A TSU e a hipocrisia do PS


Nem vou falar do PSD de Passos Coelho. Porque já vimos o que foram os 4 anos da sua governação, porque sabemos aquilo que a casa gasta e, sobretudo, porque não gosto de bater em mortos. Mesmo aqueles que ainda não foram enterrados.
No fundo, em demasiados aspectos, o PS não é muito diferente do PSD. Relembre-se que na Oposição, foi sempre contra a redução da TSU. E o próprio António Costa nunca falou da TSU como contrapartida para o aumento do Salário Mínimo. Nem na campanha para as primárias do PS, nem na campanha para as Legislativas de 2015, nem em nenhuma outra altura.
Vêm agora dizer-nos que foi o Presidente-da-República-estacionador-nos-lugares-de-deficientes que esteve na base da medida. É igual ao litro. Esse senhor não tem poderes legislativos e só pode patrocinar seja o que for se o Governo estiver pelos ajustes.
Pelos vistos, esteve. Nem que para isso tivesse de rasgar os acordos com os parceiros de Esquerda (propositadamente?), onde assumia expressamente «a reavaliação das reduções e isenções da TSU».
Com efeito, o PS reavaliou as reduções da TSU. Só que para baixo.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Ricardo, gostei do seu texto. E apreciei que o assunto voltasse à “baila”!
    Os acordos feitos entre PS, PCP, BE e Verdes previam um
    conjunto de medidas políticas que a direita apelidou de reversões, e a esquerda de reposição de direitos retirados aos portugueses, decididos pelo governo de Passos Coelho e Paulo Portas na anterior legislatura.
    A maioria dessas medidas estão tomadas, e que eu saiba, não constava nelas nenhuma reversão da TSU. Quando muito suspeitaríamos do contrário. Também poderemos afirmar sem grande falibilidade, que faltam apenas as medidas que dizem respeito à legislação laboral, em especial no que concerne à Contratação Coletiva. E mesmo essas medidas vão ser complicadas de gerir, porque o PS não tem a mesma visão dos outros dois parceiros.
    António Costa sabe que a seguir às “reversões”, existirá um enorme vazio pós acordo, o qual é necessário preencher até pelo menos final de 2017. Não vale a pena escamotear essa questão porque ela vai acabar por aparecer aos nossos olhos.
    Como todo o político no exercício do Poder, ACosta lançou “às feras” sem avisar os seus parceiros de coligação a ideia de baixar a TSU em 1,25%, só para salários mínimos, e de forma temporária. Não tinha a certeza de qual seria o comportamento do PSD, mas sabia que os parceiros se indignariam com esta medida, mesmo que “floreada de caridade”.
    Com este “ramalhete” composto por uma medida mínima, provisória, que por norma se torna definitiva, há imensos exemplos, Costa quis apalpar o terreno antecipadamente para aquilo que aí vem num cenário pós acordo. Não lhe correu bem!
    Não acredito que António Costa não soubesse dos riscos que corria. Sabia de certeza. Mas desta forma limita os danos. E mal ou bem, lança sobre o PSD o ónus da não aprovação do acordo de Concertação Social, ficando desde já a saber que o caminho que tem à sua frente, até umas eventuais eleições antecipadas estará cheio de obstáculos.
    ACosta também sabe que tem de aguentar o barco até às Autárquicas. E sabe que mesmo depois delas, uma derrota eleitoral do PSD não será o suficiente para a queda de Passos Coelho. Para isso acontecer teria de haver uma hecatombe com o PSD a ficar ainda como menos Camaras Municipais do que em 2013.
    Mas também é verdade que se Costa forçar as eleições legislativas para depois de 2017, com uma vitória do PS nas autárquicas, similar a 2013, tem outra estatura para ir à jogo.
    O verdadeiro problema para o PS colocar-se-á mais tarde, com o desfecho do resultado das eleições, que eu palpito sejam lá para início de 2018.
    Se o PS não tiver maioria absoluta, o que eu acredito, fica refém tanto à esquerda como à direita.
    Isto significa voltarmos à Geringonça com todas as suas contradições, já sem “reversões”,e/ou “reposições”, o que lhe queiram chamar, e a ter que enfrentar a pressão dos seus parceiros ao Tratado Orcamental/Renegociação da Dívida, etc…
    Também pode significar o inverso. Coligar-se com a direita. Neste caso só com o PSD. Mas aí, caso lá esteja ainda Passos Coelho, garanto-lhe que ele esticará a corda até ela ficar um milímetro antes de partir.
    Se não morrer até lá, estarei cá para ver!

  2. Paulo Só says:

    Será que A. Costa contou com o ovo na galinha do PSD? É possível. O PSD é que pelos vistos aprendeu desde as eleições, cuja vitória lhes foi amarga, pois nessa altura contava com o ovo do PS para compor a maioria. Agora aparece acenando o livro vermelho de Von Mises: aumento do salário mínimo só com aumento da produtividade. Concordo, desde que se estabeleça uma renda máxima, sujeita às mesmas condições.

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