atrasa lá o museu, por favor !

thegoldendays… abrem-se as páginas 16 e 17 do Público e lê-se:

1. o novo MUSEU DO CÔA, cuja abertura está para breve mas sem data marcada, necessita de um «gestor cultural» e de um novo modelo de gestão (o que quer dizer que poderá abrir e depois lá se escolherá um gestor e um modelo). gravuras rupestres?

2. a obra do novo MUSEU DOS COCHES está parada por questões logísticas (i.e. o transporte de pessoas e equipamento). carros sem motor?

3. o alargamento do MUSEU DO CHIADO avança dez anos depois (mas na realidade ainda não avançou, vai avançar um dia destes). rabiscos?

sobre política cultural neste país…  atrasa lá o museu, por favor !

ass. anarquista duval

balthus, «the golden days»

Tourada em Salzburg

Eu e o Luis Rocha tínhamos chegado à cidade bastante tarde, numa noite de neve que caía aos farrapos, silenciosa e fria com as luzes a tremilicarem por entre o nevoeiro .Chegados ao hotel nada quente para beber ou enganar a fome tudo fechado salvo, diz-nos o recepcionista, uma taberna no fundo da rua, talvez aí.

Lá fomos encolhidos rua abaixo sem alma de gente a travessar-se no caminho, uma ténue luz a sair de uma porta no rés-do-chão, grossa, batente de ferro que deixava escapar um vozeirão contido. Que sim, havia que comer e beber, mas a casa era de bancos e mesas corridas, tratassemos nós de arranjar lugar e companhia.

À minha frente Franceses, ao lado esquerdo Suiços, mais uns quantos Austríacos e à minha direita um casal americano, ele alto e grosso, ela naquela meia idade como o Outono, coberta de cores, a beleza evidente de uma delicadeza que condizia com a pela bem tratada, uns olhos avelã e um cabelo louro/castanho. Portugueses? ela olhava-nos com curiosidade, conhecem o cavalo de raça “Lusitano”? pergunta com os olhos a rirem de curiosidade, lá nos esforçamos a falar da Coudelaria de Alter, como tem vindo a ser mantida uma pureza de raça, catalogada, de que se conhece a genealogia há mais de dois séculos.

Ela tinha um Lusitano na sua quinta em Utha, adorava o cavalo, que caracteristicas tinha desenvolvido? onde e em que era utilizado? tudo queria saber com uma graciosidade que em tudo se opunha à rudeza do marido, que não se conteve quando ouviu falar de tourada, pegas do touro à mão, que era mentira, ninguem se colocava à frente de um touro de 600 kgs, eles lá nos USA tambem o apanhavam mas era saltando para cima do cachaço , e às tantas a minha gritaria cruzada com a dele, movida a copos, ouvia-se por cima das mil conversas .

Que sim, diziam os Franceses que já tinham visto uma vez no sul de França e os Suiços nunca tinham visto mas sabiam que era verdade e os Austríacos, como era isso expliquem lá. Eu e o Rocha no meio da algazarra, com interlucotores a falarem diversas línguas não nos entendíamos, eh, pá, o melhor é fazer uma demonstração, o Francês que já viu é o touro, eu sou o cabeça dos forcados, o Rocha explicava e orientava as posições, mais dois austríacos atrás de mim a fazerem de forcados do grupo, e o Francês não vai de modas atira os forcados para cima do público já em pé a cantar e a rir, espaço, é preciso espaço e o pessoal em cima das mesas e o francês a levar o seu papel de touro demasiado a preceito e o cabeça do grupo já metido em orgulhos com os espalhanços, uma e outra vez…

O Americano bêbado que nem um cacho ainda o vi a descer a rua ás curvas e fixei bem o porte altivo e gracioso da mulher. Por momentos as nódoas negras não me doeram nada!

PS culturalmente igual a 0,4%

É quanto vale para o PS a Cultura. No Orçamento do presente ano vale 0.4% do PIB e em 2008 valia 1%. Felizmente que já não vai poder decidir sozinho se não íamos ficar sem Cultura no Orçamento, grande medida para baixar a despesa do Estado.

É por isso que os nossos monumentos, Património Mundial, estão tão mal tratados, que os nossos teatros, como diz a Carla, são entregues a espectaculos mil vezes vistos, que não há apoio a jovens artistas .

Mas só para consultores estão lá inscritos 400 milhões, não vá faltar consultorias a dizer o que é preciso para convencer o pagode. Isto é de uma pobreza que mata, isto só pode vir de alguem que não lê um livro e que não vai a um museu, como é que se esquecem os nossos monumentos magnificos, velhos de séculos, é assim tão dificil perceber que podemos ter um turismo fluorescente só à volta do nosso património histórico? Que poderia pagar a manutenção e as melhorias nesta área em que somos tão ricos?

Por essa Europa fora, nas visitas ao património, tudo é de um profissionalismo que só pode emergir do grande amor que se tem pela Cultura do país, há uma política cultural que está bem presente nas organizações das visitas e dos espectaculos. Aqui a Cultura não só desapareceu do orçamento como o próprio ministro anda há muito desaparecido .

Agora temos uma política assaz curiosa. As empresas de construção civil são obrigadas a contribuir para a reabilitação do património. Como fazem? O custo fica logo no preço pago nas adjudicações ?

O negócio dos livros escolares

Sem 200,00 euros não se compram os livros necessários para o filhote poder estudar. Se tiver mais que um começa a ser um drama para a maioria das famílias. A “bolsa do livro” era uma ideia estupenda para ajudar estas famílas, mas parece que se mudam todos os anos para que o negócio não acabe.

Esta conversa de que estão todos muito preocupados com as famílias cai à primeira análise. E que a “escola obrigatória” é uma medida de grande alcance, e é, assim se completasse com uma política tão simples de implementar, como seja reunir as condições para que os livros não pesem nas bolsas dos mais pobres.

No meio de tantas medidas de apoio, diárias, nunca se discutiu esta tão importante. E que o livro perdure por “n” anos escolares por forma a servir a mais que um aluno e que possa ser gratuíto.

Nada! O negócio é mais importante o que envolve muita gente interessada. Desde os livros escolhidos e quem os escolhe, a quem os edita, a quem os distribui e vende.

É, no mínimo, estranho que ninguem, ligado ao meio escolar não se indigne com esta situação .

Algum professor poderá explicar este negócio anual de milhões ?

Não há festa como esta!


No dia em que arranca mais uma edição da Festa do Avante, apenas um breve «post» evocativo. Eu estive lá, uma vez, em 1995. Vim directamente da Madeira e, por ter chegado a meio da noite, tive de dormir com a minha namorada, hoje minha mulher, no chão do Aeroporto.
Foram três dias cheios. Lindos. Cheguei mesmo a ver, a dois metros de mim, o Álvaro Cunhal. Era então um jovem sem consciência política e a única coisa que me interessava era a música, os comes-e-bebes, a festa. O que me divertia quando as pessoas me chamavam camarada!
Catorze anos volvidos, posso dizer: «Eu estive lá». É que, digam o que disserem, seja qual for a cor partidária, não há mesmo festa como esta.

A Disney adquiriu a Marvel

Spider-Mouse

A Ginjinha do Rossio

Tenho a certeza que há aqui muita gente que percebeu que o meu texto ” Ó Carolina arredonda a saia…” tem a ver com a ginjinha nada com patrocínios…

Até porque está ali há quase um século e faz parte do Rossio, não precisa que se fale dela, impõe-se pelo seu carisma, até lá tem uma história (escrito como o Loures ensinou) da sua criação com mosteiros e monges à mistura como não podia deixar de ser estando como está em lugar tão especial.

Eu tenho que voltar sempre ao Rossio, à Igreja de S. Domingos onde se diziam as missas e se preparavam os desgraçados para a fogueira, o Palácio da Independencia com o traidor ainda dependurado na varanda, o Teatro D. Maria II onde estavam os calaboiços da Santa Inquisição e, antes disso, as cavalariças reais, o que não deixa de ser bem demonstrativo das hierarquias da época.

As portas de Santo Antão onde terminava a cidade ainda hoje fervilham “de muitas e desvairadas gentes” como no tempo de Luis de Camões e, ali perto, o Paço do Tronco onde o “mais português dos portugueses” esteve acorrentado por andar à espadeirada (decerto por alguma dama).

