Exactamente, Alberto Gonçalves: Portugal está perigoso.

Faz hoje três meses, o Fernando Moreira de Sá escreveu sobre a saída do Alberto Gonçalves do DN, e deixou-me o José Vítor Malheiros e o Público, sobre os quais na altura não escrevi, porque, ao contrário do DN, que deixou intacta a restante ala direita, o Público continuou a despachar a esquerda. Seguiram-se Paulo Moura e Alexandra Lucas Coelho. Hoje regresso a todos eles, porque Portugal está perigoso. Para o Alberto Gonçalves mas sobretudo para a esmagadora maioria da opinião publicada à esquerda. Nos jornais como nos comentários televisivos.

No caso de Alberto Gonçalves, este da Sábado, não o do DN, um toque de fina ironia merece ser destacado. Ver um proeminente liberal, alegadamente sacrificado no altar capitalista com um contrato indigno, indignado porque prescindem de parte dos seus serviços, não perdendo tempo para fazer acusações como as que podemos ver em cima, faz lembrar aquele cliché da direita do esquerdalho que arranja desculpas para justificar os seus insucessos profissionais. Então o dinheiro não é do patrão e não é ele que decide? Até aqui estava tudo bem, agora a liberdade poderá ter chegado ao fim e a purga não poupa quase nenhum daqueles que tornava a Sábado legível. Tem a sua piada. Será que também correram com o Nuno Rogeiro e ninguém nos avisou? Estes comunas do grupo Cofina… [Read more…]

Turismo, novamente o Porto

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Hoje, na Visão, Ana Matos Fernandes (Rapper Capicua) escreveu um artigo sobre o Turismo e a cidade do Porto. Para a autora, a recente vitória da cidade do Porto (European Best Destination 2017) não a faz celebrar. E logo a ela, como refere na sua crónica, que: “sempre apregoei o Porto como a cidade mais linda”. Qual é então o medo de Capicua?

Segundo a própria, o medo que o turismo seja mais importante que a cidade. Que a Ribeira fique sem roupa a secar à janela ou o Bolhão sem tripeiras e que fachadas impecáveis de azulejo mas com uma cidade inteira que teve de ir morar para outro lado. E não celebra devido ao medo de perder o Porto para sempre, citando: “à medida que o Porto vai perdendo a sua gente e, com ela, a sua graça”.

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Ministro comete crime de apresentar queixa crime contra a Sábado por esta ter praticado um crime

O Direito, ah, o Direito, essa ciência inexacta e críptica e, pelos seus meandros e alçapões, por vezes tão maligna. O esforço que é necessário fazer para esclarecer alguns cidadãos dos seus obscuros desígnios.

Não será certamente o caso de bem intencionados “jornalistas”, a quem o interesse do público à informação rigorosa e isenta, intensa luz que os guia na sua ânsia de verdade, tantas vezes lhes inunda a ética e a deontologia. Esses sabem que o Direito é o agente da mais pérfida censura quando contra eles se vira.

Tomemos como exemplo um hipotético título jornalístico:

“Tiago Brandão Rodrigues cometeu um crime”

Tiago Brandão Rodrigues não é uma hipótese. É uma pessoa. E vá, ministro da Educação. Digamos que o hipotético título é de um órgão de comunicação social detido pelo grupo Cofina, insuspeito de lançar ataques ideológicos nos seus pasquins. E assentemos em que esse órgão é uma revista. Digamos, a “Sábado”. Decerto que não se importará de emprestar o seu reputado nome a este pequeno exercício de pedagogia.

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Negócios paralelos?

A reportagem é da Sábado, o resumo é do Esquerda.net. Um ministro, um escritório de advogados e vários assessores sociais-democratas num esquema onde as funções políticas se parecem confundir com negócios privados. Nada de novo portanto.

Manuela Ferreira Leite anuncia o fim de Passos Coelho nas manifestações de 15 de Setembro

Manuela Ferreira Leite considera que a manifestação do próximo sábado é uma «legítima reação das pessoas» e revelou que «ainda é cedo» para confirmar se vai estar presente.

«Desde que sejam manifestações pacíficas, eu acho que podem demonstrar aos poderes públicos que as pessoas não aceitam determinado tipo de medidas», afirmou, em entrevista à TVI24.

Depois de Passos Coelho na sexta, e Vítor Gaspar ontem, terem mobilizado para as manifestações de sábado, só faltava Manuela Ferreira Leite (e Cavaco Silva por tabela) juntarem-se à já longa lista  de personalidades da direita inteligente na preparação do velório que se inicia este sábado.

É claro que MFL se está a posicionar para presidir a um governo de iniciativa presidencial (cada vez mais Portugal e Grécia seguem o mesmo percurso). É óbvio que a inteligência e algum bom senso não chegam para mudar de rumo. Mas pelo menos Relvas terá uma oportunidade para ir estudar, livramo-nos de um governo que conseguiu ultrapassar Santana Lopes em imbecilidade pura, e Portugal ficando mais asseado demonstra dar pouco tempo à estupidez e incompetência em estado puro.

15 de Setembro vai estar para Passos Coelho como o 12 de Março esteve para Sócrates. Saindo à rua enquanto povo, espero que com a mesma tranquilidade, lembramos porque somos o único país independente da Ibéria (precisamente num dia em que as manifestações decorrerão por toda a península), com o detalhe de numa ter estado gente do PSD e nesta ser óbvio que vai aparecer gente do PS, e pelos vistos também do mesmo PSD. Não me incomoda absolutamente nada. A política é isto, juntam-se pessoas muito diferentes quando o que está em causa é a salubridade pública. Todos temos nariz, todos sofremos com o mau cheiro.

Já são 26 manifestações em 26 cidades, pode consultar a lista aqui.

O Norte.

 

Por estranho que possa parecer, concordo com boa parte da opinião de Alberto Gonçalves (disponível na edição em papel) na Sábado de hoje, “O Norte Imaginário”. Mais, é um texto de leitura obrigatória para todos aqueles, como eu, que defendem a Regionalização. Porquê?

 

Simples, as críticas duras que aponta aos defensores da Regionalização, pelo menos a boa parte deles, é justa. O autor da prosa começou por expor o centralismo de forma correcta. Destaco: “O centralismo, velho de séculos e nas recentes décadas insultuoso, nota-se”.

 

Contudo, Alberto Gonçalves sublinha um ponto fundamental: “Graças à apropriação de uma desmesurada parcela das maiores fontes nacionais de riqueza, leia-se os impostos e os fundos europeus, Lisboa tornou-se comparativamente próspera face ao Porto e crescentemente indiferente face às lamúrias do Porto. O engraçado, para quem se diverte com o infortúnio alheio, é a ocorrência de um processo simultâneo e similar entre o Porto e o Norte de facto”. Esta afirmação final é, por muito que custe, profundamente verdadeira e explica o motivo pelo qual boa parte dos responsáveis políticos nacionais nascidos nesse “Norte de facto” a que se refere, chegados a Lisboa e alçados ao poder são os mais centralistas dos centralistas.

 

A mudança só serve se for para melhor. Para quem, como eu, acredita que a Regionalização é um caminho de mudança, mais, é “o caminho” e sendo eu nado e criado no Porto, não posso deixar de defender que a Regionalização, no que toca ao Norte, só pode ser realizada se, e só se, o Porto não representar para a Região o que Lisboa representa para o país. Trocando por miúdos: o Porto não pode nem deve ser a capital da Região.

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O símbolo da ignorância dos jornalistas da Sábado

Disto se diz: ir buscar lã e sair tosquiado.

Para quem não estudou química: símbolos têm os elementos naturais, a água é composta por dois e portanto tem uma fórmula.

