Felizes os pobres de espírito, que serão professores de Economia


transferir-2Começo por uma declaração de interesses: se eu mandasse, João César das Neves nunca seria impedido de falar, porque acredito que o mundo precisa de risos, de sorrisos, de gargalhadas. Por outro lado, também é verdade que o mundo precisa de economistas. Com César das Neves, temos divertimento garantido.

Segundo parece, César das Neves escreveu um livro, o que é natural, porque são raríssimos os cidadãos que ainda não o fizeram. Quando saio à rua, sou olhado de lado pelos meus vizinhos, porque ainda não aderi à moda da autoria.

Como qualquer autor, Neves deu início a uma série de entrevistas em que fará aquilo que os autores de livros fazem: explicar em voz alta aquilo que escreveu, porque, hoje em dia, os livros são incapazes de se fazerem entender.

Segundo percebi, de acordo com o resumo da entrevista ao professor de Economia, Portugal não cresce porque está dominado pelos funcionários públicos e pelos reformados, que, por dominarem a política e a comunicação social, escaparam a cortes nos salários e nas pensões, durante o domínio da troika.

Se esta informação for verdadeira, chego à conclusão de que sou uma espécie de Truman e que tenho andado a ser enganado por uma série de colegas e amigos, queixosos de cortes e de congelamentos que, afinal, têm recaído apenas sobre mim. Isto não vai ficar assim, garanto.

Quanto ao resto, é verdade que a política tem sido dominada por pensionistas como Cavaco Silva. Fiquei a saber que Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Oliveira são reformados ou funcionários públicos, tendo em conta o facto de estarem à frente dos dois maiores grupos de comunicação social do país.

No que respeita ao Papa Francisco, fico a perceber que, para João César das Neves, a função da Igreja é defender o capitalismo, tendo em conta a queixa de que o Sumo Pontífice está a ser “apropriado” por revolucionários interessados em derrubar um sistema tão cristão.

Alguns poderão acusar João César das Neves de uma desumanidade indigna de alguém que se afirma tão católico, por preferir a Economia e o País às pessoas, mas isso é não querer perceber Luís Montenegro. O homem simples, sobretudo se for funcionário público ou pensionista, deve estar preparado para se sacrificar pelo capitalismo e pelo mercado, obras de Deus, em nome de uma recompensa futura. Isso é ser católico.

O resumo da entrevista fecha, como deveria fechar, com chave de ouro: João César das Neves não é liberal, porque a Igreja condena tal ideologia; por não ser liberal, está “mais do lado da abertura de mercado.”

Comments

  1. Atento says:

    O economista Professor, creio que é assim que se diz! Faz-me, lembrar, um dos padres da minha freguesia só que não era César…..

  2. Manuel Gomes says:

    Pode indicar-me algum funcionário público que tenha sido despedido em resultado da crise?

    Segundo as suas palavras, deverá ser um dos funcionários públicos que nunca enfrentou um despedimento na vida: compreendemos, isso, é apenas para o sector privado. Esses, em lugar de cortes, ficaram com rendimento 0.

    Se o estado foi à bancarrota por três vezes desde 1974, deveu-se ao crescimento da despesa corrente acima do PIB. Ou seja, os gastos do estado têm sido um loucura! Umas simples contas de merceeiro podem demonstrá-lo. No entanto, ainda há gente que não consegue enfrentar esta evidência.

    O Prof. César das Neves tem toda a razão. Hoje, não existem ricos ou pobres, mas apenas duas castas: os contribuintes líquidos do estado e os receptores líquidos do estado, no qual se incluem funcionários públicos e pensionistas. Os primeiros estão reféns dos segundos; fugir do país é o único que lhes resta. Desta forma, podem rir-se das suas palavras, bem mais engraçadas que as palavras do Prof. César das Neves.

