«um Governo rendido aos lobbies dos professores»

Manuel Carvalho decidiu cavacar, fazendo uma análise, no geral, aceitável, mas que, seguindo a metodologia que Paulo Ferreira observou no discurso de Cavaco, injectou na sua prosa 39 palavras a mais – tenho plena confiança no algoritmo do Microsoft Word, as quais acabam por servir de chave ao pensamento do cronista.

A única margem de manobra que resta ao Presidente para um cenário extremo é a possibilidade de o acordo ou acordos do PS com o Bloco e o PCP apresentarem um programa que ameaçasse “syrizar” o país. Não parece que o Bloco e o PCP estejam dispostos a ir por aí. A revogação do Tratado Orçamental não está em cima da mesa, não consta que as metas do Pacto de Estabilidade e Crescimento sejam contestadas nem nada sugere que a renegociação da dívida entre no acordo. O pouco que se sabe é suficiente para percebermos que, sendo um Governo rendido aos lobbies dos professores e, em geral, do funcionalismo público, não é um manifesto de vontade dos delírios do Bloco nem dos devaneios do PCP. Ainda é cedo para ter certezas, mas fica-se com a ideia que Catarina Martins e Jerónimo de Sousa se aproximaram mais das “opções fundamentais do país” do que Costa se afastou delas. [Manuel Carvalho, Público, 25/10/2015]


Um (futuro) governo rendido aos lobbies dos professores e do funcionalismo público. Vamos então por este caminho, já que o cronista começou pela adivinhação e preconceito. Vamos ter um governo que pense mais nas pessoas do que nas empresas; que corte nas gorduras, em vez de ir à chicha;  que não entregue os hospitais às misericórdias; que  não coloque os interesses dos colégios privados acima do sistema educativo; que não entregue sectores estruturais do país a países estrangeiros; que seja o porquinho mealheiro da banca; que não seja, no fim de contas, tudo aquilo que o governo PSD/CDS foi. Se a discussão é para ter por base suposições, estas que que aqui coloco são tão válidas como outras quaisquer.

Esta crónica, a par com o discurso do Cavaco e de muitos outros articulistas, passa por cima de um aspecto gritante. Tanto medo dos comunas e ai jesus que tudo será posto em causa, mas estiveram calados quando o governo de Passos Coelho entregou de mão beijada a REN e a EDP, simplesmente dois sectores absolutamente críticos para o país, a uma potência estrangeira e comunista. Então e o perigo vermelho de então, esse não faz mal?

Comments


  1. Igualdade de oportunidades e que vença o melhor. È esta a filosofia que defendo e tenho também receio das decisões por opção idiologica, tipo escola publica nossa e saúde gratuita para todos. Não por pre programção, mas porque acho ajuizado haver liberdade e cada um optar livremente sem um estado “paizinho” a decidir o que eu devo querer. Não adianta andar a repetir, cada um quando leva os filhos ou netos a escola ou usa um serviço SNS sabe ver o que está mal e podia estar melhor. Ontem estava 30 km de casa e senti-me com febre e tentei ir ao centror de saude do SNS alia em frente (sou utente); não pude porque era “obrigatorio” fazer os 30 km e ir ao meu centro!!! os meus direitos foram anulados pela “liberdade” do SNS . Acham bem ? A minha mulher que é da ADSE podia consultar o medico ali da rua!!!
    O meu neto trem que ir para a escola lá do bairro que tem um corpo de professores muito fraco(dito por muitos pais) e uma desorganização famosa. Como não posso pagar o privado como e calo. Santa “liberdade” da escola publica “nossa”, deles claro!!

    • Ana A. says:

      cristof9,
      Pode especificar, com exemplos concretos, o que é a “Igualdade de oportunidades”?! É que eu tenho 60 anos e ainda não descobri onde é que elas estão implantadas! Logo, e pela forma como criticou o sistema acima, devemos todos fazer um esforço honesto, para que realmente tenhamos todos as mesmas oportunidades, apesar, das diferenças com que a vida nos “premeia” à nascença…

    • Nightwish says:

      Acho que respondeu a si próprio, nem com toda a destruição e reformas tem liberdade de escolha porque o sistema não é feito para si. Agora, ou gosta disso assim e quer mais, ou quer que o estado faça melhor e mais barato.
      Tem liberdade de escolha para o cenário que prefere.

    • Rui Moringa says:

      Lamento que tenha estado doente e não tenha obtido ajuda no centro de saúde mais próximo. Indicaram-lhe aquele onde está inscrito. É, de facto, uma impossibilidade de obter apoio do SNS.
      Longe do “seu” Centro de Saúde, deve ir a um Serviço de Urgência. Claro correndo o risco de esperar muitas horas.
      Agora não baralhe o acesso ao SNS com a ADSE.
      A ADSE funciona como um seguro de saúde, para o qual todos os beneficiários descontam e não é pouco. Este desconto, pagamento mensal, dá acesso a todos os serviços de saúde com os quais a ADSE contratualizou serviços para os seus filiados.
      Por isso pode ir ao médico do outro lado da rua se esse médico tiver acordo com a ADSE.
      Não confunda as coisas …
      A finalizar.
      As oportunidades não são iguais para todos. E a segregação começa na escola, com as turmas e com os professores. Contudo, alguns tendo as oportunidades não as agarram. Querem-nas sem esforço…

    • Monique says:

      Pois em vez de “comer e calar” e só falar nos comentários de blogues tente fazer alguma coisa para mudar todas essas situações. Escreva ao ministério da saúde a exigir que se possa ter atendimento num centro de saúde qualquer, proteste! Quanto a não poder ser atendido noutro centro de saúde que não o seu tenho as minhas dúvidas que assim seja pois já fui atendida noutro centro de saúde ao qual não pertenço. Chama-se a isso uma consulta esporádica ou qualquer coisa assim. Relativamente ao caso que expõe, sabia que nem devemos ir para lugares públicos quando temos febre, pois podemos contagiar os outros ou apanhar algo pior? Porque não ligou para a linha de saúde? Já agora experimente ter uma doença mesmo grave que necessite fazer um tratamento caríssimo e logo verá quem o atende de forma gratuita! Quanto à escola tente participar mais activamente na organização da escola do seu neto ou influencie os pais da criança a tal, mas atenção não é ir para lá destruir o trabalho que é feito trata-se sim de fazer críticas construtivas. Será capaz? Duvido…

      • Helder P. says:

        Posso garantir que já fui (bem) atendido em outros Centros de Saúde que não o da minha área de residência. Alguma coisa não bate certo com essa história.

    • j. manuel cordeiro says:

      Não percebo. Então o Passos não andou a dizer que foi o governo que mais investiu na saúde?

  2. JgMenos says:

    Vem aí o relaxe e o facilitismo demolhado em longas arengas e louvaminhas a direitos garantias e humanismos piegas.
    Uma Nova Idade das Trevas cantada em salmos e ladainhas prossegue a promoção da decadência da Europa no mundo.

    • j. manuel cordeiro says:

      Bem que poderá ter razão. E foi Cavaco quem abriu a caixa de Pandora. Há muito tempo, até, quando não marcou as eleições a tempo de se preparar o orçamento.

    • Nightwish says:

      Isso já começou com o Euro…