Richard Cohen, o curandeiro de homossexuais

Cohen

Este é Richard Cohen, um gay healer (curador, curandeiro, otário, o que preferirem) que viveu um passado de vergonha e dor por ter sido contaminado por esse flagelo contemporâneo que é a homossexualidade, essa terrível doença que podemos contrair através da utilização de sanitas públicas, sexo com almofadas anteriormente utilizadas por outros homossexuais ou mesmo através do contacto com outros infectados por esta maleita do demo. E se existem autoridades mundiais no que a este assunto diz respeito, poucos chegarão ao brilhantismo de Cohen que, para além da experiência como psicoterapeuta e educador (foda-se!!!), é também um orgulhoso ex-gay capaz de ajudar qualquer ser vivo a realizar todos os seus sonhos heterossexuais. Hip Hip Hurray for Ex-Gays!

O indivíduo em questão foi o cabeça-de-cartaz de uma conferência promovida pelo Centro de Recursos Pessoa, Família e Sociedade (CRPFS), uma organização da qual nunca ouvi falar e sobre a qual praticamente não existe informação para além de um blogue que aparenta ser o órgão de comunicação desta coisa estranha. Inicialmente, a conferência chegou a ter o apoio do Patriarcado de Lisboa, apoio esse que acabou por ser retirado devido à pressão da associação de homossexuais católicos Novos Rumos, que se mostrou chocada com aquilo que considerou uma “situação lamentável” de promover uma conferência onde pontificava “alguém cujas teorias se encontram subjacentes às leis que permitem matar pessoas homossexuais no Uganda“.

Sobre esta organização obscura, vale a pena ler a opinião de Carlos Reis no Facebook. Homofobia militante e vigarice são os termos que, a meu ver, melhor descrevem este episódio. Vale também a pena dar uma vista de olhos na notícia da Rádio Renascença sobre a conferência. Entre outras pérolas que parecem demonstrar um alinhamento entre o braço radiofónico da igreja e este embuste, Cohen é descrito pela RR como alguém que “Tem ajudado milhares de homens e mulheres em todo o mundo a deixarem a indesejada atracção sexual pelo mesmo sexo e a realizarem a sua vida como heterossexuais.“. Conservadorismo retrógrado e parolo em todo o seu esplendor. Já no campo do patético, a mesma notícia cita Cohen que referia trazer para a conferência um “ponto de vista científico“, para logo a seguir citar o Catecismo da Igreja Católica, esse ícone da ciência.

A igreja parece não aprender as suas lições, nem com o Papa mais revolucionário da história à frente do Vaticano. Apoiar um evento que dá espaço às teorias de um fundamentalista, que encara a homossexualidade como uma doença a combater e que é idolatrado em países onde homossexuais são perseguidos, espancados e assassinados, é verdadeiramente vergonhoso e demonstra um grau de incoerência gritante face aos ensinamentos que a instituição Igreja Católica diz ter como seus. Parafraseando Bruno Nogueira, “é nestas alturas que a igreja tem pena de não ter o telefone de um curador de pedófilos“.

P.S. Sabem que estava na plateia? João César das Neves. Faz sentido. Falta saber se o arquitecto Saraiva também terá passado por lá.

Comments

  1. Ricardo Santos Pinto says:

    Não podes negar que tem uma boca muito… sugestiva.


  2. Richard Cohen «é idolatrado em países onde homossexuais são perseguidos, espancados e assassinados».

    Suponho que tem provas desta afirmação (?)…


      • Não vale muito, como aliás quase tudo o que o Huffington Post publica…

        Porém, e apesar de no texto cuja ligação indicou se afirmar que o trabalho de Richard Cohen serviu de inspiração àquela (reprovável) legislação no Uganda, há nele uma ligação para outro texto do HP em que, de facto, alguns norte-americanos que visitaram aquele país africano, e/ou cujas ideias são seguidas lá, são nomeados… e nenhum deles é Cohen.

        De qualquer forma, o mais importante – e como seria de esperar – é que Richard Cohen discorda de que sejam aplicadas aos homossexuais penas de prisão, ou, pior, de morte.


        • E trata-os como doentes como se a homossexualidade fosse uma doença. É um paranóico e um lunático.


          • É a sua opinião (que não é um facto), não a daqueles que recorrem à ajuda dele… e a tal não são obrigados: vão porque querem. Trata-se, afinal, de mais um exemplo de exercício da liberdade de expressão.


          • Imagino que veja também o trabalho dos pastores da IURD que vendem indulgências como um exercício de liberdade de expressão. Estarei certo?


          • Se os compradores são adultos e na plena posse dos seus direitos… que gastem o dinheiro deles como quiserem.

  3. Carvalho N.A. Folha says:

    Mas esta gente existe? É assustador pensar que um cérebro com cerca de 8 mil milhões de neurónios consiga albergar tanta imbecilidade. É obra.
    Nem vale a pena lembrar as teorias freudianas, que diriam que este energúmeno não passa de um homossexual recalcado, um tipo que não assume aquilo que é, porque lhe provoca tal vergonha sê-lo que a forma que encontra de sublimar a coisa é perseguir os que são semelhantes a si mesmo. Que falta de auto-consciência…

  4. Carvalho N.A. Folha says:

    Só uma dúvida científica: além dessa coisa das almofadas usadas e das sanitas públicas, votar no CDS também propaga a homossexualidade ou é apenas um acto estúpido?


    • Votar no CDS é, acima de tudo, uma opção. Eu não votaria mas respeito quem o faça como respeito qualquer masoquista que goste de se autoflagelar.

      • Carvalho N.A. Folha says:

        É a sua opinião e gabo-lhe a tolerância.
        Eu não consigo respeitar alguém que vota em escumalha; nem me merece qualquer consideração; para mim, quem vota no CDS está ao nível de um pedófilo ou de alguém que viola a própria mãe: não passa de uma besta.
        Mas eu tenho mau feitio, claro.


        • Se tem mau feitio ou não não sei, não o conheço. Mas tenho que confessar que vejo as suas comparações como excessivamente radicais. Pessoalmente não tenho a mínima simpatia pela estrutura mas dai a compará-los com pedófilos…

          • Carvalho N.A. Folha says:

            Tem razão. De facto, foi ofensivo para os pedófilos…


  5. O papa é revolucionário uma ova. O vaticano quer é mais gente para o rebanho.


    • Tens que admitir que este Papa é de longe muito melhor que todos os que vieram antes dele. Claro que continua a servir os interesses da instituição que lidera mas que até hoje nunca nenhum dos seus antecessores teve um discurso tão crítico da realidade política e social do mundo, apontado o dedo a situações que nem nos nossos sonhos mais bonitos imaginávamos um papa a apontar, acho que não existem grandes dúvidas. Não concordas?


      • Não acredito nele portanto não concordo. É tudo muito espectáculo para ficar tudo na mesma.


        • E apesar disso conseguiu incutir alguma revolta na sociedade civil contra o regime político corrupto internacional!


          • Eu não vejo isso. Chama-me sectário, o que tu quiseres, para mim isto não passa de banha da cobra. Eles tinham uma imagem muito enfraquecida, a carneirada não estava a gostar do papa declaradamente nazi e agora escolheram um gajo que parece ser um gajo porreiro, mas é só o líder duma das piores máfias do mundo.

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