As rendas excessivas da EDP no país da imprensa comunista

AM.jpeg

Fotografia: Paula Nunes@ECO

António Mexia é o exemplo acabado de um homem de sucesso em Portugal. Deu aulas, foi para a política, daí para organismos e empresas públicas, com a passagem da praxe pelo BES, e regressou à política, de onde em bom rigor nunca chegou a sair, para integrar o executivo Santana Lopes, entre Julho de 2004 e Março de 2005. Dai seguiu directo para a cadeira de presidente do Conselho de Administração da EDP, onde continua, hoje sob a batuta do regime chinês. Em 2014 recebeu de Cavaco Silva a mais alta condecoração da Ordem de Mérito Empresarial. Três anos depois, foi constituído arguido no caso relacionado com as rendas excessivas da EDP. Aquele percurso clássico. 

Fun Fact: é muito raro ver o nome de António Mexia associado ao seu partido, o PSD. Enquanto que, por exemplo neste caso, Manuel Pinho é “o ex-ministro do PS”, António Mexia nunca é o “ex-ministro do PSD”. Nem neste, nem em caso nenhum. E isto tem alguma importância para o caso em questão, uma vez que Mexia era ministro de Santana quando foi criada e aprovada a legislação que permitiu, entre outras coisas, que a EDP recebesse rendas excessivas no valor de 510 milhões de euros, suportadas pelos suspeitos do costume, os contribuintes.

Não que Manuel Pinho não tenha feito o jeito à EDP, que as carreiras académicas pós-ministeriais nos EUA não se pagam sozinhas. Mas Mexia não é um ex-ministro que fez um jeito à EDP e que foi leccionar para Columbia num curso patrocinado pela mesma EDP. Mexia integrou um governo que fez um jeitaço à EDP, e saltou desse mesmo governo directamente para o topo da hierarquia da empresa, onde já ganhou algumas dezenas de milhões de euros em salários e prémios, ou não fosse ele um gestor de topo, premiado e internacionalmente reconhecido. Como o era Zeinal Bava.

Outro facto curioso é que praticamente não se vê o nome de Santana Lopes associado às várias notícias que foram sendo publicadas sobre CMEC’s e rendas excessivas que a EDP nos cobra a todos. Não que não o mereça, até porque o homem foi o primeiro-ministro que assinou este negócio da China, mas neste país de imprensa comunista, as coisas são o que são e estes esquerdalhos são sempre protegidos. Estalinices.

Comments


  1. “Isto anda tudo ligado…”

  2. ZE LOPES says:

    Aliás, o caso da EDP já deu para o aparecimento de vários neologismos na China. Já aqui disse há uns tempos que “cá-tró-gá”, em Chinês significa mais ou menos “o homem que sabe engordar a vaca leiteira”. Esqueci-me então de revelar que “san-tan-á” significa, aproximadamente, “o que deu pasto para a vaca leiteira” e “mé-xiá” pode traduzir-se por “o que engorda à custa da vaca leiteira”.

    É um mistério a relação que estabelecem os chineses entre a EDP e a vaca leiteira. Quanto a mim, deve ser porque estão habituados a ver manadas a pastar junto aos postes de alta tensão. Só pode ser isso.


  3. Isto não são ex-minustros de Sócrates?…

  4. antero seguro says:

    O SAQUE QUE A EDP PATROCINA AOS CONSUMIDORES TEM AFINAL A BENÇÃO DO BLOCO CENTRAL. (PS/PSD)

    Afinal esta história mal contada da legislação que permite as tais rendas excessivas (em vernáculo: roubo organizado ao Estado) foram aprovadas no governo PSD de Santana Lopes (1), quando o actual António Mexia (agora barricado na EDP ao serviço do Partido Comunista Chinês) era ministro das obras pública Transportes e comunicações no governo de Santana Lopes, sendo mais tarde depois de ter passado pela GALP/ENERGIA para onde foi guindado pelo PS (Pina Moura, mais um apóstata que ingressou no partido que mais parece um albergue espanhol) tendo depois chegado à EDP.

    (1) O governo de Santana Lopes foi um autêntico golpe de Estado da responsabilidade do socialista então PR, o socialista Jorge Sampaio, que obedeceu à chantagem de Durão Barroso que após a sua fuga para a Comissão Europeia impôs o seu nome com substituto. Quando o que deveria ter naturalmente acontecido seriam novas eleições. Este governo de Santana Lopes deu um desbaste e um descrédito de tal ordem ao país que Jorge Sampaio viu-se, mais tarde, obrigado a emendar a mão demitindo-o.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.