Há que proteger os monstros


bayer

A compra da Monsanto pela Bayer representa mais um ponto alto neste absurdo sistema insustentável que tão bem serve os interesses dos grandes e no qual os pequenos engolem tudo por mor do existencial argumento do emprego.

Nunca uma empresa alemã pagou um valor tão elevado (66 mil milhões de euros) por uma empresa estrangeira e, mesmo sob o ponto de vista empresarial, ainda está para se ver se o espectacular negócio irá dar certo. Não raro, a fusão de duas culturas empresariais diferentes acaba em pesadelo, como aconteceu com a Daimler, que pagou 40 mil milhões de dólares pela americana Chrysler. Mas isso é um problema deles. O nosso problema é que este tubarão da indústria química adquire um bombástico “valor sistémico” e catapulta-se para posição ainda mais confortável no que concerne à manipulação de governos e coacção de cidadãos. A Monsanto – conhecida pelas suas obscuras práticas, como a proibição de utilização de sementes provenientes de colheitas das suas sementes transgénicas e pelas funestas consequências do pesticida glifosato – passa agora para as mãos de uma empresa farmacêutica que já tem que se lhe diga.

Argumentando perversamente que o rápido crescimento da população mundial e o aquecimento global colocam a agro-indústria perante desafios gigantescos, este bulldozer avança a eito, empunhando a agro-química e a agricultura industrial para destruir o sistema alimentar e ecológico global. Como se o relatório mundial das Nações Unidas sobre a Agricultura (IAASTD, 2015) não constatasse que o modelo de agricultura industrial global é incapaz de satisfazer as necessidades alimentares de milhares de milhões de pessoas e não recomendasse maior investimento na agricultura de pequena dimensão para consumo próprio ou para os mercados locais. Ou como se tivéssemos o direito de castrar a biodiversidade.

E são estes monstros que precisam de ser protegidos por um sistema de justiça paralelo a pagar por nós peixe miúdo: o tal sistema arbitral incluído no CETA – o tal tratado com o Canadá, o tal que está a dois passos de ser assinado, o tal que vai ser mais uma pedra para legitimar esta imoralidade de ordem mundial em que vivemos, o tal ao qual atribuem a capacidade de estabelecer padrões elevados para a globalização.

É maquiavélica a flexibilidade da argumentação dos serviçais do capital, para quem a natureza e as pessoas são carne para canhão.

Comments

  1. nananana, o que é isto? a questionar a prioridade absoluta do lucro?

    ana moreno, você só pode ser uma estalinista venezuelana com filosofia norte-coreana, tsc tsc tsc.

  2. mdlsds says:

    Estas fusões também costumam dar jeito para os processos de despedimentos colectivos. Aguardemos…

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