Funerais de Sá Carneiro e Mário Soares

funeral
Miguel Teixeira

– o “culto” do disparate numa comparação infeliz

Tenho assistido com alguma perplexidade e até surpresa à comparação da afluência do povo aos funerais de Francisco Sá Carneiro e Mário Soares, comparações que são absolutamente disparatadas e desfasadas no tempo e na situação política. Essas comparações têm-nos chegado através de “sites” ligados à Direita radical que não perdoam a Mário Soares o apressado processo de “descolonização”(embora como se tem visto nos últimos dias através de vários testemunhos à Direita, cito Ribeiro e Castro, ex. Presidente do CDS, é injusto ele ser unilateralmente responsabilizado) e ainda por comentadores radicais como João Miguel Tavares.
Em primeiro lugar, devo dizer que considero o Dr. Francisco Sá Carneiro um dos vultos maiores da nossa democracia, que lutou incansavelmente por um Portugal mais justo, tolerante e solidário. Fundou o PPD, um partido de centro esquerda, que pediu inclusivamente adesão à Internacional socialista, situação que alguns mais jovens poderão desconhecer. [Read more…]

Regresso à social-democracia

350_9789722043601_por_uma_democracia_social_portuguesa-1Ontem o Diário de Notícias noticiou que Pedro Passos Coelho quer fazer regressar o PSD à social-democracia mas isto não é possível fazer-se com a tralha ” pafiana “ que quase destruiu o que Francisco Sá Carneiro fundou e construiu com muito esforço, trabalho e dedicação.

Porque se alguém pensa que esta mudança se faz com slogans está muito enganado.

É que a transformação que o PSD sofreu nos últimos anos foi muito grande e deixou profundas cicatrizes.

Em diversas situações ouvi diversos governantes e dirigentes afirmarem e defenderem absolutamente o contrário do está escrito nos princípios programáticos do Partido.

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Não há futuro sem memória

No seguimento do actual momento político recordo aos actuais dirigentes do PSD uma entrevista que Francisco Sá Carneiro deu, em 21/11/1979, ao extinto semanário “Tempo” em que afirmou

“sou estruturalmente antipresidencialista e sempre entendi que, em Democracia, a política deve ter no Parlamento a sua razão e o seu objectivo.”

Estou convicto que se, muitos destes “novos donos” do PSD, conhecessem o pensamento político do fundador do PPD/PSD sobre o papel fundamental e primordial do Parlamento não tivessem dito e repetido tanta asneirada.

O verdadeiro problema está nas lideranças dos partidos políticos.

sá-Carneiro
Nestes últimos dias reli uma biografia de Francisco Sá Carneiro e alguns dos seus discursos.

Eu que acredito muito pouco nos principais actuais dirigentes do PSD questionei-me como foi possível uma deriva tão grande nos princípios, nos valores, nas causas, na ética e na coragem política que eram a força do PPD-PSD.

Francisco Sá Carneiro era mesmo um homem e um político único. Os seus discursos, o seu carisma, o seu olhar e a sua força transmitiam convicção, verdade, coerência e um verdadeiro e enorme sentido de estado.

Apenas, por isso, conseguiu fundar, com sucesso, um partido genuinamente português, fora da lógicas doutrinárias europeias puras da democracia-cristã, do socialismo ou do comunismo.

É pura evidência que estamos perante um problema grave de falta de lideranças, de homens e mulheres, que consigam voltar a mobilizar os portugueses para um grande e verdadeiro desígnio para o nosso país.

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Um País dirigido por governantes e políticos fracos, nunca poderá ser um País Forte.

Tinha 18 anos quando me filiei no PPD / PSD, já lá vão 24 anos. Tenho muito orgulho em ser social-democrata. Acredito na social-democracia de Willy Brandt que teve como seguidores, entre outros, Olof Palme e Francisco Sá Carneiro, que veio a fundar o PPD a 6 de Maio de 1974.

logo ppd+psd

Identifico-me com um PSD que, como um dia descreveu Francisco Sá Carneiro, não assenta ” apenas numa simples democracia formal, burguesa, mas sim, numa autêntica democracia política, económica, social e cultural. Uma democracia política que implica o reconhecimento da soberania popular na definição dos órgãos do poder político, na escolha dos seus titulares e na sua fiscalização e responsabilização, que exige a garantia intransigente das liberdades individuais, o pluralismo efectivo a todos os níveis e o respeito das minorias, não existe democracia se não houver alternância democrática dos partidos no poder, mediante eleições livres, com sufrágio universal, directo e secreto.”

