O PS começou a provocar a Esquerda

A histriónica Heloísa Apolónia foi muito clara: o PS violou o acordo com a Esquerda ao baixar a TSU para as empresas, uma diminuição que afinal vai chegar aos 1,25%.
Mesmo sabendo que não passa de retórica, porque a anódina deputada ecológica fará o que o PCP mandar, a verdade é que os sinais não são propriamente positivos quando é assumido, sem rodeios, que havia um acordo para a Legislatura e que o Governo não está a cumpri-lo deliberadamente.
O deliberadamente sou eu que o digo e vem no seguimento de uma teoria que não abandono. António Costa vai começar a provocar a Esquerda e, a partir daqui, vai esticar a corda até ao limite. Ao ponto de provocar eleições antecipadas quando estiver convicto de que vence com Maioria Absoluta e de que não precisa para nada dos seus actuais parceiros.
Se estiver enganado, cá estarei para assumi-lo, mas não me parece. António Costa não é de confiança, tem a traição no sangue e, devido à forma como joga, é extremamente perigoso. Repare-se na forma como ele começa a provocar a Esquerda através do Salário Mínimo ao mesmo tempo que, reduzindo a TSU, encosta também a Direita.
A Esquerda que não caia na ratoeira, porque é o que ele quer.

Comments

  1. Costa nunca vencerá com maioria absoluta. You heard it here first

  2. Rui Naldinho says:

    Bom dia Ricardo.
    O seu artigo é pertinente e eu subscrevo-o.
    Também penso que António Costa ao não dar nada em troca ao PCP, Verdes e BE, como contrapartida da TSU, a ver vamos, acabará por esticar a corda até provocar novas eleições antecipadas.
    Só que, e eu até posso estar enganado, cheira-me que a acontecer esse evento, lhe vai sair o tiro pela culatra.
    Hoje, as pessoas fazem uma leitura muito clara dos acontecimentos políticos, e estão-se a marimbar para as ideologias no sentido mais genuíno do termo. Querem é os seus problemas resolvidos. Também não estão muito preocupadas com a chamada estabilidade política de maiorias absolutas, porque como jà se viu, até aos dias de hoje, ela consegue-se desde que haja vontade e seriedade de todas as partes. E evita-se males maiores, como a corrupção, tráfico de influências…
    Este casamento do PS com a esquerda, ou dura até 2018, ou o PS entregar-se-á nas mãos do PSD a curto prazo.
    Depois quando definharem de vez como o PASOK e outros similares europeus, quero ver qual será o argumento.

  3. Afonso Valverde says:

    Gostei de ler a análise política e os comentários.
    A percepção do poder (diferente de poder efectivo) é uma coisa do “diabo”. AC, apesar de ser hábil, ou julgar-se, irá cair como todos os aprendizes de tiranetes.
    Percebe-se que as pessoas (o povo) não se prende tanto a fulgurações ideológicas. quer os problemas do dia a dia com soluções ou caminhos para elas, perceptíveis.

    • Rui Naldinho says:

      Mas o que a História tem demonstrado recentemente, não é isso?
      Essa História do “país estar melhor, mas os portugueses estarem pior”, é só para alimentar o ego de Maria Arrependida de alguma direita, ligada à maçonaria, e com os seus problemas resolvidos à partida. Para a lês a austeridade passa-lhes a lado. Estilo chicuelina.
      As pessoas já não embarcam nessa treta de uma vida austera e
      sóbria para garantir o paraíso depois de mortas. Entretanto outros vão-se deliciando com uma vida acima das nossas possibilidades, aqui, nestes dias que correm
      As pessoas só vivem uma vez. E, ou vivem com decência agora, ou então o melhor é nunca pensarem em sair da merda.

  4. Nightwish says:

    Pode o PS querer e ganhar as eleições à vontade… o problema de Costa é que deixa de ter força dentro do partido e tem que o levar de volta para a nulidade que é o centro, deixando de tentar resolver os problemas do país e dos portugueses – e estes parece-me que ficarão rapidamente fartos do jogo do empata em que perdem sempre.

  5. Eu não acredito. Ponto.
    É preciso é tomar conta dessas crianças que andam neste PS e o “baby seating” será assumido, cada vez mais, pelo PC e pelo BE. António Costa que se desengane com as quimeras que se vão escrevendo.
    Tudo não passa de vaticínios e profecias iguais a zero.
    Sócrates só conseguiu a maioria absoluta, com a ajuda inestimável do menino guerreiro (PSL) e sobretudo do PR da mesma orientação política (Jorge Sampaio).
    Agora, há Marcelo e uma esquerda afastada do centro, onde os eleitores que ainda lá vão desempenham e irão desempenhar um papel próprio e pensam pela sua cabeça.
    Não querendo puxar para esse lado o sentido do meu voto de então, que não foi esse, quem é que podia prever uma arrancada do BE até ao 2º lugar na AR, passando o PC? Quem?
    Os políticos e os aprendizes de profetas que parem de congeminar cenários à custa do voto do povo.Não contem eles com o ovo no cu da galinha.