Numa reportagem falsificada sobre a ignorância dos estudantes universitários (que a há, e sempre houve), é obra. Com o mesmo rigor posso atestar que em 1985 dois finalistas de História escreveram numa frequência froid por Freud, é só um exemplo e se pegarem em livros de memórias de antigos estudantes de Coimbra encontrarão referências a várias patacoadas similares. Nisto discordo do Miguel Cardina: não é por se ter massificado que a universidade passou a ser frequentada por ignorantes (quanto muito há mais em termos absolutos), sempre uma houve uma boa percentagem que não lia, se limitava a marrar sebentas e a andar por aí. Alguns chegaram ao topo das suas profissões, ou por exemplo a deputado: a um vendedor de banha da cobra não se pedem conhecimentos de medicina…

Notícia das notícias em gráficos

O jornal Público divulga hoje o relatório da ERC sobre os gastos em publicidade por parte do Estado central – isto é, sem contar com autarquias, instituições de ensino, tribunais, Presidência e Assembleia da República. [Adenda a 20.Out.: a edição impressa acrescenta mais alguns detalhes. Sumário no fim deste texto.]

É portanto apenas uma parte do total desta desta despesa e desde logo espanta pelo seu valor: 408 milhões de euros! Caro leitor, fique sabendo que só para a propaganda do Estado central contribuiu no ano passado com mais de 40 euros. Contribuiu, aliás, bem mais do que este valor, pois o número de contribuintes efectivos é muito inferior a 10 milhões. Dada a falta de números oficiais, estima-se em 3.5 milhões o número de contribuintes efectivos. Neste caso, a sua generosa contribuição em 2009 para os cartazes do solar, das Novas Oportunidades, dos programas patrocinados na TSF, anúncios de página inteira em jornais e mais uma catrefada de "investimentos" (!) foi superior a 100 euros.

Mas vejamos esses números saídos hoje no Público, aqui apresentados em 5 gráficos, para depois  os lermos.

1. Gastos totais

 Gastos em PUB pelo Estado central

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Ricardo Rodrigues, o deputado irreflectido

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“Quando um estúpido faz algo de que se envergonha, diz sempre que esse é o seu dever”

Bernard Shaw, em “César e Cleopátra”

Alguma coisa está mal quando um deputado, seja ele qual for, por não gostar das perguntas de um jornalista, “exerce a acção directa e irreflectidamente retira” os gravadores de jornalistas. Neste caso da revista Sábado. O deputado Ricardo Rodrigues explicou assim, com a citação indicada, o seu gesto de retirar da mesa os aparelhos de gravação que estavam a ser utilizados na entrevista que concedia à revista.

O caso aconteceu há dias. A Sábado divulgou-o hoje. Ricardo Rodrigues já comentou. Disse que se sentiu violentado pelas perguntas. Podia permanecer calado. Podia ter virado costas. Podia ter simplesmente abandonado a entrevista. Sentindo-se “violentado”, como referiu, só teria de sair da sala. Mas não. Resolveu de forma “irreflectida” retirar os gravadores, disse. Ora, como foi sem autorização, acaba por ser um furto ou uma apropriação ilícita, não?

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O Bloco e o Alberto Gonçalves:

O sociólogo Alberto Gonçalves, a par com o Carlos Abreu Amorim (Correio da Manhã) e o Ferreira Fernandes (DN) são os meus comentadores preferidos da imprensa escrita.
O Alberto Gonçalves (Sábado) é dotado de um sentido crítico (e humor) absolutamente fantástico. Ontem, no seu “Juízo Final” transcendeu-se: “Nas últimas trés décadas, o meu contacto com as artes circenses tem estado restrito a uma trupe que acampa na minha vizinhança e às proezas do Bloco de Esquerda”. (Ler tudo AQUI).
Fantabulástico! As suas crónicas deviam ser de leitura obrigatória no ensino secundário, ehehehe!