A ditadura do rating


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As agências de rating não andam nesta vida para serem responsáveis, honestas ou sequer imparciais. São um negócio privado, que gera muitos milhões em proveitos, e que tem como accionistas pessoas que, entre outras coisas, lucram com a especulação, o que inclui ganhar dinheiro com a manipulação dos mercados e com a desgraça de terceiros. A tal liberdade defendida pela direita neoliberal.

Não deixa de ser interessante – e ilustrativo sobre o estado a que esta União chegou – que as decisões destas empresas privadas, que se dedicam a avaliar o risco do cumprimento ou incumprimento da dívida dos Estados-membros, sejam literalmente soberanas quando chega a hora do BCE, que nos pertence, decidir quem sobrevive e quem é dado a comer aos abutres. Importa nunca esquecer que estas empresas eram as mesmas que atribuíam nota máxima ao Lehman Brothers no dia imediatamente antes da sua queda, que fez transbordar o copo da crise internacional que ainda estamos a pagar e cuja receita, defendida com unhas e dentes pelo BCE e por essas mesmas agências, mantém a Europa num marasmo de austeridade contraproducente e destrutiva, que muitos acreditam ser o princípio do seu fim.

Tudo isto para dizer que, após a bênção que será hoje dada pela agência canadiana DBRS – reparem como uma empresa privada do Canadá tem mais influência que qualquer um de nós na sobrevivência da nossa economia – ficaremos a saber que ainda não é desta que o Diabo vem e que as restantes profecias dos maluquinhos da direita radical se concretizam. O BCE, que nos pertence, continuará a comprar dívida pública portuguesa, não porque deve zelar pelo superior interesse dos Estados-membros mas porque uma empresa privada, daquelas que dão notas altas a maus alunos, lhe diz que deve continuar a comprar. E enquanto um bando de fanáticos vai pregando, de porta em porta, o horóscopo da sovietização, a verdadeira ditadura continua a fechar o cerco em torno daquilo que resta da democracia, com o alto patrocínio dos catastrofistas, enquanto se desenham acordos internacionais para privatizar e subjugar a humanidade à voracidade dos terroristas da alta finança e do grande capital.

Imagem@Bright Side

Comments

  1. kokos says:

    Excelente

  2. Nightwish says:

    Tenho curiosidade em saber o que acontecia… É que vamos ser honestos, nem o BCE e o kaiser de rodinhas nem a DBRS querem atiçar mais o caos e correr o risco de voltar à recessão mundial tão cedo.

    • Rui Naldinho says:

      A minha curiosidade também é mórbida!
      Gostava de saber o que teria acontecido a este País se o anterior governo e o BdP tivessem decretado a falência do BES e do BANIF em 2013, poupando os portugueses a um aumento de capital de mil milhões de euros fraudulento?

      • Jorge says:

        É muito simples, os clientes do BES passavam para a Caixa Geral de Depósitos, os grandes acionistas do BES pagavam a conta dos buracos, os causadores das imparidades seriam perseguidos até espremerem o último tostão das suas dívidas, o país ficava com uma banca pública mais robusta, a dívida pública não teria aumentado 3.9 mil milhões (fundo de resolução).

        Em relação ao Banif, não houve falência nenhuma. O banco tinha rácios de capital melhores que os atuais do Deutsche Bank!!! Portugal só tinha de fazer frente ao BCE e rejeitar a vontade Europeia de concentrar a banca Ibérica nas mãos do Santander.
        O Banif continuaria a funcionar normalmente, o país teria poupado 3 mil milhões de €.

        Se nalguma destas operações, o BCE se atrevesse a tirar apoio à banca nacional ou ao país, Portugal devia considerar isto uma declaração de guerra (económica) e devia enviar os caças da força aérea sobrevoar o BCE… em exercícios de “treino”.

        Enquanto isso, se as instância Europeias continuassem a insistir na estupidez, Portugal devia ameaçar (mas sem o bluff que matou os Gregos, e sim com ameaça séria pronta a ser concretizada), uma saída da zona €uro com um anúncio de que nem mais 1 € seria pagos aos parceiros Europeus (BCE e países do Eurogrupo), e que seriam postas em prática medidas protecionistas de modo a protegermo-nos do excesso (ILEGAL) de saldo externo da Alemanha, por exemplo proibindo a importação de bens alemães e nacionalizando à força os que já cá estão (filiais da Auto-europa, Deutsche Bank, etc).

        Ao contrário da negociação Grega, esta deveria ter como prazo um único fim-de-semana. Qualquer fuga de informação colocaria fim à negociação.

        Portugal devia também ameaçar fazer como a Irlanda: tornar-se um paraíso fiscal de tal maneira, que os governos Europeus passariam todos a ter enormes défices devido à fuga dos impostos.

        O facto de termos moeda própria e deixarmos de pagar juros à Euro-zona, potenciaria mais crescimento, mas competitividade e ainda uma solução para a dívida aos residentes semelhante à do Japão, que é o país com a dívida mais alta do Mundo mas cujo solução encontrada para o financiamento exclusivamente interno permite ter rating máximo.

        • Alexandre Mota says:

          Muito bem. Temos que mostrar o que valemos ao conspiracionismo-liberal-fascista. Gostei da ideia dos caças a sobrevoar o BCE. São estas ideias fora da caixa que mostram que a LIBERDADE ainda não está perdida e que há pessoas que pensam a sério nas grandes questões. Ser livre é dizer não pagamos. Viva a Liberdade.

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