  6. Afonso Valverde says:

    Tendo a concordar com a análise feita pelo autor do postal e com as apreciações do Rui.
    O poder reside no Povo, ou seja na Comunidade. Os eleitos são os representantes desse poder. Quando acham que podem manipular a seu belo prazer enganam-se. Mais tarde ou mais cedo tombam às mãos do Povo.
    De facto, Rui, só se vive uma vez. Quem o diz são os Teólogos da Igreja Católica. O Céu ou o Inferno não é, apenas, no Além para quem acredita. O Céu e o Inferno é aqui já, neste mundo.
    Não é Cristão submetermo-nos na esperança de ganhar o Céu Além. O Cristão deve lutar pelo Céu Aquém.
    Se o AC entende que forçando à esquerda pode ter eleições antecipadas e de seguida uma maioria absoluta, pode perder redondamente e passar à mediocridade, como passam todos os tiranetes e calculistas.

  7. Ana A. says:

    Tenho esperança que os últimos tempos tenham ensinado alguma coisa ao eleitorado, e que evitem, a todo o custo, qualquer maioria absoluta.

    • Rui Naldinho says:

      São os meus votos Para o ano de 2017.
      Que o povo deixe de ser otário de uma vez por todas…
      É que já cansa!

  8. Os partidos socialistas europeus com os seus compromissos e políticas erráticas fizeram um frete histórico à própria direita. Subverteram o Estado Social e estão paulatinamente a transformar-se em pequenos partidos residuais sem grande expressão eleitoral. O PS português consegue, por ironia, fugir à regra conseguindo até subir nas sondagens devido precisamente à muleta providencial que os partidos à sua esquerda BE, PCP e Verdes lhe têm proporcionado obrigando-o constantemente a corrigir a trajectória da constante submissão aos interesses da direita e também duma Europa sem valores. O PS é um partido sem ideologia nem substrato politico onde há muito se esqueceram de José Fontana e dos seus valores estando hoje dominado por autênticos caciques que se tem entretido a fazer do PS uma central de negócios (hoje em standby) a que não falta uma espécie de central sindical cozinhada a preceito e dirigida hoje por um subalterno, seguidor e admirador de Ricardo Salgado a quem teceu rasgados elogios. Esta pseudo central não tem feito outra coisa senão quebrar a espinha aos trabalhadores portugueses (conforme os desígnios de um tal Gonelha) onde com o maior desplante têm cometido um autêntico genocídio sindical em sede de Concertação Social de que o actual “Código do Trabalho” é o paradigma de um autêntico manual de patifarias com a chancela do PS através de Vieira da Silva e João Proença que às terças quintas e sábados era dirigente do PS e às segundas quartas e sextas era secretário-geral da UGT e colaborante activo nesta carnificina sindical. Claro que a mim não me surpreende, antes pelo contrário, que o PS, baseado nestas últimas sondagens vá esticando a corda, sonhando com a tal providencial maioria numas eleições. Isso seria o que de pior poderia vir a acontecer à sociedade portuguesa e ao próprio PS, ou seja umas eleições com o PS com maioria absoluta. Seria a repetição dum filme já visto em que, para gáudio da direita ávida de ir ao pote, assistiríamos a mais uma derrocada, esta de consequências imprevisíveis que se iria abater sobre a sociedade portuguesa. O PS em muito melhores circunstâncias (económicas) já teve maioria absoluta e tudo deitou a perder com a irónica fuga de Guterres depois de ter criado o tal pântano. Agora as consequências seriam dantescas. Que Deus e o diabo tenham piedade de nós e nos livrem de tal desiderato.

  9. omaudafita says:

    O PS não vai roer a corda… Talvez o Bloco venha a fazer bloquices mais tarde, mas o PS e o PCP vão manter o compromisso que bem lhes serve. Ao António Costa serve este equilíbrio entre o deve (PCP e Bloco) e o haver (UE).

Trackbacks

  1. […] Pelos vistos, esteve. Nem que para isso tivesse de rasgar os acordos com os parceiros de Esquerda (propositadamente?), onde assumia expressamente «a reavaliação das reduções e isenções da TSU». Com efeito, o […]

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