De ditador em ditador, até à descredibilização final

Muito se tem falado sobre os PCPs desta vida, e respectivas posições sobre a invasão da Ucrânia (e muito bem), mas muito pouco sobre certos e determinados quadrantes ideológicos, que conseguem fazer igual ou pior, sempre daquela forma hipócrita e dissimulada que os caracteriza. São todos muito democratas excepto quando a economia exige a capitulação perante os interesses económicos que mandam nisto tudo. E eles capitulam, sem pestanejar. Ou, parafraseando o CEO da Volkswagen, “Limitar a actividade a países democráticos não é um modelo de negócio viável para os fabricantes”. Esclarecedor.

Vejamos, por exemplo, o caso dos impolutos conservadores britânicos, grandes guardiões da democracia, que passaram anos a receber milhões de rublos da oligarquia russa, sabendo perfeitamente a proveniência desses financiamentos, o que nunca os fez recuar. Nem cleptocracia oligárquica nem os envenenamentos de opositores de Putin por terras de Sua Majestade, como os casos de Alexander Litvinenko e Sergei Skripal.

Agora, pressionado pela opinião pública e sem alternativa possível perante a invasão em curso da Ucrânia, o anedótico Boris Johnson, bravo e destemido, decidiu trabalhar no sentido de acabar com toda e qualquer importação de energia russa. E que alternativa propõe? O carniceiro saudita, Mohammed Bin Salman.

Eis a democrática determinação dos conservadores britânicos: invadir a Ucrânia é inaceitável. Já devastar o Iémen, ordenar o fatiamento de jornalistas incómodos e bater recordes de execuções por crimes tão graves como “comportamentos desviantes” é algo com o que se pode trabalhar.

Comments

  1. JgMenos says:

    Mais higienização da esquerdalhada…

Trackbacks


  1. […] O que vale é que podemos sempre salvaguardar os princípios democráticos e substituir o Putin pela joia de moço que é o Bin Salman. […]