Adeus, camarada João José!

Casimiro Simões

Vieste de longe, para perto.
E no aconchego das margens do Mondego, sobretudo a esquerda, a velha e a nova esquerda que viveste por dentro e por fora, embora habitando, é certo, a pé firme e enxuto, a banda direita do rio manso, tão Basófias no tempo estival!

Algures na Alta e na Baixa, entre o Trunfo (Trunfé Kopus, carta na manga das repúblicas de Coimbra), a Rádio Universidade e uma efémera e certeira Lista E (“É pró que der e vier!”).
Um projeto associativo arrojado, de gente culta, livre e libertária, que, embora minoritário na safra dos votos, deixou fundas raízes na Associação Académica de Coimbra.

O bulício estudantil, nos anos 80 do pretérito século de Abril, nunca mais foi o mesmo.
Professor de História, abraçaste a intervenção cultural e política, sempre pela tal margem justa do rio, firme nas causas que foram tuas e que são nossas, bem como na criativa arte de esgrimir ideias pela escrita.

E logo tu, que tão bem soubeste pesar cada palavra redigida, como o oleiro molda há milénios as mais belas peças de barro, as quotidianas e as eternas.
Vais agora para longe, companheiro, sem nunca te apartares do coração daqueles que amam a vida fraterna e o ideal progressista de todos os tempos que nos convoca a toque de caixa e clarim.

Dá lá abraços aos nossos de sempre.
Outro para ti.
Sempre!

Nota – Tenho ideia de teres sido tu um dos culpados de eu ser hoje jornalista. Embora com juros de mora, tenho de te agradecer o teu reconhecimento e o teu incentivo.”

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Uma bela homenagem caro Casimiro Simões.
    Paz à sua alma.

  2. Rui Moringa says:

    Para quem acredita: Paz à sua Alma.
    Somos, também, Memória.

  3. Gostava do que escrevia!

  4. Nascimento says:

    Mais um grande que nos deixou…nós não deixaremos de lutar em sua memória. Até sempre.

Discover more from Aventar

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading