Auschwitz

Setenta anos após a libertação dos campos de Auschwitz pelo Exército Vermelho, na caminhada que de Estalinegrado e Kursk  até Berlim virou o rumo da guerra, relembro as vítimas que morreram duas vezes, uma às mãos do nazismo e todos os dias na continuação do esquecimento.

Relembro o Porajmos, 220000 ou 1500000 mortos, o maior genocídio (pelo menos relativamente à população total da etnia) cometido pelo mal que assolou a Alemanha e muito mais Europa.

Não se fizeram filmes e séries de televisão, não se escreveram prateleiras de livros, não lhes deram uma pátria porque também não a tinham (e ao menos por eles não se roubou a terra a outros), não constam dos manuais escolares. Não contam, são ciganos, e até nos massacres há vítimas que são mais vítimas do que outras.

Vinte e três mil ciganos alemães e austríacos foram prisioneiros em Auschwitz, e cerca de 20.000 deles foram mortos naquele local. Fonte.

Para saber mais: Embaixada Cigana

Comments

  1. A união dos povos, sejam eles religiosos, étnicos, raciais ou de outro género, deveria ser a mensagem a reter deste dia e não apenas a lembrança de parte deles como boa parte das notícias e artigos o fazem.

    É no sentido de lembrar ‘todas’ as vítimas do Holocausto que escrevi este texto: “Porque O Holocausto Também Passou Por Aqui” http://escrevergay.com/2015/01/27/porque-o-holocausto-tambem-passou-por-aqui/

  2. joao lopes says:

    os ciganos romenos tem para oferecer uma das melhores bandas do mundo:os taraf de haidouks.o prazer de os ouvir não é “pecado”,é mesmo o melhor que este mundo tem para oferecer

  3. A lista dos excluídos da memória colectiva quanto aos horrores da Alemanha Nazi é sem fim (podia-se dizer que dava um livro mas na verdade dava, e deu, vários)… grupos raciais demonizados, rebeldes culturais, dissidentes políticos, minorias sexuais, artistas impúdicos, inconformistas religiosos… mas o mundo fora da Alemanha era o que era em 1945 e foi esse mundo que definiu o cânone do que é aceitável colocar na tal memória colectiva.

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