Porque os sociais-democratas estão-se afastar do actual PSD.

O programa eleitoral da coligação PSD / CDS está muito longe da matriz social-democrata que defendo e que esteve na génese fundação do PPD / PSD pelo Dr. Francisco Sá Carneiro.

Lamento que o programa da coligação tenha uma marca mais forte do CDS do que do PSD. Um exemplo paradigmático é o Estado aparecer como assistencialista sendo que o desenvolvimento social é defendido à custa da contratação pública.

Entendo a social-democracia como uma ideologia em que o estado social deve assentar em três pilares basilares, a saúde, a educação e a segurança social. E estes pilares devem ser garantidos pelo Estado. Se assim não for estamos perante um regime assistencialista em que o Estado apenas paga aos coitadinhos dos pobrezinhos. Esta é uma visão inaceitável hiper-redutora do papel do Estado.

Entendo que o papel do Estado está muito longe de se resumir apenas a responsabilizar-se por aqueles que não conseguem ter acesso aos serviços essenciais condizentes com uma vida humana condigna.

No programa eleitoral é também notória a opção pela liberdade de escolha do contribuinte, sendo que desta forma o Estado aparece, em diversas situações, apenas como regulador e fiscalizador.

Uma situação é o Estado poder ser libertado de determinadas funções que podem ser levadas a cabo perfeitamente pelo sector privado, porém, outra completamente diferente é o Estado deixar de garantir estes serviços com qualidade à generalidade dos portugueses.

No que diz respeito às listas dos candidatos a deputados vemos aparecer nas listas pessoas que não reunem os requisitos mínimos aprovados pelo conselho nacional do PSD, sendo que uma ou outra representam mesmo o seu contrário.

Também curiosa foi a forma como no conselho nacional foram votadas as listas. Fiquei estupefacto quando tive conhecimento que a votação foi efectuada de braço no ar, como defendeu Estaline e como ainda acontece no comité central do PCP, na Venezuela, em Cuba ou na Coreia do Norte. Esta, obviamente,foi uma forma de condicionar o voto dos conselheiros nacionais.

Temos o PSD a regredir para os ” tempos da outra senhora “. Infelizmente conheço, no distrito do Porto, estas ” unanimidades” fundadas em métodos que são conhecidos por muitos militantes do PSD do Distrito do Porto.

Mas afinal em Democracia quem tem medo do voto secreto? Eu não tenho e se o meu nome fizesse parte das listas exigiria que o voto fosse secreto.

Neste processo foi notório que não existiu pela parte da direcção nacional do PSD um esforço para incluir pesssoas de outras sensibilidades existentes no partido.

Em 2009, Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas foram deixados de fora das listas pela direcção de Manuela Ferreira Leite, apesar dos seus nomes terem sido indicados de forma legítima respectivamente pelas distritais de Vila Real e Santarém.

É bom recordar que na altura Passos e Relvas criticaram estas decisões e na minha opinião com toda a razão. Na altura houve também outros dirigentes a criticarem a opção de Manuela Ferreira Leite, nomeadamente os actuais vice-presidentes do PSD, Carlos Carreiras e Pedro Pinto, por entenderem que a tradição do partido sempre esteve na diversidade e pluralidade de opiniões. Infelizmente esqueceram-se daqueles que eram, e bem os seus princípios, para passarem a ter rapidamente um comportamento político igual àquele ao que criticaram no processo da formação das listas no ano de 2009 com Manuela Ferreira Leite.

É por estas e por outras razões que vejo todos os dias muitos sociais-democratas a afastarem-se deste Partido Social Democrata.psd-novo-logotipo

Comments

  1. Nightwish says:

    “Uma situação é o Estado poder ser libertado de determinadas funções que podem ser levadas a cabo perfeitamente pelo sector privado, ”
    E se o estado continuar a ter determinadas funções, mas pagar muito mais a um privado para o fazer (mal)? Isso é o que o governo mais tem feito.


  2. Eu, por exemplo,não voltarei a votar PPD/PSD enquanto Passos for candidato a 1º Ministro. Um homem que persegue reformados e funcionários não pode continuar no poder. Deve ser excluído para bem de Portugal e dos portugueses.

  3. joão lopes says:

    “a votação foi efectuada de braço no ar…”com esta simples frase percebi que o ppd tambem já tem…comité central?posso brincar um bocadinho e dizer que o passos estava bem na…coreia do norte/cuba/venezuela/etc?ou que a siberia tambem não lhe fazia nada mal? sabe que os trolls do psd adoram este tipo de argumentos.continuando a rir(muito) acho que o pato donald (trampa) era um bom apoio para este franchinsing(este psd) do tea party.alias a assunção é bem parecida com a palin e o chefe de estado mais sexy do mundo bem podia dar uma entrevista á tininha do ginasio(ou seja a gritadora oficial de portugal).

  4. J.Pinto says:

    A social democracia é de esquerda (pelo menos é o que diz o Exmo Sr Dr Só Ares – http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3776465&seccao=M%E1rio%20Soares&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco&page=-1) e Portugal já tem muitos partidos de esquerda, não acha?

    Se calhar, é por termos sido governados durante tanto tempo por partidos de esquerda (PS e PSD) que estamos como estamos. 3 bancarrotas em menos de 40 anos é obra. Somos mesmo imbatíveis na Óropa…

  5. Carvalho says:

    “Porque os social-democratas estão a afastar-se do actual PSD” é capaz de ser mais correcto, não? Em português, quero eu dizer…


  6. O Estado (lato sensu) tem sido uma galinha de ovos de ouro para alguns privados que surgem aparentemente com uma função supletiva, contudo sacam chorudos benefícios à custa de negociatas pouco transparentes que mais parecem ser feitas à medida…

Trackbacks


  1. […] Paulo, o PPD foi fundado nos escombros da União Nacional, aproveitando a estrutura local que estivera […]


  2. […] As estruturas partidárias, ao nível local e distrital, passaram a servir apenas para preencher lugares com salários chorudos. A actividade política da maioria destas estruturas passou ser bienal, coincidindo com o respectivo calendário eleitoral interno. O debate terminou. Passou-se a considerar anormal a existências de listas opositoras. O regime vigente passou a ser o de lista única. O pensamento passou a ser único. Os que pensam de forma diferente passaram a ser excluídos, silenciados e marginalizados. E até se passaram aprovar listas de deputados de braço no ar ao melhor estilo “ estalinista “. […]


  3. […] Aliás, é curioso que na mesma página uma notícia sobre a recandidatura de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD anuncia como seu slogan de campanha ” Social-democracia, sempre! “. Ainda bem que Passos Coelho percebeu que muitos sociais-democratas estavam-se a afastar do PSD. […]

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.