O Malabarismo das Palavras


Rui Naldinho
Cartoon: Zé Dalmeida

Cartoon: Zé Dalmeida

Diz o nosso comentador que para ele “a coerência é uma coisa inestimável”.

Digo eu, “a realidade é que deve ser incoerente”. Caso contrário, aquilo que a Geringonça defende, e ele agora crítica, na prática é o mesmo que ele defendeu no passado, mas agora dito por outras pessoas.
Marques Mendes é useiro e vezeiro no malabarismo dos números e das palavras, tentando dar ao mesmo assunto um tratamento distinto, para que aquilo que é igual pareça diferente.No seu habitual comentário político de domingo na SIC, colocado perante a questão de já no passado ter defendido medidas similares à que o actual governo propõe, o fim do sigilo bancário para efeitos fiscais, e que, na semana passada o ex líder do PSD criticou veementemente como: «Um assalto à mão armada que mata a classe média», afinal diz que nunca defendeu nenhuma medida parecida com esta, classificando-a de “devassa da vida das pessoas”.

Basta ver os “registos fonéticos”, e não é essa a sensação com que ficamos. Se isto não é aquilo a que convencionamos chamar de um “malabarista”, eu vou ali e já volto!

Será por a medida estar desfasada no tempo? Ou será que as afirmações antes produzidas por Marques Mendes tem códigos encriptados que nós desconhecemos? Ou será que só a direita pode taxar os ricos, um acto de generosidade, diga-se, e a esquerda não, sob pena de estarmos perante um golpe revolucionário?

Sabemos que vergonha é aquilo que um político profissional por hábito não tem. O país está cheio deles, da esquerda à direita. Mas convém não ultrapassar os limites da decência.

Marques Mendes apesar de se arvorar um grande moralista dos costumes, e ideólogo das virtudes do capitalismo laranja, sempre viveu ligado à máquina do Estado e da política em geral. Está no comentário pago, nos chamados Vistos GOLD, e em tudo o que é dinheiro vindo por “portas especiais”, onde só alguns entram e saem. Não lhe vou tirar os méritos de se desenrascar na vida, talvez fosse injusto, mas aconselho-o a ser menos hipócrita.

Estamos fartos de sonsos!

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