Estranha forma de afrontação do poder

Submarino

Pedro Passos Coelho, líder dos ministros coitadinhos que pedem desculpa e mais recente Calimero da política portuguesa, tem apostado no discurso do homem vertical que está debaixo de fogo porque afrontou interesses poderosos. À parte do banqueiro Salgado, e apenas após este ter caído em desgraça, não se conhecem ainda esses poderosos interesses que o rapaz da Tecnoforma afrontou. A menos que queiramos assumir como real o discurso de alguns radicais de direita que catalogam os sindicatos como interesses poderosos da sociedade portuguesa. Terão o seu poder mas, tanto quanto se sabe, ainda não chamam boys do PSD ou do PS para os seus conselhos de administração, não influenciam a legislação nem beneficiam de prescrições milionárias em regime de total impunidade.

Posto isto é interessante ver a postura dos partidos da maioria na aparente recta final do mediático e polémico caso dos submarinos. Há duas semanas, os deputados da maioria, na habitual defesa dos seus interesses pessoais e partidários, decidiram chumbar a vinda de Paulo Portas à comissão de inquérito por considerarem a sua presença “desnecessária”. Já na Quarta-feira ficamos a saber que, no entender de PSD e CDS, os trabalhos da comissão de inquérito que investiga a aquisição de equipamentos militares como os submarinos ou os blindados Pandur estão terminados. Isto apesar de, segundo revelou o jornal Público, se estar mais perto do que nunca de descobrir o destino final dos 30 milhões pagos pelos alemães à ESCOM. Sabemos pelos jornais que uma parte acabou dividida entre os pobrezinhos da Comporta. Mas diz-se por ai que houve mais alguém a receber uns milhões. Terá sido o irrevogável?

Hoje, para fechar mais este esquema de corrupção político-partidária com chave de ouro, ficamos saber que o relatório preliminar da comissão de inquérito, o que não é mais do que uma decisão do PSD e CDS visto que estes podem tomar decisões unilaterais por estarem em maioria no Parlamento, refere que não existe “qualquer prova” ou “indícios” de ilegalidades por parte dos decisores políticos ou militares, não só no caso dos submarinos como em todos os casos de aquisição de material militar ligados ao mesmo processo. Daqui envio um especial agradecimento, enquanto contribuinte permanentemente assaltado pelos criminosos do bloco central, à maioria PSD/CDS na pessoa da deputada Mónica Ferro, a relatora deste documento que é ilustrativo sobre a forma como os calimeros de direita afrontam os poderosos.

Estranha forma de afrontar interesses poderosos. Enquanto que na Alemanha o mesmo caso levou à condenação de uma série de corruptos, em Portugal não se passa absolutamente nada. Durão há-de ser presidente, Guterres há-de ser presidente e Paulo Portas há-de continuar a ser o que lhe apetecer, nem que para isso tenha que criar uma crise política mais dispendiosa que qualquer chumbo do Tribunal Constitucional. O tuga continuará a assistir, continuará a dizer que são todos iguais, continuará a votar nos mesmos e quando estiver aborrecido com a seca que estes assuntos são pega na comando e selecciona uma qualquer distracção entre o lixo televisivo disponível. Impávido e formatado.

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