição social a que está sujeito (e para além do qual o governo tanto gosta de ir), fazendo uso da habitual chantagem dos mercados e do aumento dos juros. Agora é o organismo a que preside que se vem juntar ao coro anti-Tribunal Constitucional. Há uns dias atrás surgiu um relatório e o cerco foi-se apertando. A ideia que tentam passar é a de que, caso haja um segundo resgate, a culpa será do TC e desses juízes anarquistas que se julgam no direito de interpretar a Constituição em benefício dos portugueses.

Era importante que alguém explicasse aos chernes que, se o “plano” está a falhar por culpa deles, do BCE e do FMI porque são eles que definem as regras do jogo. Estão com medo dos mercados? Então façam o favor de pedir ao Sr. Draghi que repita o feito do verão de 2012 e que diga aos mercados secundários de dívida que o BCE está disponível para adquirir dívida pública portuguesa para fazer baixar os juros da mesma. Funcionou uma vez, deve funcionar de novo. Não querem um segundo resgate? Aligeirem as metas do défice e alarguem o período para o pagamento da dívida. Ou sigam o conselho do Secretário de Estado Moedas quando em 2010 falava na urgência da renegociação da dívida. Agora não se venham é meter no normal funcionamento das  nossas instituições. Para isso já cá temos o Machete.

A União Europeia ainda não é uma federação. E, apesar de já não termos qualquer autonomia ao nível da política monetária, ainda somos donos das nossas instituições. Já nos chega um governo que chantageia constantemente o Tribunal Constitucional para camuflar a incompetência do seu plano. Será que precisamos mesmo de aturar esta gente de carácter e competência duvidosas a ameaçar o TC com um segundo resgate caso este faça, digamos, o seu trabalho? Isso sim são “activismos políticos” que todos nós dispensamos e que poderão ter consequências graves para o nosso país. Activismos que visam diminuir a nossa democracia. Se a oposição não tem força (ou é mais do mesmo), que o TC nos proteja dos falsos moralistas de Bruxelas, dos seus patrões banqueiros e dos parasitas governamentais para quem a austeridade parece não existir.

Comments

  1. nightwishpt says:

    Alguém que deixa o país nas mãos do Santana tem mais é que tar caladinho sobre o destino do país.


    • que nos deixa nas mãos do Santana e que anuncia a sua fuga na manhã seguinte ao Portugal x Inglaterra do Euro2004 enquanto a malta ressaca da festa da noite anterior…

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