Sem sentido de Estado

Hoje soubemos que a DBRS avisou que poderá baixar o rating da Caixa. E porquê? Porque governo e oposição andam há um mês  brincar com coisas sérias. Em particular, a oposição agarrou este osso, escalando sucessivamente, para fazer o maior estrago possível no governo. E o país? O resultado está à vista. Os meios não justificam os fins. Haja decoro, senhores políticos. Fazer oposição não significa destruir o país.

Camilo Lourenço ainda é levado a sério? O debate moderado por David Dinis.

camilo lourenço e david dinis

O Aventar soube, de fonte segura, que se aproxima um confronto mediático entre dois vultos do jornalismo económico nacional. Em causa estão as respectivas declarações, antagónicas, sobre a capacidade da DBRS ler correctamente a situação económico-financeira nacional, bem como a respectiva credibilidade como agência de rating. Continuar a ler “Camilo Lourenço ainda é levado a sério? O debate moderado por David Dinis.”

Passos Coelho school of economics

ppc

Em Abril, a propósito da intenção do governo de criar um veículo para lidar com o problema do crédito malparado, Pedro Passos Coelho reagiu assim:

A questão do crédito malparado não é uma questão urgente quando nós olhamos para a capacidade do sistema financeiro poder emprestar dinheiro à economia. Não há um problema do lado do financiamento à economia. Desse ponto de vista não é uma questão que seja maior e que nos imponha ações urgentes.

Portanto, no entender de Passos Coelho, o crédito malparado não é um problema urgente, o sistema financeiro tem dinheiro para emprestar e não existe qualquer necessidade de acções urgentes. Continuar a ler “Passos Coelho school of economics”

E o Diabo não veio, confirma a DBRS

Falhanço em toda a linha para os esganiçados que asseguravam, não necessariamente por esta ordem, que a execução orçamental iria falhar, que um novo resgate estava a caminho, que a DBRS iria meter Portugal no lixo, que não seria possível aprovar os orçamentos para 2016 e, muito menos, para 2017, que o objectivo do défice iria falhar e que o Diabo chegava em Setembro.

Uns derrotistas, com amplo palco na comunicação social, que tiveram como única aposta a desgraça de todos para regressarem ao poder.

Afinal, foi possível não cortar nos salários e nas pensões, aumentando-os até, pouco, sim, mas não os cortando, como fizeram os pafiosos, o que passa a ser muito. E sem trazer o Diabo, ao mesmo tempo que se acabou com o discurso bafiento do sair da zona de conforto, do desemprego que era oportunidade e do viveram acima das possibilidades. A quem não chegar, olhem, que emigrem.

É tempo de engolirem sapos e que o PAN os perdoe.

Nada mau para um país governado por comunistas e bloquistas

aplauso

Enquanto o veredicto da agência de terrorismo financeiro canadiana não chega, falemos sobre a mais recente aparição do Diabo no paraíso à beira-mar plantado. Apesar do silêncio dos devotos da Igreja do Neoliberalismo da Catástrofe dos Últimos Dias, Portugal foi em peregrinação aos mercados internacionais na passada Quarta-feira, em busca de perdão, salvação e financiamento, e colocou 1250 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a 3 a 11 meses, tendo conseguido um juro de -0,012% no prazo mais baixo e 0,006% nos títulos que vencem em Setembro de 2017. Nada mau para um país a braços com um novo PREC, em processo acelerado de sovietização.

Foto: José Coelho/Lusa@RTP

A ditadura do rating

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As agências de rating não andam nesta vida para serem responsáveis, honestas ou sequer imparciais. São um negócio privado, que gera muitos milhões em proveitos, e que tem como accionistas pessoas que, entre outras coisas, lucram com a especulação, o que inclui ganhar dinheiro com a manipulação dos mercados e com a desgraça de terceiros. A tal liberdade defendida pela direita neoliberal. Continuar a ler “A ditadura do rating”

Nota-se um frenesim de esperança

DBRS preocupada com fraco crescimento e subida dos juros da dívida de Portugal“. É de registar o tom dos comentários na notícia. Haja esperança, ainda poderá haver um resgate que ponha fim a este governo usurpador e que permita ao ex-primeiro-ministro no exílio regressar ao poder. Será uma oportunidade de repetir a anterior receita de sucesso, equilibrando as contas públicas pelo combate às gorduras do Estado e sem aumento de impostos.

Haja esperança e ainda voltaremos ao desempenho económico sem par de 2015. Tudo pode acontecer e o diabo ainda poderá chegar a 21 de Outubro. Por isso, caros patriotas, vamos lá enaltecer a desgraça em que o país está e fazer como a Cristas quando há fogos: rezar.

É hoje

que a DBRS, uma pequena agência de rating canadiana, dá a notação decisiva para Portugal. O Observador está a torcer para que seja de “lixo”, e pergunta: “E, acima de tudo, porque é que os seus cálculos dão um resultado diferente dos das outras agências? Ou não será uma questão de cálculos?” Porque essa é, realmente a questão que lhes  interessa, para poderem dizer “bem feita, ora toma que já almoçaram, ó seus esquerdolas!”

Golpistas e fraudulentos

As palavras de Passos Coelho são completamente inadmissíveis.

“Se aqueles que querem governar na nossa vez não querem governar como golpistas ou como fraudulentos, deveriam aceitar essa revisão constitucional e permitir a realização de eleições” [Passos Coelho, 12/11/2015]

Alguém que governou depois do programa eleitoral fraudulento de 2011 e que por 20 vezes tentou dar o golpe à constituição não tem ponta de legitimidade para vir dar lições de moral. E, pior, nem sequer tem razão, pois a vitória que teve nas eleições legislativas não lhe deu maioria parlamentar.

Tudo têm feito para destabilizar o precário equilíbrio económico a que chegámos graças à actuação do BCE. Tiveram azar, o alarido que fizeram não assustou a DBRS. Mas percebe-se que não desistiram e esta golpada da revisão constitucional é apenas mais um passo.

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