Entendo, como sempre defendeu Sá Carneiro, que a democracia social impõe que sejam assegurados efectivamente os direitos fundamentais de todos à saúde, à habitação, ao bem-estar e à segurança social, e exige a abolição das distinções entre classes sociais diversas e a redistribuição dos rendimentos, pela utilização de uma fiscalidade justa e progressiva.”

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Porque os sociais-democratas estão-se afastar do actual PSD.

O programa eleitoral da coligação PSD / CDS está muito longe da matriz social-democrata que defendo e que esteve na génese fundação do PPD / PSD pelo Dr. Francisco Sá Carneiro.

Lamento que o programa da coligação tenha uma marca mais forte do CDS do que do PSD. Um exemplo paradigmático é o Estado aparecer como assistencialista sendo que o desenvolvimento social é defendido à custa da contratação pública.

Entendo a social-democracia como uma ideologia em que o estado social deve assentar em três pilares basilares, a saúde, a educação e a segurança social. E estes pilares devem ser garantidos pelo Estado. Se assim não for estamos perante um regime assistencialista em que o Estado apenas paga aos coitadinhos dos pobrezinhos. Esta é uma visão inaceitável hiper-redutora do papel do Estado.
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Fartos de Sujeira

Fernanda Leitão

Algumas vezes tenho ouvido e lido pessoas com responsabilidades na vida pública inquietas com o que lhes parece a aversão dos portugueses aos políticos e à política. Nem sempre o que parece é e por isso discordo dessa opinião. E explico porquê.

Os portugueses apreciam a política quanto baste e, em algumas ocasiões,têm mostrado discernimento e maturidade. Uma dessas ocasiões foi quando, nas primeiras eleições livres, rejeitaram a maioria que o PC ambicionava: perceberam que não era inteligente, nem sensato, substituir uma ditadura de 48 anos por outra ditadura que, na altura, já escravizava há dezenas de anos vários países no mundo. Na sua grande maioria, os portugueses apreciam o centro-esquerda e por isso o CDS só tem chegado ao poder como atrelado do PS ou do PSD, para fazer número e negociatas, ao passo que o PC e a extrema esquerda se mantêm numa marginalidade ruidosa mas de utilidade. Reviram-se em Francisco Sá Carneiro e os fundadores do PSD,todos eles de centro esquerda, homens que se pautaram por honestidade e mãos limpas de quem, com verdade, não se pode dizer que usaram a política para encherem os bolsos. E deram o seu apoio eleitoral ao PS sempre que este enfrentou os comunistas ou simplesmente era alternativa de poder.

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Francisco Sá Carneiro Visto Pelos Outros

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O debate começa dentro de momentos, às 19h 30,  e é transmitido em directo via Sapo. Como entre Sapo e WordPress há uma espécie de conflito zoológico (o WordPress ponto com não é anfíbio) é possível que esta janela não funcione, mas uma vez que o representante do 5Dias também é desta casa, em caso de problema não fica mal convidar-vos a assistir a partir da casa do vizinho, ou seja, clicando aqui.

Estranhas manobras

O surrealismo lusitano, canta e ri, corre e dança, inebriante, vicioso, contagiante. Num carrossel contínuo que mal permite repor o fôlego. Tudo é informação, tudo é actualidade, e no entanto nada parece verosímil.

Dois episódios de ontem, deste carrossel:

1 – A escova de Francisco Louçã sobre os ombros de José Sócrates, no plenário parlamentar, em híbrido gesto de solidariedade para com o Primeiro-Ministro, acerca das escutas.

Não bate certo, algo está por trás disso. Talvez as presidenciais. Talvez.

2 – O estranho avanço de Paulo Rangel, numa sôfrega candidatura à presidência do PSD, a dividir um eleitorado com Aguiar-Branco, e a solidificar um outro eleitorado, o de Pedro Passos Coelho.

É uma candidatura tardia, incoerente e desleal. Imprópria para quem assumiu o compromisso de que ficaria no Parlamento Europeu, e que as excepcionais razões do actual momento político por ele invocadas, só servem de injusto atestado de incompetência a Aguiar-Branco.

Parece que o Norte continua a assustar as ditas elites do PSD, desde os tempos de Francisco Sá Carneiro.

Pedro Passos Coelho agradece.

Num inebriante começo de mês, estas são apenas duas voltas de um carrossel de estranhas manobras. Tudo à roda, sem tino ou razão.