    • Rui Naldinho says:

      Por acaso você não imagina um país onde a banca faliu quase toda. Essa banca é toda privada, com exceção da CGD. Sabe quanto já custou isso aos contribuintes? Não deve saber de certeza!
      Por acaso você não imagina um país onde o Estado alimentou os negócios privados com fundos europeus, com parcerias publico privadas, a começar na Luso Ponte de Cavaco Silva, nas Rodoviárias do Guterres e do Sócrates, a Parque Escolar que alimentou empreiteiros e gabinetes de arquitetura, nas da saúde e rodoviárias de Durão Barroso e Santana Lopes, culminado na venda da EDP, CTT e ANA aos franceses da VINCI, já com o governo de Passos Coelho, cujos preços aeroportuários já subiram mais de 17%. Sabe quanto é que isso já nos custou? Não sabe de certeza!
      Por acaso você não vive num país onde dezenas de fundações privadas e públicas recebem dividendos do estado, e são uma forma eficaz de pagarem menos impostos. Sabe quanto é que isso já nos custou? Não sabe, pois não?
      Por acaso sabe que a Universidade Católica onde esse senhor dá aulas recebeu avultados apoios do estado e entidades europeias para renovar e ampliar os seus edifícios escolares. Não sabe, pois não?
      JCNeves pode ter razão para si e mais 38% de outras pessoas como você. Mas felizmente para nós, os outros 62%, aquilo que ele diz, não tem ponta por onde se lhe pegue.

      • Manuel Gomes says:

        Só me dá razão. A banca é o sector mais intervencionado da economia. Para se abrir um banco, é necessária uma licença bancária concedida pelo banco central e uma aprovação dos seus administradores pelo mesmo banco central. Para operar necessita da supervisão de um exército de funcionários, que não serviram e não servem para nada. A propriedade privada não é respeitada, pois podem conceder crédito e especular com o dinheiro dos clientes, com o beneplácito das leis do seu querido estado. Por isso a promiscuidade entre banqueiros e políticos.

        Daquilo que se queixa não é capitalismo. É uma sociedade enferma de socialismo, onde todos querem viver dos outros. Por isso acaba mal, até acabar o dinheiro dos outros: o verdadeiro sector privado que tem de produzir e satisfazer o consumidor e pagar a todos os parasitas: funcionários públicos, pensionistas, banqueiros, políticos e mal educados como o nascimento.

        • Encostado liberal says:

          O manuel gomes por acaso não é mal educado?! Vem para aqui insultar os funcionários públicos… e depois espera o quê?!
          Faltam aí os que vivem do encosto ao estado e os que não pagam (esquecem ou não sabiam) impostos!

        • Manuel Gomes, não existe Capitalismo nos países ocidentais. Apenas sociais-democracias. Deixe de ser mesquinho e idiota.

        • Nightwish says:

          O que era preciso era não haver regras, para haver um BPP em cada esquina. Quando falisse e as pessoas ficassem sem dinheiro, elas que sejam empreendedoras e vão arrumar carros.
          Quando ao socialismo no ocidente, é o que acontece quando os capitalistas não pagam que chegue para comer e ter um tecto, os outros que paguem.

    • Eu

    • Afonso Valverde says:

      Ó senhor Manuel Gomes,
      Quando escreve “funcionário público” está a referir-se a quem? Sim porque o seu número tem baixado por via ds alterações legislativas e pela via da reforma e morte. Hoje em dia há admissões de “funcionários públicos” para a forças de segurança, militares, juízes e pouco mais, para abreviar. Fique sabendo que os funcionários públicos não podem ser despedidos salvo em condições excecionais. Sabe porquê? Para não estarem sujeitos às muitas arbitrariedades que alguns dirigentes políticos, quando não executam muitas ordens porque, simplesmente, violam a lei e as normas e prejudicam outras vezes os cidadão que os elegeram. Os funcionários públicos são servidores do Estado e dos cidadão e mutas vezes passam por situações de tensão por defenderam os cidadãos das “patifarias de alguns dirigentes à frente das instituições (Seg. Social, hospitais, fisco etc). Os dirigentes políticos que porventura apelida de “funcionários públicos” não dão a cara a não ser que tenham algum benefício e empurram os resultados das suas más decisões para os verdadeiros funcionários públicos.
      Olhe nãp vou perder mais empo consigo ara refutar a sua “tese”.
      quando aos funcionários públicos vote nos “espertos” que querem reduzir ou acabar com os serviços públicos que dão corpo ao nosso tipo de sociedade, ou seja, Seg Social, SNS e Educação.
      Quando aos reformados “apague-os” que eles deixam de ser fonte de despesa depois de terem eles próprios e os empregadores descontado para a sua reforma. Desta forma darão lucro duplamente. Trabalham e depois não precisam da SUA reforma.
      Quando a esse economista cheio de ideias e por isso idiota, que estude a fundações da igreja como bom católico para perceber que são umas sanguessugas do Estado e logo dos impostos dos que pagam.
      Sou funcionário público qual espécie de moicanos e já fui funcionário “privado”. Sei do que falo e sei das artimanhas de seitas que mandam para a frente estes papagaios do tipo desse economista com “fins inconfessáveis” Ah, sou católico mas não sou “morcão”.
      Passe bem.

    • Nascimento says:

      CP.Creches e Infantários.Despedimento colectivo.Ano:2012.Ordem da sua excelência o pastel de nata mais o filho da p. do secretário 😁!Tudo isto se passou pela “calada”….e talvez seja por isso que meninos como tu ,pouco inteligentes debitam cassetes 😁…como os “komonistas”😁 não é?ui,tu queres ver que o Gomes no fundo é um “Komonista” ?

  3. Nascimento says:

    OLHA MEU F- DA P.TA A MINHA ESPOSA DOI DESPEDIDA EM 2012 DA CP!
    DESPEDIMENTO COLECTIVO! SABES O QUE É?AGORA MANEL GOMES VAI PRÁ P. QUE TE P. PERCEBES MEU F. DE UMA P.?DESAPARECE MEU BRONCO RANHOSO FACHO.

  4. fleitao says:

    Este tonto é prof. na Católica, o José António Saraiva foi prof. ca Católica, idem o José Rodrigues dos Santos, etc. A Univ. Católica é o Asilo dos Desvalidos ou é uma escolar para preparar futuros técnicos? Façam favor de me informar.

  5. fleitao says:

    Este tonto é prof. na Católica, o José António Saraiva foi prof. na Católica, idem o José Rodrigues dos Santos, etc. A Univ. Católica é o Asilo dos Desvalidos ou é uma escola para preparar futuros técnicos? Façam favor de me informar.

  6. ZE LOPES says:

    O Papa “apropriado” pela esquerda? Ora essa! O Papa Francisco é que parece estar a tentar “apropriar-se” dos ideais da esquerda. Para azar deste funcionário de uma instituição que, liberalmente, não paga impostos porque tem um acordo com o Estado para não o fazer. É aquilo a que se chama “mercado de direito divino”…

  7. José Lima says:

    O discurso de João César das Neves – em tese e como o fazem todos os defensores do capitalismo selvagem (já agora, condenado e bem condenado pela Doutrina Social da Igreja) – consiste em assacar a responsabilidade da crise aos funcionários públicos, como se porventura tivessem sido os funcionários públicos que procederam ao saque da coisa pública em proveito próprio do sector privado e dos seus muitos interesses rentistas e devoristas (algo que o comentador Rui Naldinho explicou tão bem), como se porventura tivessem sido os funcionários públicos – convém não olvidar – que depredaram os milhões dos fundos estruturais europeus que o sector privado recebeu durante duas décadas inteiras para se modernizar – gastos não poucas vezes em consumos de luxo sumptuários e de ostentação imobiliária e mobiliária por empresários, por patos-bravos boçais e semianalfabetos… -, sector privado que acabados esses fundos permanece genericamente incapaz de manter em actividade de outra forma que não seja a de recorrer por sistema à mão-de-obra barata e não qualificada, e com parcas preocupações de inovação ou de qualidade… De resto, note-se, o discurso de João César das Neves e dos restantes neoliberais contra os funcionários públicos, é um discurso que em nada se distingue, excepto quanto ao alvo, do discurso racista, é um discurso que não considera nem analisa os dados concretos da realidade, é um discurso eivado de revanchismo de classe e de facciosismo ideológico, recheado de juízos apriorísticos e de raciocínios pré-concebidos, é, em suma, o discurso que desencadeou a política psicopática de terrorismo social levada a cabo pelo não menos psicopático governo de Passos Coelho entre 2011 e 2015, e do qual João César das Neves foi uma das eminências pardas.

