Olh’ó resgate


A estagiária da CBS estava orgulhosa. Tinha sido destacada para entrevistar o ministro das finanças de Portugal! A primeira tarefa que se impôs foi a de investigar onde era esse país – porque se tratava de um país, assegurou-lhe o chefe. Levou algum tempo e precisou da ajuda do Google Earth, já no mapa que percorreu detalhadamente não encontrara tal lugar. Também, pensou, era tão pequeno. Mas agora, com o apoio da Wikipédia, estava pronta. Já sabia que o país tinha sofrido um resgate financeiro – embora não atinasse lá muito bem o que isso significava. O chefe até disse que isso era coisa de peso. Importante. Logo, mal enfrentou o sorridente ministro português, disparou: “Portugal vai ter um segundo resgate?” O senhor, perplexo – mas sempre sorridente – lá construiu uma resposta em que nunca mencionou resgate nenhum e manifestou a sua disposição e empenho em que tudo corresse bem. E pronto.

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Num canal de televisão portuguesa, uma outra estagiária – sabidona e ansiosa por subir na vida – logo viu ali uma mina. E, como quem conta um conto acrescenta um ponto, apressou-se: “chefe, chefe, o Centeno admitiu que pode haver um novo resgate!”. O chefe, que também tinha chefes, logo se atirou ao telefone: “provavelmente vai haver um segundo resgate, disse o Centeno!”.

E a coisa lá correu com a velocidade que estes boatos têm, que é semelhante à da merda que se atira à ventoinha. Ora estavam, por essa altura, o Passos e Marilú, a confessar mutuamente o seu vazio de ideias, propostas, discursos sequer, quando a atoarda lhes chegou aos ouvidos. Era uma dádiva dos céus, garantiu a Cristas, entretanto informada.

E logo começou o fadinho do resgate, acompanhado dos sobrolhos erguidos, das ameaças veladas, do paleio depressivo, enfim, tudo o que pudesse espalhar a infelicidade e o temor entre as gentes, já que estas personagens julgam ter gasto toda a felicidade que tinham para distribuir. A “comunicação social” entrou na dança, ao som de “lá vamos cantando e rindo”.

É verdade que apareceram umas criaturas – “vendidas ao comunismo internacional”, garantia o “Clarim de Ranholas”, em editorial – como a OCDE e, até a Moodys (!!!!) a dizer que estava tudo bem e a situação financeira em Portugal estava equilibrada, mas que sabem eles disto?! – pelo menos desta vez…

Comments

  1. Atento says:

    Sobre os jornalistas dos EUA, nem vou comentar, porque em tempos uma aluna (filha de um emigrante português) da 3º classe, disse a sua professora que Portugal tem mais anos de história de que EUA, ela a professora (burra) disse que ela, estava mentir e ficou de castigo virada para o quadro de aula (não, não, foi como cá se fazia, no tempo do ditador salazar com umas orelhas de burro!)…

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