BES, Banif e a inutilidade do Banco de Portugal


Banksters

A banca portuguesa é sempre sólida e generosa com os seus administradores e accionistas até ao dia em que a bolha rebenta e os comuns mortais são chamados para a resgatar dela própria, sem que nunca se encontrem culpados ou se confisque o resultado da pilhagem da mafia bancária. Eles comem tudo, não deixam nada e ainda ficamos nós sem nada que comer.

Ficamos ontem a saber que o falido Banif emprestou 119 milhões de euros ao GES, através de dois financiamentos acordados a 23 de Junho de 2014. Isto apesar de, por altura da operação, ser já conhecida a situação delicada do Grupo Espírito Santo, que meses antes tinha visto o BES apresentar os resultados de 2013: prejuízos na casa dos 518 milhões de euros, a que se somavam 1.423 milhões de euros em imparidades. E como se tudo isto não fosse já suficientemente grave, um mês antes dos financiamentos do Banif eram tornadas públicas as irregularidades detectadas por uma auditoria do Banco de Portugal às contas da Espírito Santo International, holding que controlava o GES e, por conseguinte, o BES. O resto da história o leitor já conhece.

Hoje tivemos Joaquim Marques dos Santos, presidente da comissão executiva do Banif entre 2000 e 2012 e senhor de um longo curriculo com 40 anos de experiência na banca, a afirmar perante a comissão política de inquérito (CPI) ao caso Banif que:

O banco começou a atuar em 1988. Para crescer num ambiente de grande concorrência, provavelmente tivemos de correr mais riscos que outros bancos consagrados no mercado. A aprovação de crédito respeitava um regulamento rigoroso. Feita a análise… houve decisões que correram mal.

Devia ser muito rigoroso, o regulamento. Mas se é verdade que ninguém está livre de decisões que correm mal, não será menos verdade que é no mínimo estranho que uma instituição liderada por tão experiente banqueiro tenha decidido investir numa empresa em queda livre. E assim se esfumaram 119 milhões de euros sem que o inútil regulador tenha sequer pestanejado. Será também por isso que, durante tanto tempo, se recusou a entregar ao Parlamento a auditoria externa do Boston Consulting Group, a tal que agora até está disponível para disponibilizar aos deputados da CPI do caso Banif e que aparentemente revela falhas de supervisão do Banco de Portugal no caso BES? Será este financiamento do Banif ao GES/Rioforte uma delas?

Comments

  1. Não há dúvida que é assim mesmo,mas o que havemos de fazer se o sistema mundial é este, e não vemos quem o queira mudar !!!

  2. Não serão tais irresponsabilidades puníveis por lei? ou é a lei tão lenta que o crime compensa? Não há planos para alterações da lei relativamente à banca?

  3. É quse impossível ler “Banco de Portugal” sem ler no mesmo artigo ou na mesma frase a expressão “falhas de supervisão”. Mas se calhar, vai-se a ver, a supervisão do Banco de Portugal é mesmo suposto ser omissa. É por fazer isso muito bem (isto é, nada) que um Governador do Banco de Portugal ganha mais que um reles Chefe de Estado. Foi por fazer o mesmo que Carlos Costa, ou seja, por não fazer nada e deixar todos os ‘malabarismos’ banqueiros acontecerem, que um anterior Governador do BdP, Vítor Constâncio, foi promovido para a vice-presidência do BCE.

    O Banco de Portugal está lá para isso mesmo, para “falhar” na supervisão – para ser tão ou mais “invisível” do que a mão invisível dos mercados.

    É por isso que os “PàFes” não se chocam quando é posta em causa a Constituição da República (que acaba sendo muitas vezes um entrave a essa “mão invisível”, ou total desregulação) mas se chocam tanto quando é posta em causa a figura intocável que é o Governador do BdP. As pessoas atacam o conceito de “social-democracia” dos Passos Coelhos desta vida, mas não vêem que existe uma classe minoritária que é obviamente incapaz de se sustentar a si mesma sem o dinheiro dos outros, e que devemos todos altruisticamente contribuir com o nosso dinheiro para ela, como fazemos com as outras classes desfavorecidas. Como haveriam esses senhores de ter dinheiro para Rolls Royces e Private Jets e palácios se essa gente tivesse realmente que trabalhar? Seria impossível. Muitos desses administradores, grandes consultores, accionistas, you name it, não conseguiriam sequer ser competetentes, e sobreviver, noutras áreas que não as da pilhagem. Não sejamos portanto tão condenatórios.

  4. Porque é que não fazemos como na Islandia…? Banqueiros e politicos envolvidos em corrupção, foram para a cadeia. No meio de tantos cidadãos portugueses tem que haver alguem competente e com vontade de fazer um trabalho sério em prol do país e do povo. Foi assim que fizeram na Islandia e a economia deles está a recuperar e a crescer…!

  5. Rui Silva says:

    Preparem a carteira para mais do mesmo. O Primeiro Ministro António Costa já admitiu a nacionalização do Banif, indo assim de encontro ás pretensões do BE e PCP .

    cps

    Rui Silva

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