O caso dramático do Liceu José Falcão em Coimbra


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Crateras na parede, fileiras de moisaco partido, fios eléctricos descarnados saídos das paredes da escola, vidros partidos, humidade por todo o lado, o piso do ginásio com falhas perigosas que podem provocar lesões aos jovens no decorrer das aulas de educação física, baldes em todos os cantos para recolher a água da chuva, em todos os cantos, inclusive nas salas de aulas, onde os alunos já são obrigados a levar mantas para se poderem aquecer. Este poderia ser o exemplo de uma escola num país de terceiro mundo ou a passar por uma guerra, mas não, é a realidade de uma escola quase bicentenária situada em pleno coração da cidade de Coimbra, onde estudaram personalidades ilustres da história deste país como Teófilo Braga, Almada Negreiros, Eça de Queirós, António Almeida Santos, Jaime Cortesão, Zeca Afonso, Eugénio de Castro, Carlos Da Mota Pinto, Bissaya Barreto, Vitorino Nemésio, Miguel Torga ou Rómulo de Carvalho.

Uma autêntica vergonha, escondida pelo Parque Escolar, com todas as suas virtudes e fracassos, que ameaça seriamente o ensino público na cidade de Coimbra e que não é mais do que, possivelmente, um pretexto para se fechar de uma vez por todas a escola e obrigar os cidadãos a procurar a vasta oferta privada que existe na cidade.

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Ensino de qualidade? Impossível. É devido a este tipo de situações que continuo a defender que não se pode avaliar a qualidade do ensino com um básico ranking martelado através dos resultados obtidos pelos alunos da escola. Avaliar o desempenho dos alunos com base nos resultados nos exames nacionais é, à boa moda portuguesa, tratar o assunto pela rama e esquecer o essencial: em Portugal existe um ensino de primeira (o privado misturado com algumas boas escolas públicas), o de segunda, o de terceira e o de quinta como o que actualmente é ministrado no Liceu José Falcão em virtude das condições que são oferecidas aos alunos e aos profissionais que lá trabalham. Apresentado este caso, qual é o professor que consegue aumentar os níveis de aprendizagem nos seus alunos e qual é o aluno psicologicamente apto a aumentar os seus níveis de aprendizagem?

Para se avaliar a qualidade escolar é preciso ir mais longe: é preciso conhecer a escola por dentro, através de inquéritos de satisfação a toda a comunidade estudantil sobre as infraestruturas, equipamentos, qualidade dos serviços oferecidos, qualidade e desempenho do corpo docente (sim, uma avaliação justa do corpo docente feita pelos alunos), qualidade e desempenho do corpo não-docente, pertinência, qualidade e aproveitamento ao nível de utilização por parte dos discente das actividades curriculares e extra-curriculares que são oferecidas pela escola. Por outro lado é preciso avaliar a gestão financeira da escola, as opções estratégicas tomadas pelos seus conselhos directivos e agrupamentos escolares em matéria de renovação da infraestrutura e na renovação de equipamentos e conteúdos didáticos. É preciso avaliar o ambiente escolar e a capacidade que a escola apresenta em matéria de gestão dos conflitos que ameaçam a qualidade desse ambiente escolar. É mister que todos estes pontos sejam devidamente analisados e tratados para que as entidades competentes que tutelam a educação possam agir rapidamente, tendo por base a prevenção dos problemas e não a sua mera solução tendo em vista o desenrasque.

Não concebo portanto um ranking escolar que não compreenda uma fórmula que inclua todos estes pontos. Porque o rendimento escolar é seriamente afectado por falta de condições, por uma má qualidade e profissionalismo do corpo docente, por um ambiente escolar hostil, pela incapacidade de efectuar obras de renovação na infraestrutura, nos equipamentos e nas actividades que permitem aos alunos colher toda uma panóplia de conhecimentos e skills que serão muito úteis em determinadas fases das suas vidas.

Face ao caso concreto, a Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Secundária José Falcão criaram uma petição pública que visa levar o problema à Assembleia da República por forma a fomentar a discussão sobre este caso concreto e uma intervenção de fundo rápida no recinto escolar. A assinatura desta petição é obrigatória para todos aqueles que defendem um ensino público de qualidade

Comments

  1. Decorre a Petição Pública que já leva 5.160 subscritores !
    Que venham mais cinco…mil ou milhões !

  2. JgMenos says:

    Urgente mesmo era fechar as salas dos contratos de associação.
    Queixam-se de quê?
    De ignorarem que têm um Estado falido e a caminho de mais uma falência?

  3. Um Estado que paga subvenções vitalícias a políticos que sentaram o cu num poleiro para dar ao farelo e pouco mais, não é um país falido.

    Um Estado que gasta milhões de milhões a recuperar bancos por culpa de erros e vícios privados, não é nem pode ser considerado um país falido.

    Um Estado que gasta milhões a alimentar a bucha de boys saídos das juventudes partidárias para serem assessores de assessores ou condutores de conduzidos, não é nem pode ser considerado um país falido.

    Um Estado que gasta milhões em parcerias público-privadas que lesam diariamente os interesses da rés pública, não é nem pode ser considerado um país falido.

    Um Estado que transfere dinheiro para as autarquias comprar chapéus de sol ou remodelar as retretes em que, passo a expressão, cagam os presidentes de câmara, não pode ser nem é considerado como um país falido.

    Falido estou eu que tenho de pagar do meu suor o pato que os donos deste país comem. Falidos estamos nós quando tratamos o nosso futuro, o futuro que nos pagará uma reforma na mesma moeda em como nós lhe pagamos hoje o futuro, com esta miséria que se pode ver nestas imagens, a troco de uma política economicista que só visa a destruição do que é nosso para o benefício dessa minoria que enuncia.

    • JgMenos says:

      Por tudo isso e mais é que é um país falido.
      A falência não é matéria de opinião é matéria de contas..

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