O Pravda de Netanyahu

Carniceiro Netanyahu

Depois da visita do jihadista de Telavive ao Congresso norte-americano para reunião com os seus pares da direita radical republicana, vim a saber que, tal como noutras latitudes onde os regimes repressivos e autoritários pontificam, também o indivíduo Netanyahu dispõe de imprensa supostamente livre ao seu serviço.

Talvez por a sua distribuição ser gratuita, o jornal Israel Hayom é o diário mais lido daquele país. Segundo o “insuspeito” The Economist, a sua actividade é dedicada a apoiar incondicionalmente as políticas do actual governo e a glorificar Netanyahu enquanto ataca violentamente todos os seus opositores. Avigdor Lieberman, ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, chamou-lhe Pravda.

O rosto por trás da publicação do regime israelita é Sheldon Adelson, multimilionário norte-americano de ascendência judia casado com uma israelita que, há vários anos, acrescenta o The Economist, financia campanhas do partido Republicano e oferece viagens a Israel a milhares de figuras de relevo na sociedade norte-americana, incluindo muitos dos parlamentares republicanos que há duas semanas atrás convidaram o seu amigo Netanyahu para proferir uma série de barbaridades na câmara baixa do Congresso num acto denunciado de campanha eleitoral e de tentativa de pressionar Barack Obama a não levar por diante qualquer acordo com Teerão.

Felizmente, e para o bem dos seus vizinhos e do que resta da imprensa livre e da democracia, este estratagema conservador-fascista está a fazer ricochete. Opositores que amanhã enfrentarão Netanyahu nas urnas acusam-no de conluio com Adelson, alegando que a publicação pró-Netanyahu infringe leis no âmbito do financiamento eleitoral. Ingénuo, o ainda primeiro-ministro israelita saiu em defesa do seu jornal no Twitter e a reacção criou ondas de choque. Por um lado, os críticos acusam-no de se confundir com a linha editorial do Israel Hayom. Por outro, crescem suspeitas que o pedido de antecipação de eleições feito pelo próprio Benjamin Netanyahu poderá ter sido motivado pela aprovação preliminar de um projecto-lei com vista a acabar com a distribuição de publicações jornalísticas gratuitas menos de um mês antes de Netanyahu ter dissolvido o Parlamento.

Apesar de não ter nada a ver com o assunto, espero sinceramente que Netanyahu seja amanhã esmagado nas urnas. Estou certo que os israelitas conseguem melhor que um carniceiro fascista com tiques de ditador que junta a postura belicista de um agressor sem respeito pelos seus vizinhos com maquinações subversivas que lhe permitem instrumentalizar um jornal in association com um primata apologista da violência gratuita.

Boa sorte Israel!

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    O desenho era uma excelente entrada para o Charlie Hebdo… Mas se calhar ocorreria depois um atentado vindo do outro lado.

    • José almeida says:

      Excelente artigo e…. desenho. Aprecio a forma como Jorge Mendes usa a liberdade de expressão. Directo, correcto e bem informado. Parabéns.

    • José almeida says:

      Caro Ernesto Ribeiro, eu queria comentar o artigo de Jorge Mendes, e não responder ao seu comentário. Aproveito para lhe enviar os meus cumprimentos.

  2. martinhopm says:

    O «cartoon» assenta que nem uma luva no (actual) 1º. Min. israelita. hoje a votos.
    Só me admiro é que o governo dos EUA, defensor acérrimo dos direitos humanos (ou que se proclama como tal), não tenha colocado este governo na lista de entidades terroristas, Por que será?

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