Marcelo Rebelo de Sousa: Isto, sim, é começar em grande

No dia seguinte ao da eleição, conduziu sem cinto e estacionou num lugar reservado a deficientes. Podem achar uma coisa menor, para mim não é. Diz muito da personagem.
Num dia destes, esteve em Braga. Recebeu um prémio das mãos de António Salvador. Presidente do Braga, dono da Britalar e uma pessoa acima de toda a suspeita. Numa cerimónia em que, recorde-se, foi evocado Marcelo Caetano e o Cónego Melo (Padre Max,lembram-se?)
Para quem ainda nem sequer tomou posse, não está mau…

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Mas havia dúvidas?
    “Curriculum vitae” pode ser usado para empregos novos, mas também dá uma excelente visão dos antigos passos…

  2. Helder P. says:

    Não há dúvidas do que “Marcello” Rebelo de Sousa representa; um porta-estandarte do tempo velho, afilhado de Caetano e privilegiado do anterior regime.
    Na prática política, é o mestre da dissimulação e da vichyssoise que tal como a vingança se serve fria, e a personificação do princípio da incerteza de Heisenberg, o posicionamento ideológico muda do dia para a noite, mais imprevisível que um electrão no estado excitado.
    Mas é disto que o povo gosta, para mal dos seus pecados. Esperavam o quê do povo que deu à Múmia Cavaca maiorias absolutas?

  3. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Meu caro Rui Silva.
    O “Sistema” está completamente inquinado sobretudo pelo ataque massivo destes “media” que são mais galinhas chocas que jornalistas.
    Repetem à exaustão chavões, manipulam ideias e números e mentem despudoradamente.
    Chamar Democracia a este “Sistema” é o mesmo que chamar democrata a Cavaco Silva ou a Passos Coelho.
    Recordo-lhe que esta “Democracia” dá sistematicamente 50% de eleitores que ligam tanto às eleições como eu ligo à primeira camisa que vesti.
    E destes, diria que 99%, fá-lo conscientemente ou seja, não participam porque não querem participar. Chama-se a isto, falta de consciência social.
    A Democracia assenta em valores completamente arredios desta sociedade: participação, discussão, escuta do contraditório, debate. Exactamente o contrário do que se fazia com o novo presidente da república, enquanto comentador. E por isso chegou onde chegou, transportado por um aeróstato chamado “media”.
    A bola, nas suas discussões televisivas, é muito mais democrática, embora mesmo aí o “pequenino” se não veja. Mas na política, nem o “pequenino”, nem o “médio” e mesmo alguns “grandes”, estão ausentes.
    A não audição e a não tomada de consciência do contraditório será o exercício mais antidemocrático desta “Democracia” de meia tijela.
    As eleições, neste contexto, reflectem o País.
    Sabe o que falta a este País na minha opinião?
    Exactamente a educação cívica e política que permita às pessoas serem verdadeiramente de direita, de esquerda ou do centro, justamente ao contrário daquelas dezenas de jovens que diziam na televisão que eram incapazes de voltar a votar no PSD/CDS, mas que votariam sem problemas no PàF.
    E acredite que há muitos, mas mesmo muitos portugueses que pensam desta forma e a menos que nos tenhamos transformado numa casta de masoquistas, a sociedade portuguesa, em termos de crítica está perigosamente doente.

    • Rui Silva says:

      Caro Ernesto Ribeiro,

      Estou em parte de acordo com a sua análise.
      As minhas dúvidas estão, por exemplo, nas razões que invoca para a abstenção.
      Eu não sei se o abstencionista tem falta de consciência social (seja lá o que isso for), ou pelo contrário, se tem uma consciência mais apurada do embuste do regime. Até mais consciente que aqueles que votam. Ou podem não ter , dentro do nosso panorama partidário , em quem votar.
      E não se esqueça que a democracia é a ditadura da maioria, não é um sistema perfeito. E temos que ter a humildade de reconhecer que como Homens (imperfeitos que somos) não possuímos o condão de criarmos um “paraíso” na Terra.
      Vamos melhorando e piorando conforme os tempos…

      cps

      Rui SIlva

  4. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Um dos cidadãos que aqui faz comentários como nós, dizia-me o mesmo que o caro Rui Silva me escreve agora.
    Ele faz parte dos abstencionistas conscientes, dos que, como muito bem diz, já perceberam o embuste desta “democracia” e entendem que a melhor forma de participar, é não participar.
    Pessoalmente estou convicto que o votar é, por si mesmo, um acto cívico que requer participação e movimento. Há outras formas de demonstrar a esta corja político-partidária o descontentamento, mas essas formas passam necessariamente pela participação.
    No dia em que a corja perceber que há uma participação no sentido de rejeitar este sistema, uma rejeição expressa pela presença e não pela ausência, possivelmente a leitura dos números será feita de outra forma.
    Esta é, para mim, a expressão da consciência social.
    Tenho a certeza que há gente que, como muito bem diz, se abstém e que terá mais consciência que aqueles que votam. Mas também estou certo que é uma minoria.

    Não concordo que a Democracia seja a ditadura da maioria. É um sistema que se renova periodicamente, mas nunca se renovará com abstencionistas militantes.
    A imperfeição do Homem, tal como o seu lado perfeito, seguem uma curva de representatividade conhecida por “Curva de Gauss”, caracterizada por uma média e um desvio padrão.
    O problema deste sistema é que a media não existe e o desvio padrão é mais variável que o nosso humor.
    E quando é assim, pelo menos na Indústria, usa-se o sistema de reflectir e traçar um plano de acções capaz.
    E isso é o que a corja não quer fazer, mas que temos, por questão de consciência social, obrigá-los a fazer: parar, pensar e actuar depois..
    Cumprimentos.

    • Rui Silva says:

      Um elevado numero de abstencionistas, mostra que existe um grande numero de pessoas que não se sente representada no panorama partidário actual.
      Como se costuma dizer:
      “O mercado não deixa dinheiro em cima da mesa”.
      O mercado dos partidos deverá reagir a esta oferta. Quantos mais abstencionistas houverem, maior é a probabilidade do surgimento de novos partidos, que venham dar resposta a estas pessoas.

      Quero também dizer que não sou abstencionista, porque apesar de não me sentir representado neste “cardápio” de partidos voto no menos mau.

      cps

      Rui Silva

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  1. […] políticos não andam a pé, onde acham indigno andar de Clio e onde o Presidente da República que estaciona em lugares para deficientes tem uma popularidade ímpar. O exemplo vem sempre de […]


  2. […] campanha para as Legislativas de 2015, nem em nenhuma outra altura. Vêm agora dizer-nos que foi o Presidente-da-República-estacionador-nos-lugares-de-deficientes que esteve na base da medida. É igual ao litro. Esse senhor não tem poderes legislativos e só […]


  3. […] Chegou a altura de se calar. E de fazer o que até agora nunca quis. Nesse ponto, por uma vez, o estacionador em lugar de deficientes teve razão quando se dirigiu ao […]