Esbracejando em areias movediças

Passos com dor de cabeça

O segurançasocialgate de Passos Coelho transformou-se numa gigantesca bola de neve cujo impacto é ainda difícil de quantificar. Não me entendam mal: não acho que vá acontecer nada de particularmente grave com o indivíduo, até porque o Sócrates está preso e isso já chega para serenar a turba até 2046 no que a punir escumalha partidária diz respeito. Mas a verdade é que, de cada vez que abre a boca para falar no caso, o primeiro-ministro enterra-se mais um bocadinho. Depois de vários dias a contar histórias, a contradizer o passado, a provar a sua incompetência e a demonstrar que honrar dívidas é coisa que nem sempre lhe assiste, Don Pedro Passos Tecnoforma Coelho de Segurança Social e Massamá teve mais um momento digno de figurar no Tubo de Ensaio ou na Mixórdia de Temáticas:

Houve anos em que entreguei declarações e pagamentos fora de prazo com coima e juros, umas vezes por distracção, outras por falta de dinheiro” (declarações ao semanário SOL)

Quem nunca se atrasou com pagamentos ao estado que atire a primeira pedra. Todos temos o direito de ser vítimas da ocasional distracção, principalmente quando estamos tão ocupados a abrir portas e a gerir ONG’s de fachada para formações sem utilidade excepto a de sacar fundos europeus in association com os amigalhaços da jota. Outra coisa, essa sim verdadeiramente grave, é ver o sujeito com o historial de aldrabice de Passos Coelho alegar falta de dinheiro para justificar os incumprimentos na regularização da sua situação fiscal. É preciso ter uma cara de pau do tamanho do mundo. Coitadinho do Pedrinho que não tinha dinheiro para regularizar a sua situação fiscal. Tantas portas abertas, tantos cargos de administração, tantas crónicas no Público, no Expresso, no Independente e na Antena 1 e tantos anos como deputado e o coitado, possivelmente a trabalhar part-time num call-center para conseguir colocar comida na mesa, não conseguia orientar as suas continhas. Mais comovente que isto, só mesmo a nulidade de Boliqueime que não sabe como há-de pagar as contas que, na generalidade, nem tem que pagar porque somos nós que pagamos. Aliás, fica-nos mais caro a cada um que a rainha de Inglaterra a cada súbdito seu

Toma uma aspirina e tira dois dias para descansar Passos. Estás com mau aspecto. A malta até gosta de ver um aldrabão enterrar-se mas também era mais interessante se desses um bocadinho de luta. Sim, eu sei que tens os teus bloggers da corda e um batalhão de opinadores na imprensa preparados para (tentar) limpar o teu permanente rasto de esterco mas desconfio que comece a não ser suficiente. Na falta de melhor, é sempre gratificante ver-te enterrado nas areais movediças do patético. Continua a esbracejar, estamos a adorar.

Comments


  1. Dos pobrezinhos, dos queixinhas e dos piegas……

    Com 1 licenciatura nas mãos, este PM tem “um mundo à sua disposição” no dizer da sua ministra das Finanças.

    Emigre.

  2. Fernanda says:

  3. Fernanda says:

    Uma enxadazinha também te fazia bem, ó Pedro….

  4. joao lopes says:

    mais comovente do que ouvir o actual PM dizer que não tinha dinheiro;foi ouvir o actual PR dizer que o seu ordenado não lhe chegava para a despesas que tinha num mês.coitados do militantes do psd que só elegem gente pobre para chefiar esse exemplo de social deomocracia:exacto o pobre psd…que pobreza de gente,que alem de pobres ,são pobres de espirito

  5. Marquês Barão says:

    É verdade que as explicações de Passos não estão a sair bem. Mas não deixa de gerar alguma expectativa o silêncio sepulcral de alguns cuja mão em semelhantes massas está por explicar. Cheques, casas, reformas e outras que tais podem ter que rebentar nas mãos de muito boa gente.


  6. A actual governance é de uma pobreza Franciscana….

    O PR não tem dinheiro; o PM também não.

    O Marinho Pinto, pelo contrário, diz que recebe muito no parlamento europeu.

    Isto é tudo um bocado confuso. E, no final de contas, chegamos à conclusão de que quem não tem dinheiro é a gente. A que paga impostos de nível topo de gama, a que deixou de ter dinheiro para ter os filhos nas universidades, a que faz contas antes de aviar as receitas na farmácia, a que corta na luz e gás, a que come sandes (porque a Jonet diz que o bife não se aplica), a que já nem pensa em férias, em cinema, em teatro ou em comprar jornais, revistas ou livros, a que acorre às lojas Primark e chinesas para se vestir e à sua prole….a propósito desta coisa das lojas chinesas, veio-me à ideia o A. Costa e o Portugal que está diferente, e mais a sua irritação para com 1 jornalista, e mais o seu tacticismo bacoco e enjoativo, e mais esta mania de pretender gerir o país como se este fosse a Câmara de Lisboa, num pensamento anedótico do “Portugal é Lisboa, o resto é paisagem”.

    E lá vai ele e mais o território, e mais a agricultura, e mais as taxas, e outra vez mais o território e mais o mar e as taxas…..

    Ó acordas e tens os ditos no sítio, ou o melhor é juntares-te ao PR e mais ao PM e mais ao Lambretas e mais à Tereza leal Coelho e mais ao marco António e mais ao vice.

    Organiza-te , homem!

    Que já não há cú que aguente este regime.

Trackbacks


  1. […] caso para perguntar: onde estava este senhor enquanto o primeiro-ministro se ia enterrando, declaração esfarrapada após declaração esfarrapada? Tanta trapalhada que poderia ter sido […]


  2. […] apresentar Pedro Passos Coelho como referencial de estabilidade. O homem que mente para ser eleito, que se esquiva aos impostos alegando desconhecimento de leis por si aprovadas enquanto deputado, que se envolve em esquemas manhosos de “aberturas de portas” está […]


  3. […] lido à tirada épica sobre essa grande referência empresarial que é Dias Loureiro, passando pela comédia das contas que se esqueceu de pagar à Segurança Social, pela piada dos empregos que não queria dar aos amigos ou pelas anedotas diárias que nos servia […]

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