Logo ali a Praça da Figueira assente no leito seco de duas ribeiras que descem a Av Almirante Reis e a Av. da Liberdade, e nos escombros de um dos primeiros edificios do mundo a ser construído para acolher doentes,o Hospital de Todos- os- Santos, hoje o S. José e que vai voltar a ser de Todos -os-Santos agora na ribeira de Chelas . Tudo a desaguar no Largo do Rossio onde a multidão crente e religiosa se juntava para ver assar os seus semelhantes.

E, quando a mesma emoção de sempre, começa a subir-me pela garganta ( não sei porquê mas é o único lugar onde sinto que faço parte de uma caminhada com sentido)a ginja (pequeno, o copo) apazigua-me a ansiedade, a angústia que comecei a identificar quando li Cesário verde, ” uma incompreensível vontade de morrer ” ver o fim da tarde de Lisboa, a pressa das pessoas para voltarem para suas casa sem nada verem, o voltar as costa a um sítio que nunca mais verei da mesma forma, mesmo que lá volte todos os dias.

…e os ranchos de jovens raparigas, que voltam ao sol- pôr a cantar, levai-me para o meu doce lar…” chorava o Cesário Verde, o poeta de Lisboa, a despedir-se da gente e da cidade que amava, adivinhando que íria partir tão cedo. Quando voltar costas, já com a ginja para o caminho, percebo que é só o que posso levar comigo, manter por mais tempo aquela mágoa que se apodera de mim, a nostalgia do que há-de vir sem refúgios.

O ritual da ginja e do caroço faz parte de um lugar cheio de história, de alma, não é coisa que não se queira ou que se deite fora, assim com as graínhas da fruta.

A família Simpson mudou para Angola

Uma das mais famosas famílias do mundo acaba de ganhar mais um espaço em África. Obama? Não, não é a família do presidente dos EUA. É, sim, a família Simpson.

Consta que vão fazer as malas e rumar da nuclear Springfield para a menos poluída África, em concreto para  Angola, conta o jornal britânico Daily Mail.

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A agência de publicidade Executive Center decidiu encomendar uma promoção animada da família de Homer, Bart e companhia, alterando-os em termos de cor, indumentária e estilo, de forma a ficarem num registo africano.

O sofá está lá, tal como o comando da televisão. O quadro mostra agora uma cena de savana africana e o candeeiro deu lugar a um conjunto de som ao melhor nível do gosto africano.

Independentemente de tudo, e mesmo sabendo que é apenas uma campanha de promoção dinamizada por uma empresa, este é mais um claro sinal de que Angola está a ganhar crescente importância económica e um lugar de maior destaque no mercado mundial.

Tenho a certeza que os Simpsons não se mudariam, ainda que de forma provisória, se não fosse assim.

Isto é de génio

O artista de rua Kurt Wenner faz coisas brilhantes, ao estilo de três dimensões, em giz, como esta…

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ou esta…

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Isto é arte! (ponto de exclamação). E brilhante.

Woodstock: 40 anos

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Bill Eppridge; Life / Google

Morreu Raul Solnado

Um dos maiores comediantes nacionais, Raul Solnado, morreu hoje às 10h50, aos 79 anos, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Raul Solnado

Nasceu em Lisboa, a 19 de Outubro de 1929. Começou como actor amador, no Grupo Dramático da Sociedade de Instrução Guilherme Cossul, em 1947.
Profissionalizou-se em 1952 e lançou uma carreira como artista de variedades e teatral.

Em 1960 adapta para português "A Guerra de 1908", de Miguel Gila, e, em 1961, interpreta-o na revista "Bate o Pé", no Teatro Maria Vitória. A edição em disco, em conjunto com "A história da minha vida", bateu ecordes de vendas.
A sua passagem pela televisão ficou marcada pelos programas "Zip Zip", "A Visita da Cornélia" ou ainda "O Resto São Cantigas".

Raul Solnado fez-me rir com as suas histórias. Obrigado.

Pedro Abrunhosa, hoje, em Cerveira


É um momento ímpar. Podermos sonhar, fechar os olhos e levitar com as músicas do Pedro Abrunhosa. E tudo isto no cenário único de Vila Nova de Cerveira. É o «Cerveira ao Piano» em toda a sua pujança.
Estamos em ano de Bienal. Aventa-te e dá um salto à vila das Artes!