    Enfim, é necessário relembrar, aos que consideram que os funcionários públicos não passam de um bando de parasitas, que se Portugal é ainda um país com uma aparência civilizada, com um funcionamento mínimo de país do primeiro mundo, em boa parte deve isso aos seus funcionários públicos (no discurso neoliberal risivelmente reduzidos à caricatura do amanuense da repartição de finanças ou do contínuo de ministério), funcionários que diariamente, com enorme carência de meios materiais, grandes sacrifícios da sua vida pessoal e familiar, e maior patriotismo (como bem o sabe quem anda no terreno), dão o melhor de si, entre outros sectores, nas forças de segurança, na diplomacia, nos tribunais, nas escolas, nas universidades, nos hospitais e nas repartições dos registos, criando afinal o ambiente de paz e estabilidade social que permite ao sector privado exercer as suas actividades. Estranhos “parasitas”, portanto.

    • Acácio Bernardo says:

      ESTE SENHOR TEM RAZÃO NUMA COISA. HÁ DOIS PESOS DUAS MEDIDAS. OS PRIVADOS NÃO TÊM A SEGURANÇA NO TRABALHO. Negar isso é defender o absurdo.

      • Nightwish says:

        Lol.O que não falta são histórias de incompetência no privado de gestores que não fazem ideia do que fazem excepto trabalhar bem a sua imagem para parecerem muito importantes.

      • Helder P. says:

        O Acácio pretende então que quem tem agora alguma segurança no trabalho a perca totalmente, em abono da igualdade.
        Nunca lhe passou pela cabeça, que devemos combater a precariedade e os abusos patronais no sector privado, não senhor, é fazer tábua rasa dos direitos laborais e dos funcionários públicos, até sermos todos iguais na mediocridade. Todos iguais, todos não, há 1% da população que ascenderá à condição de semi-divindades, que irá pôr e dispor dos 99%, porque eles fazem “o trabalho de Deus na Terra”, como diz o CEO do Goldman Sachs.

  8. césar das neves é uma abominação. defende o capitalismo mais selvagem porque ele sempre beneficia a “casta” privilegiada a que ele pertence. e claro que há sempre ignorantes ou simplesmente mal intencionados a dizer que ele tem razão, como vimos aqui nos comentários.

    até o papa é atacado, porque teve a lata de criticar o capitalismo mais selvagem.

    quanto à “guerrinha” estúpida, fabricada pelas elites, entre trabalhadores FP e trabalhadores do privado… tenham uma coisa bem presente: quanto piores forem as condições dos FP… piores serão as do privado. e tudo o que ambos vão perdendo nesta luta acaba sempre em benefício do 0,1% mais rico. o valor do trabalho desce e desce, transferido para renda, juro e especulação.

    por isso, não, não é o socialismo (na verdade, social-democracia), não são os FP o problema. nunca foram.

  9. a prova do que acabei de escrever é a entrevista de hoje do presidente da CIP, a adverter “nem pensem em criar a semana de 35 horas no sector privado”. como vêem, o governo pensa tambem nos trabalhadores do privado. quem manda e tem o capital é que não colabora. com a desculpa, falaciosa, da “produtividade” – quando o seu verdadeiro problema é colocar o que produz, ter consumidores com recursos para escoar o produto. isto para conseguirem sempre pagar o trabalho de forma miserável. e levarem o dinheirinho para o panamá em maior quantidade e num menor intervalo de tempo. a concentração intensiva e permanente da riqueza é sempre nociva. prejudicial à esocnomia no todo, aos povos no todo. isto nada tem de comunismo. é social-democracia pura. claro que pode haver ricos. mas não à custa de quasi-escravaturas.

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