Conversas encomendadas entre um caloteiro desonesto e um maçon alucinado

Passos Montenegro

Foto@Lusa/TVI24

Na foto em cima podemos encontrar um caloteiro fiscal com gosto pela mentira, um maçon que alucina com realidades sociais inexistentes e um companheiro de ambos sob investigação por ser o alegado cérebro de uma complexa rede de tráfico de influências que terá lesado o país em alguns milhões de euros, com esquemas de ajustes directos e favorecimentos variados à mistura. Os dois primeiros protagonizaram hoje, no Parlamento, um exercício de aldrabice pré-eleitoral, área em que pelo menos o primeiro é uma das maiores autoridades nacionais, ao voltar a tentar colar os seus pares socialistas aos gregos do Syriza. Isto é estúpido por vários motivos, fáceis de perceber, mas destacaria apenas o facto do Syriza ser um partido de esquerda enquanto que o PS é uma espécie de híbrido do centrão que consegue conciliar belos poemas de Manuel Alegre com o apoio envergonhado à austeridade e um programa eleitoral coordenado por um liberal.

Porque é que o PSD faz isto? É simples: porque o PSD é um partido cinzento, sem ideias, como de resto ficou provado por aquela espécie de programa eleitoral que apresentaram no dia em que o Jorge Jesus foi contratado pelo Sporting. Um partido desgastado por sucessivos escândalos com inúmeros dirigentes e figuras de topo associadas a esquemas de corrupção, tráfico de influências e favorecimentos variados que precisa de se agarrar a chavões que entrem no ouvido. No debate de hoje, e segundo o Expresso, o líder parlamentar do PSD acusou o PS de inconsistência programática, defendendo que é preciso rejeitar a “mudança errática, acrobática, radical do PS e do Syriza“. Como se as alucinações não fossem suficientes, Montenegro tenta reduzir os portugueses a idiotas ignorantes fazendo esta colagem absolutamente patética e intelectualmente desonesta, a fazer lembrar outra inconsistência programática que presenciamos em 2011 quando Pedro Passos Coelho aldrabou descaradamente o país com um rol de mentiras sobejamente conhecidas.

Nesta conversa claramente encomendada e integrada na estratégia eleitoral do PSD, não poderia deixar de haver a habitual farpa ao Syriza. Fazer uma comparação idiota com o Partido Socialista não era suficiente. Interessante ver pessoas como Passos Coelho e Luís Montenegro falar sobre consequências de escolhas políticas, eles que defenderam e aprovaram tantas que levaram ao aumento da pobreza, da emigração, da degradação das condições laborais ou da insustentabilidade do SNS e consequente aumento de mortes nas urgências portuguesas. Mais estranho ainda vê-los agora falar sobre consequências das escolhas políticas de um governo eleito há meio ano, quando andaram anos remetidos à sua cobardia sem levantar uma questão que fosse sobre as consequências das escolhas políticas dos seus amigos da Nova Democracia que afundaram a Grécia em parceria com o PASOK. Lá como por cá, os irresponsáveis e os incompetentes são sempre os mesmos. Cobardes e sempre a tentar empurrar as suas responsabilidades para terceiros.

Comments


  1. Mas não há ninguém que os meta atrás das grades ??

    Mas que choldra de país !

  2. Ana A. says:

    É a agonia da esperança numa democracia, em que o seu grau deveria estar a elevar-se, mas pelo contrário, está a afundar-se, e os jovens (sem ser os jotinhas) nem sequer querem ouvir falar de política. Pudera!


  3. …os três estarolas…..no seu esplendor……….!!!!!

  4. Manuel Lopes says:

    O esplendor do poder. Perguntem a estes senhores pela taxa de suicídio em Portugal, principalmente na faixa etária da população activa. Talvez eles respondam que é um excelente sinal a taxa de desemprego estar a descer…

  5. ZE LOPES says:

    Gostei muito do nome da coligação! É modernaço! Mas interrogo-me: com um embusteiro ao volante e um irrevogável no lugar do morto não seria mais correto chamar-se “Portugal lá Atrás”?

  6. joseluisjrsilva says:

    O pior é que com a estratégia de colar o P.S ao Syriza e semear o medo na população, estes aldrabões ainda ganham outra vez! Gostava que o P.S. tivesse uma posição de ruptura com Sócrates e que António Costa apostásse em fazer diferente, afastando do P.S. Muitos barões que só têm a intenção de buscarem favorecimento pessoal! O País precisa que isso aconteça!

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