Rigorosamente despesistas

Passos Salazar

Foto@A Viagem dos Argonautas

Não sabemos se o compêndio de Pedro Passos Coelho sobre Salazar virá ou não incluído no novo lote de viaturas novinhas em folha que acabamos de adquirir para assessores e outros boys membros da sua equipa. No total, segundo o Correio da Manhã, são 34 viaturas que terão um custo de 18 mil euros por mês. Uma migalhinha no contexto desta crise que nos fustiga, um óptimo exemplo para os portugueses a quem os partidos beneficiários acusaram de viver acima das suas possibilidades. E se há funcionários públicos neste país a viver acima das suas possibilidades, esses funcionários são os políticos da casta.

É uma questão que me aborrece, isto da casta ter subsídios para tudo e mais alguma coisa. São carros de alta cilindrada, ajudas de custo milionárias, subsídios de habitação, regimes especiais para isto e para aquilo, banquetes com bom marisco, enfim. O verdadeiro forrobodó. Um professor do Porto que vá dar aulas para Évora desloca-se no seu carro, sem ajudas de custo para gasolina, aluga a sua nova casa ou quarto, usando para isso parte do seu salário e não goza de imunidades perante a lei. O mesmo se aplica à esmagadora maioria dos restantes funcionários públicos, a quem de resto têm vindo a ser subtraídas parcelas dos seus salários e posteriormente pensões. E ainda arranjam maneira de ser rotulados de despesistas, gente que vive permanentemente acima das suas possibilidades.

Não percebo nem nunca irei perceber. Que um Presidente da República ou Primeiro-Ministro tenham viatura de serviço, isso eu até percebo. À partida seria para irem trabalhando pelo caminho nas suas inúmeras deslocações. Agora um assessor ou chefe de gabinete, malta que em muitos casos recebeu esse belo e bem remunerado cargo fruto de bons desempenhos a abanar bandeiras ou a angariar votos numa qualquer concelhia, isso faz-me muita confusão. Porque eu não quero pagar mordomias a essas pessoas. E estou certo que a esmagadora maioria dos meus conterrâneos também não. Então o país está em crise, cercado pela asfixia fiscal, vítima de cortes para aqui e para acolá e esta gente em vez de exemplo dá-nos mais despesa? Que raio de rigor é este?

Comments


  1. Que os boys tivessem uma viatura de função eu até poderia perceber. Porque se tiverem de efectuar uma deslocação oficial acaba por ser paga directa ou indirectamente pelo contribuinte. Já tenho mais dificuldade em aceitar que a viatura de serviço para alguém que exerce funções abaixo de ministro tenha de ser topo de gama.
    Um secretário de Estado em meu entender poderia perfeitamente ter um veículo do segmento abaixo do ministro, um subsecretário de Estado e assessores ficarem com uma gama média. E não trocarem à lá carte, mas sim porque a viatura já tem X kms percorridos…
    O resultado do regabofe é o parque de viaturas do Estado. Talvez seja altura de alguém investigar o que existe por lá. Não é um exclusivo deste governo, a prática vem de trás, mas em tempos de aperto financeiro seria bom que parassem com este tipo de ostentações…
    Mesmo que sejam apenas migalhas para a despesa pública, os sinais também contam, e muito. Os ingleses falam em dinheiro do contribuinte, em Portugal dizem que é dinheiro público, como se estivessem a gastar algo que não tem dono…


  2. Rigor a roubar, a mentir, aldrabar, a desperdiçar, a destruir, e a impor a ideologia fascista.

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  1. […] Ora a tal festa, organizada pelo próprio conselho de administração da IP, empresa que de resto foi criada pelo actual governo com o intuito de reduzir despesa, teve um custo directo de 130 mil euros, de um total que, segundo o JN, se terá cifrado em 300 mil euros. Um gasto absurdo e injustificável, agravado se considerarmos os cortes e outras penalizações que o governo impôs aos trabalhadores das duas empresas agora agregadas na IP. Chega a ser obsceno que se gaste este montante sob a supervisão de um governo que vomita rigor e que alimenta de forma hipócrita uma cruzada contra o despesismo que n…. […]


  2. […] nas fileiras da JSD e da JP que partilham a imunidade face à inevitável austeridade e que se passeiam em boas máquinas de alta cilindrada, com o alto patrocínio de um povo cada vez mais precário. A lista é imensa e está mais do que […]

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