MONIZ

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A SAÍDA ANUNCIADA
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Quem se mete com quem se mete, leva!
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José Eduardo Moniz, por ventura o melhor dos directores da televisão Portuguesa, saiu da TVI.
Poder-se-ia dizer que estava já anunciada a sua saída há muitos meses, desde que a estação televisiva escolheu como principal alvo o ainda nosso Primeiro.
Poder-se-ia dizer, lá poder podia, mas ninguém dirá, pelo menos os que mandam na gente, e muito menos eu que destas coisas, percebo nada.
Moniz mexeu onde não deveria, e está-se mesmo a ver, o pau partiu pelo lado mais fraco.
É lamentável e deprimente que se viva desta maneira, neste nosso País, e, pior, com gentinha desta laia.
A vida é feita de ciclos, alguns são assim, e acabam desta maneira!

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Coisas do DIABO : Cultura, a parente pobre

“A verdade é que a Cultura foi sempre a parente pobre deste Governo que derrama milhões em obras públicas faraónicas e deixa a esboroar-se o nosso património nacional e mundial, para cuja manutenção e recuperação bastariam migalhas!” Alberto do Amaral.

Temos um Ministro da Cultura que ninguem sabe o que anda a fazer a não ser que tem de gerir um miserável orçamento. E sabemos tambem que a Janela Manuelina do Mosteiro de Cristo em Tomar está ao abandono, só como exemplo de até onde vai a ignorância deste governo.

Parece que fez uma gongórica excursão a Veneza acompanhado de uns quantos artistas, habituais clientes do orçamento e dos croquetes. Nada aconteceu a não ser um jantar em grande para duzentas pessoas, todos ou quase todos subsidiodependentes.

A política cultural cá no burgo não passa de distribuir uns subsídios por uns artistas e de quando em vez umas obras de recuperação. Gastam-se uns milhões com o novo Museu dos Coches e com a Casa dos Bicos de Saramago.

A Maria João Pires já foi e o Palácio da Ajuda continua por acabar. Era bom perceber-se que há uma política cultural, mas o próprio Sócrates já admitiu que não há!

Isto num país que vive do Turismo e que tem um parque monumental com Património classificado como mundial. E não considerando os centros históricos das nossas cidades eles tambem património nacional e mundial.

E no Programa do PS alguem leu alguma coisa sobre política cultural?

Two Lovers – entre o amor e a paixão

Fui ver o filme com o Joaquim Phoenix, a Gwyneth Paltrow, a Vinessa Shaw e a Isabella Rosselini, dirigidos por James Gray. Ali ao Londres.

É a história de um homem entre duas mulheres, uma oferece-lhe a vida que sempre teve, o seu lugar no mundo, a outra oferece-lhe a vida que nunca conheceu. Claro, apaixona-se por esta e ama a primeira embora não o perceba.

O rídiculo da paixão persegue-nos todo o filme, não só no personagem de Phoenix mas tambem no de Gwyneth, não no sentido do “estar apaixonado” mas no do “comportamento” de quem está apaixonado.

O filme desenrola-se à volta de um homem jovem sofrido, vagamente doente que toma uns comprimidos mal se levanta e sujeito à “impiedosa” protecção dos pais, à segurança de uma vida familiar que tem um negócio próprio e que por isso, “não pode ser despedido”.

Isabella é a mãe sempre demasiado presente, superprotectora mas que escolhe o filho mesmo quando vai fazer “asneira”. Basta-lhe que seja feliz.

Gwyneth é a “loira linda de morrer” sem nada na cabeça e que vive um tórrido romance com um homem rico e casado. É a sua solidão e insegurança que atrai Phoenix.

Vinessa, apesar de ter muitos rapazes interessados, aprecia a vida de família e vê em Phoenix alguem que pode proteger. A cena final entre ambos é portentosa, uma ilha de compreensão e amor no meio da “multidão” de uma festa familiar.

Não sei porquê mas estive todo o filme a “temer” que o frágil Phoenix desse barraca, a “desejar sexualmente” Gwyneth e a querer casar com Vinessa!

Já estou no padrão. Não há fuga para este vosso amigo!

A arte dos livros

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Su Blackwell é britânica. A sua missão é construir modelos a partir de papel de livros. É um trabalho fascinante e brilhante. E merece ser visto.